O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, reafirmou, durante entrevista a emissores de rádio, que os reajustes a servidores públicos e militares estão suspensos até que o “rombo” de R$ 40 bilhões no Orçamento, provocado pela extinção da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), esteja totalmente resolvido.
“Nós queremos retomar o diálogo com os servidores, mas eu preciso reequilibrar o orçamento, porque do contrário vai ser uma loucura. A saúde precisa de R$ 20 bilhões, nós precisamos resolver isso. Acho que qualquer pessoa no Brasil entende que isso é prioritário”, afirmou.
O governo anunciou na semana passada um pacote para compensar a arrecadação que será perdida com o fim do chamado “imposto do cheque”. Entre as medidas anunciadas está o aumento das alíquotas do IOF e da CSLL do setor financeiro, além da realização de um corte de R$ 20 bilhões nas despesas de custeio e investimento dos três Poderes.
Em resposta ao eventual cancelamento dos reajustes salariais, a Condsef (Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal) ameaça convocar uma plenária logo depois do Carnaval para discutir uma possível paralisação dos servidores públicos.
A Condsef não aceita as explicações do governo e quer o cumprimento de um acordo negociado em dezembro. “Nosso reajuste não pode ser cancelado por conta de um motivo que não tem nada a ver com o funcionalismo. Os servidores não têm culpa de nada”, disse Sérgio Ronaldo, diretor da Confederação.
Reajuste de militares
“A greve não vai resolver o problema do Orçamento. Temos que ter um pouco de paciência, bom senso. Vamos sentar e conversar, mas não tem como dar este reajuste agora”, disse Bernardo.
O corte orçamentário de R$ 20 bilhões para compensar parcialmente a perda de arrecadação da CPMF levou o governo federal a suspender as negociações sobre o reajuste salarial dos militares, conforme havia prometido o ministro Nelson Jobim (Defesa) para 2008.
O ministro do Planejamento afirmou que os salários dos militares estão congelados assim como os dos servidores públicos até o equilíbrio no Orçamento. “Nós achávamos que tínhamos que negociar e dar também um reajuste para o pessoal militar, e, portanto, essa negociação estava em curso”, assinalou.







