O ministro da Defesa, Nelson Jobim, confirmou para o fim de fevereiro a retomada das negociações para o reajuste dos salários dos militares. Segundo ele, a discussão com o Ministério do Planejamento será feita após a “recomposição do Orçamento”.
“Este tema está mantido e estas conversas serão desenvolvidas com o Planejamento e a Presidência da República após recomposição do Orçamento, o que deverá ocorrer em fevereiro”, disse Jobim, sem especificar um índice para o reajuste salarial. “Não se fala em número, mas em recomposição”.
Nelson Jobim negou que esteja disposto a deixar o Ministério da Defesa caso o reajuste para os militares não saia. “Não estou aqui para criar problemas, mas para criar soluções”, afirmou.
O governo suspendeu reajustes salariais até que estejam definidas as medidas para cobrir o “rombo” de R$ 40 bilhões deixado pelo fim da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). Além de aumentar as alíquotas do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) das instituições financeiras, o governo deverá cortar R$ 20 bilhões do Orçamento, o que inclui despesas de custeio.
Militares ensaiam ato de protesto
Insatisfeitos com os baixos salários, militares das Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica) estão sendo mobilizados para um ato de protesto, marcado para o próximo dia 31, contra o governo federal. Eles querem equiparação salarial com a Polícia Federal e o fim “do sucateamento das Forças Armadas”.
Oficialmente, a organização dos protestos do dia 31, chamado de “dia D”, é atri-buído à Unemfa (União Nacional das Esposas de Militares das Forças Armadas), mas em quartéis do sul do Brasil circulam cópias de um manifesto que prega, além do protesto pacífico por melhores condições de trabalho e soldo, uma insurgência aberta contra o presidente Lula e os ministros da área econômica.
Um dos organizadores do “dia D”, o ex-capitão Luís Fernando Silva disse que “o protesto será ordeiro e pacífico e qualquer outro posicionamento vai depender da reação do governo”. O Ministério da Defesa, por meio de sua assessoria de imprensa, disse não reconhecer qualquer movimento de insatisfação das tropas.







