Depois do eucalipto, o cedro australiano pode ser a nova espécie estrangeira que, adaptada às condições brasileiras, dará rentabilidade ao produtor rural. A Apflor (Associação dos Produtores Florestais do Sudoeste de Minas), com o apoio do Sebrae Minas, está investindo em pesquisa para melhoramento genético da árvore para aumentar sua produtividade.
O trabalho começou há dois anos, comandado por professores da Ufla (Universidade Federal de Lavras) e ainda deve levar outros seis até que se chegue ao objetivo final. Um clone do cedro australiano. “Em três anos já será possível ter material genético muito superior ao que já existe no mercado”, afirma o diretor da Apflor, Ricardo Vilela. O investimento total no projeto é de R$ 2 milhões.
“Vemos a atividade como algo de grande potencial para os pequenos produtores. No final do processo, eles têm árvores com alto valor agregado que significam uma ‘poupança verde’, que pode ser retirada quando for mais conveniente”, acredita o técnico do Sebrae Minas responsável por projetos de silvicultura Leonardo Ivo.
“Estamos trilhando o mesmo caminho feito com o eucalipto.
No começo, ele produzia 15 m3 por hectare, patamar atual do cedro. Hoje o eucalipto chega aos 50 m3 por hectare”, explica o produtor. A diferença, segundo Vilela, está na qualidade da madeira extraída.
Enquanto o eucalipto se presta bem aos destinos que exigem mais volume que qualidade, como a celulose e o carvão vegetal, o cedro australiano tem características excelentes para a movelaria e a construção civil. Para que tenha diâmetro suficiente para as serrarias, a árvore tem de crescer por quinze anos. “A rentabilidade chega a R$ 10 mil por ano a cada hectare, enquanto o eucalipto rende apenas R$ 1 mil”, conta Vilela.
Em quatro anos, é feito um primeiro desbaste para selecionar as melhores mudas. “O corte feito aos oito anos já paga todo o investimento”, afirma o produtor.







