Alerta sobre desmate na Amazônia foi excesso, diz Lula

Em: 1 de fevereiro de 2008
“Na verdade, eles queriam alertar de que a gente não pode se descuidar de controlar a nossa Amazônia”.
“Na verdade, eles queriam alertar de que a gente não pode se descuidar de controlar a nossa Amazônia”.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que o problema na Amazônia é um “tumorzinho” que foi tratado como câncer antes do diagnóstico, informa na quinta-feira reportagem da Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).

Sobre os números divulgados pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) na quarta-feira da semana passada, Lula afirmou: “Na verdade, eles queriam alertar de que a gente não pode se descuidar de controlar a nossa Amazônia”.

“O que aconteceu, na minha opinião, eu não sou comunicador, posso estar errado… você vai no médico detectar porque você está com um tumorzinho aqui e, ao invés de fazer biópsia e saber como vai tratar, você já saiu dizendo que estava com câncer”, afirmou o presidente ao fim de um almoço no Itamaraty.

Para Lula, ainda é cedo para culpar a soja e o gado pela derrubada de florestas, e as ONGs que pedem mais ação “precisam é plantar árvore”. Ele também criticou a postura das ONGs e disse que não dá para culpar “soja, feijão, gado ou sem-terra” pelo desmatamento sem antes investigar o que aconteceu. A Polícia Federal e os ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura sobrevoaram na quarta-feira áreas da Amazônia para avaliar o problema do desmatamento, a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo relato do jornalista Kennedy Alencar na Folha de S.Paulo.

A missão foi designada par verificar se de fato houve aceleração do ritmo de desmatamento da Amazônia nos últimos cinco meses de 2007, conforme apontaram números divulgados pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) na quarta-feira da semana passada.

Segundo auxiliar direto do presidente, a cúpula do governo tem “desconfiança” de número que aponta interrupção do ritmo da queda de desmatamento, que vinha caindo desde a virada de 2004 para 2005. Lula quer uma avaliação nos locais, no prazo de um mês.

O presidente foi estimulado pelo impacto internacional da notícia, negativo para ele, que tem boa imagem no exterior e vende o agronegócio brasileiro como ecologicamente correto.

Segundo estimativa do Inpe, 7.000 km2 de floresta –área equivalente a 4,7 vezes a área da cidade de São Paulo– foram derrubados no último trimestre.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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