Disputa na 3G movimenta 2008

Em: 1 de fevereiro de 2008
A versão popular segundo a qual o ano só começa depois do Carnaval não está valendo para o setor de telecomunicações.
A versão popular segundo a qual o ano só começa depois do Carnaval não está valendo para o setor de telecomunicações.

A versão popular segundo a qual o ano só começa depois do Carnaval não está valendo para o setor de telecomunicações. Operadoras celulares e seus fornecedores de equipamentos vivem um momento especial e ele teve início em dezembro, depois que a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) definiu e leiloou as freqüências destinadas à 3G (3ª geração), fase marcada pela banda larga móvel, com dados trafegando em alta velocidade em 1,9 e 2,1 Ghz.
De certa forma, todos os grandes fabricantes, incluindo Ericsson, Nokia-Siemens, Alcatel.
Lucent e Huawei, ansiavam por este período de investimentos, foram a Brasília pedir por ele, e já haviam feito seus testes e ofertas para as operadoras telefônicas. “A 3G trouxe a retomada dos investimentos”, disse o vice-presidente da Nokia-Siemens, Aluizio Byrro. “Acredito numa expansão de 10% sobre 2007, chegando a R$ 13,7 bilhões”, disse o executivo conforme as estimativas iniciais de que 2007 tenha totalizado R$ 12,5 bilhões. Há previsões mais otimistas, que elevam as vendas deste ano em 20%. Tal acréscimo não resultará só de 3G, pois ainda haverá outras novidades ao longo do ano, como a chegada da tecnologia WiMax e o IPTV. Além disso, há previsão de que o contingente de donos de celular seja acrescido de 20 milhões de novos usuários, ampliando a rede de 120 milhões em quase 20%.
Como o jogo é internacional, e a terceira geração caminha para a maturidade na Europa, os grandes grupos multinacionais presentes dos dois lados – fornecedores e operadoras – iniciaram testes e acordos bem antes do leilão, de tal forma que mal havia começado o ano e o fechamento de negócios já estava indo de vento em popa. Até ontem, só duas operadoras ainda não haviam definido seus fornecedores de rede 3G: Vivo e BrT. As demais, TIM, Claro, Oi, CTBC e Telemig, nesta altura do ano haviam dado passos avançados. E apesar da terceira geração ser um jogo europeu, com predominância da sueca Ericsson, é a chinesa Huawei que está surpreendendo no País.

Conquista de confiança

Presente nos principais contratos de terceira geração já fechados e também no fornecimento de banda larga fixa, com a tecnologia ADSL, a Huawei chegou depois da privatização da Telebrás e de suas concorrentes européias e americanas, mas está conquistando a confiança das operadoras. “Nossa grande capacidade de entrega nos levou a ser a número um em contratos estabelecidos mundialmente em 2007”, disse o diretor Marcelo Mota.
O executivo acredita que um primeiro contrato fechado no país com a Vivo, em 2006, ainda relativo à segunda geração, foi o responsável pela evolução que se seguiu. “Honramos o compromisso de implantar a rede GSM para a Vivo em curto espaço de tempo e com preços agressivos, e essa experiência abriu o caminho para as futuras”, afirmou.
Hoje, a Huawei conta não só com a confiança dos clientes mas também com o respeito dos concorrentes, que apesar disso levantam dúvidas quanto à legalidade de suas práticas comerciais. “Os preços praticados pela Huawei são 30%, 40% e às vezes até 50% mais baixos do que o de todos os outros concorrentes, nos levando a supor que o governo chinês dá subsídios à exportação que resultam em competição predatória”, diz executivo do setor. “Ouve-se que os preços são menores até do que os praticados na China”, diz outro executivo. “Provar a existência de dumping é difícil pela natureza dos contratos, que envolvem serviços além de equipamentos, com valores diversos porque também se referem a trabalhos diferentes”, afirmou representante de outra empresa.
A Huawei, porém, interpreta o seu sucesso pela constatação de demanda reprimida por banda larga. Primeiro, em ADSL, segmento do qual conquistou 75%. “Esse mercado cresce a 50% ao ano e ainda tem muito a avançar”, disse Mota. “Por outro lado, há muitas bordas de São Paulo e de outros grandes centros que não podem ter ADSL, porque esta tecnologia depende de cabeamento e gera altos investimentos. Por isso sabemos que a 3G vai carregar muitos cliente

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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