Para IBPT, reforma tributária não sai se prorrogação for aprovada

Em: 16 de agosto de 2007
A reforma tributária, cuja proposta deveria ser enviada à Câmara pelo governo federal no final de agosto, será mais uma vez protelada caso a prorrogação da CPMF e a DRU até 2011 seja aprovada.
A reforma tributária, cuja proposta deveria ser enviada à Câmara pelo governo federal no final de agosto, será mais uma vez protelada caso a prorrogação da CPMF e a DRU até 2011 seja aprovada.

A afirmação foi feita pelo presidente do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário), Gilberto Luiz do Amaral, assinalando ainda que se forem mantidas a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) e a DRU (Desvinculação das Receitas da União), o governo vai colocar a reforma tributária na gaveta”. O assunto foi abordado durante apresentação sobre o tributo na sede da ACSP (Associação Comercial de São Paulo). “E isso não é novidade, aconteceu também no primeiro mandado do Lula e nos dois do Fernando Henrique Cardoso”.
O presidente do IBPT lembrou que o governo já até incluiu a CPMF nas receitas para 2008, já que está previsto na Lei de Diretrizes Orçamentárias do próximo ano a arrecadação de R$ 38 bilhões para a contribuição. “Cabe até crime de responsabilidade sobre isso. Como é que ele prevê uma receita sobre algo que não está concreto?”, indagou.
Nem mesmo os estados estariam livres deste interesse. Para Amaral, a reivindicação para obter uma participação da CPMF caso seja mantida é “jogo de cena”. “O que eles querem mesmo é a aprovação de uma DRE (Desvinculação das Receitas dos Estados). Esta é a moeda de troca”, disse.
Caso isso ocorra, os estados também poderiam desvincular uma parte do seu Orçamento para outros fins que não os pré-determinados pela Constituição – o que a DRU permite à União.
“Aí, quando a CPMF e a DRU estiverem aprovadas, o governo esquece a reforma tributária e joga o problema para os estados, já que eles vêem a reforma como meio de ganhar arrecadação”, disse Amaral. “E quando questionarem sobre a reforma, o governo federal joga a culpa nos estados”.
Ele lembrou que desde a Constituição de 1988 já ocorreram 12 reformas tributárias – na concepção de mudança constitucional de itens fiscais.
“Todas elas aumentaram a carga tributárias ou retiraram algum benefício dos contribuintes”.

O peso da CPMF

Segundo estudo feito pela entidade, o fim da CPMF poderia reduzir em 1,4 ponto percentual a carga tributária sobre o PIB (Produto Interno Bruto), deixando-a abaixo dos 35% para o próximo ano.
Desde a sua criação em 1993 – ainda com o nome de IPMF (Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira), derrubada meses depois pelo STF (Supremo Tribunal Federal) -, o tributo já arrecadou R$ 226 bilhões. A expectativa é de que cada pessoa pague R$ 187,95 de CPMF neste ano – valor que era de R$ 42,23 no primeiro ano de vigor da contribuição, em 1997.
“O governo federal terá excesso de arrecadação de R$ 50 bilhões neste ano, já descontada a inflação. Ele tem tranqüilidade para tirar a CPMF de circulação”, disse Amaral o presidente do IBPT.
Amaral qualificou o tributo como o mais perverso que existe no país, pois incide inclusive sobre outros impostos e acaba incluído no preço final dos produtos ao consumidor. Segundo a entidade, 8,7% do total arrecadado pela CPMF até hoje provém de sua incidência sobre o pagamento de outros tributos nas instituições financeiras.
Questionado sobre a dificuldade de conseguir barrar a aprovação da CPMF no Congresso, Amaral lembrou do movimento ocorrido no início de 2005 que conseguiu impedir a alta da base de cálculo do Imposto de Renda e da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) de 32% para 40% para prestadores de serviço, contida na MP (Medida Provisória) 232.
“Além de ser um tema mais difícil de explicar, o governo federal tinha maior controle sobre o Congresso Nacional. É mais fácil provar os males da CPMF. Vemos uma condição política melhor, mas ainda é necessário que a sociedade se conscientize”, disse.
Porém, ele se diz decepcionado com a falta de comprometimento dos congressistas, principalmente da oposição, pelo fim do tributo.
Citou em especial o PSDB, julgando que o partido não trabalha com força pela causa devido ao interesse em voltar ao poder nas próximas eleições.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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