O acordo de cooperação e transferência de tecnologia militar que os presidentes da França, Nicolas Sarkozy, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, vão assinar no fim do ano, em Brasília, “pode servir para consolidar a liderança do país como potência regional”, acredita o cientista social Marcos Oliveira Osório, do Centro de Estudos Estratégicos da Universidade de San Andrés. Para o analista, a negociação do amplo pacote “precisa ser feita com grande cuidado, sob pena de levar as Forças Armadas a um novo ciclo de dependência externa”.
Há dois dias, Sarkozy disse na Guiana Francesa que seu governo está disposto a abrir para o Brasil livre acesso ao conhecimento necessário à produção e desenvolvimento de caças supersônicos Rafale, de quinta geração, submarinos diesel-elétricos Scorpéne, helicópteros Dauphin e Cougar, além dos diversos sistemas de armas destinados a esse equipamento. Na entrevista coletiva, o presidente francês afirmou que o acordo deve marcar “um novo tipo de relacionamento bilateral no setor dos assuntos de defesa”.
O analista Salvador Raza, diretor do Cetris (Centro de Tecnologia, Relações Internacionais e Segurança), considera essa oportunidade “excelente para o Brasil explorar o desdobramento econômico e social da política de defesa”. Raza, todavia, ressalta “a necessidade de assegurar que as opções bélicas sejam alinhadas com o projeto nacional de força, e que os contratos garantam efetivamente a potencialização tecnológica da capacidade industrial do país”.
O acordo promoveria o isolamento do Brasil em relação ao núcleo de fornecedores internacionais? Para Raza, “o efeito será exatamente o contrário: um projeto desse tipo representa um poderoso fator atrativo para a inovação tecnológica em áreas correlatas, servindo como indutor de moderno e sofisticado sistema de defesa capaz de assegurar alto grau de autonomia estratégica e logística”.
O sociólogo Eliezer de Oliveira, do Núcleo de Estudos Estratégicos da Unicamp, destaca as vantagens para o país, “a contar do crescimento de seu perfil estratégico, significando o eventual acordo uma conexão útil do Brasil com a segurança da Europa”. Na área militar brasileira, o tratado bilateral é visto com entusiasmo cuidadoso, como disse ao Estado um oficial do setor de pesquisa e desenvolvimento.
Analista social afirma que acordo pode firmar Brasil como potência
Em: 14 de fevereiro de 2008
O sociólogo Eliezer de Oliveira, do Núcleo de Estudos Estratégicos da Unicamp destacou as vantagens para o país, a contar do crescimento de seu perfil estratégico através do acordo.
Redação
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