Frigoríficos sofrem com embargo da União Européia

Em: 19 de fevereiro de 2008
Embargo da UE (União Euro­péia) à carne brasileira também está refletindo sobre as cotações dos frigoríficos de capital aberto do país
Embargo da UE (União Euro­péia) à carne brasileira também está refletindo sobre as cotações dos frigoríficos de capital aberto do país

Até a semana passada as ações da Minerva, JBS Friboi e Marfrig já acumulavam queda de 24,5%, 23% e 5,6%, respectivamente. Curiosamente o reflexo está sendo positivo ou pelo menos sendo capaz de minimizar a desvalorização das ações. “O preço da arroba sem o embargo seria mais caro e o principal fator da desvalorização do setor é o alto preço do boi que é 80% custo do frigorífico”, explica Gabriel Levy, analista do Modal Asset. Ele ressalta ainda que as empresas listadas na Bolsa acabam sendo menos impactadas devido a uma maior diversificação na região das plantas, lembrando que elas também atuam no Uruguai e na Argentina.
O analista da Planner, Peter Ping Ho, prevê o mesmo efeito de 2004 quando o preço do boi foi muito depreciado no pasto, mas para o consumidor final não houve redução. “A tendência é o frigorífico pressionar o preço ao produtor e manter uma boa margem de lucro no mercado interno”, afirma.
Já para Fausto Gouveia, analista da Win, homebroker da Alpes Corretora, a restrição por parte da UE deve agravar o mau desempenho dessas empresas. “O embargo tem impacto sim, elas dependem das receitas de exportações, o mercado interno tem um preço inferior o que conseqüentemente gera perda de margem e de receita”, avalia. “Com o euro cotado a US$ 1.4689 a UE continua sendo um parceiro comercial bastante atrativo, sem ele esses frigoríficos ganham menos e acabam afetando o resultado e as cotações em Bolsa”, completa.
As companhias já mencionadas pretendem redirecionar parte de suas vendas externas para outras regiões, mas admitem uma redução na margem de lucro tendo em vista que a UE se caracteriza como o importador que paga os preços mais altos.
Brasil vai aceitar, ao menos num primeiro momento, que a UE limite a 300 o número de fazendas autorizadas a exportar. O ministro Reinhold Stephanes avalia que é uma forma de manter a negociação. O País aguarda uma missão dos europeus no dia 27.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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