Desenvolvido ao longo dos últimos 13 anos e fruto de um processo de melhoramento genético, o jacaré-do-Pantanal precoce começa a partir de março a oferecer ao mercado o seu principal produto: o couro. O primeiro lote com 300 peles será disponibilizado dentro das próximas semanas para processamento industrial. O produto diferencia-se do couro de jacaré convencional por ser oriundo de um animal jovem, abatido com idade entre 12 e 15 meses e criado em confinamento, sem a incidência de luz solar, o que reduz sensivelmente a calcificação da pele.
O couro de jacaré precoce é desenvolvido pela fazenda Reino Selvagem, no Pantanal, distante 26 km de Miranda/MS, a única que hoje produz o animal no Brasil. Inicialmente os lotes serão de 300 peles/mês, com previsão de atingir 1.500 peles/mês em 2009.
O couro de jacaré precoce é livre de placas ósseas e 100% aproveitável. “Ele facilita o processo industrial pelas suas características como menor espessura, maior flexibilidade e resistência o que lhe confere um alto valor agregado, tanto para a indústria quanto para o consumidor final”, afirmou o proprietário da Reino Selvagem, o médico veterinário Gerson Bueno Zahdi.
Responsável pelo processo de melhoramento genético e desenvolvimento com ausência de fator de crescimento hormonal, Zahdi consolidou o jacaré-do-Pantanal precoce há pouco mais de dois anos. De lá pra cá vem utilizando o couro experimentalmente na produção de bolsas, sapatos, pastas e jóias. Com o aumento de seu rebanho de 12 mil (2007) para 26 mil cabeças até o próximo ano, Zahdi decidiu disponibilizar lotes mensais do couro pronto para o processo de industrialização. “Além de bolsas, sapatos, jóias e carteiras este couro pode perfeitamente ser utilizado na confecção de roupas pela sua grande flexibilidade”, garantiu o produtor.
O criatório da Reino Selvagem foi implantado entre os anos de 1995 e 1996. No início, levava de dois a três anos para produzir um animal com três quilos/vivo. Com um ano de idade, um jacaré dificilmente passava de 1,5 quilo. Com o passar dos anos, a produtividade e a precocidade passaram a ser o diferencial de seu rebanho. “Agora pelo menos 33% do meu rebanho leva apenas 12 meses para atingir seis quilos/animal/vivo e é abatido com esta idade”, garantiu Zahdi.
Gerson Zahdi faz a comparação da precocidade de seu rebanho com o desenvolvimento convencional feito no Brasil até então. De acordo com ele, a produção tradicional trabalha com uma a idade média de abate em torno de 2,5 anos ou 30 meses. O cultivo na Reino Selvagem é feito em células climatizadas e onde os animais não sofrem incidência da luz solar. Este é um segredo para a qualidade do couro do jacaré produzido na sua propriedade. “A luz do sol promove a síntese da vitamina ‘d’ no animal, aumentando a calcificação da pele; esta calcificação gera um couro de segunda ou de terceira classes”, explicou.
Couro de jacaré precoce chega ao mercado
Em: 25 de fevereiro de 2008
Desenvolvido ao longo dos últimos 13 anos e fruto de um processo de melhoramento genético, o jacaré-do-Pantanal precoce começa a oferecer ao mercado o seu principal produto: o couro.
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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