A ZFM (Zona Franca de Manaus) completa 41 anos mostrando a pujança do modelo capitalista de produção, considerado por muitos como insuperável na geração de bens de toda ordem. O conjunto de mais de 450 indústrias atingiu a marca de US$ 25 bilhões, num crescendo que vem de US$ 18 bilhões, em 2005, e US$ 22 bi, em 2006. São números surpreendentes, que, para nós, amazonenses de Manaus, seriam difícil de se prever ou sequer de se imaginar nos idos de 1960, quando o modelo foi implantado. A geração de emprego com carteira assinada excede a qualquer outro pólo de desenvolvimento econômico da Amazônia, tendo, desde 2006, superado uma centena de milhar, o que, nas contas da Suframa, equivale à geração de mais quatro postos de trabalho indiretos para cada um direto.
O meio ambiente da Amazônia Ocidental, especialmente do Amazonas, tem sido beneficiado pelo modelo industrial não-poluente adotado pela ZFM, devido à própria natureza das indústrias, a maioria montadora de peças de produtos manufaturados, e pelo comprometimento com a causa ambiental pelas fábricas que lidam com processos de transformação de matérias-primas potencialmente poluidores, mas também pelo poder de atração exercido sobre milhares de brasileiros que, de outra forma, poderiam estar atuando de forma predatória sobre os recursos naturais desta parte da região. Cabe citar aqui a Moto Honda como um bom exemplo de indústria não-poluidora devido ao seu complexo industrial ter sido acrescentado um sistema eficiente de proteção ambiental. Costuma-se dizer que os planejadores da ZFM atiraram no que viram e acertaram no que não viram. Ou seja, planejaram a redenção econômica e social da Amazônia Ocidental e acertaram na questão ambiental, irrelevante na década de 1960.
Apesar da festa promovida por seus realizadores em torno destes resultados, Manaus ainda continua padecendo de mazelas sociais típicas de áreas periféricas, com sua população de deserdados, que sobrevive na informalidade, convivendo pacificamente com aqueles beneficiados com os empregos gerados no pólo industrial. Ali, um operário sente-se feliz em ganhar, às vezes, 16 vezes menos que o colega que atua na matriz estrangeira da fábrica, por praticamente o mesmo esforço e as mesmas horas trabalhadas. Esta situação reflete a nossa submissão em relação à divisão internacional do trabalho, promovida pelos países centrais a partir da década de 1950.
A cidade, que se enche de prédios-fortalezas cercados por um mar de habitações precárias, nem ao menos ao pólo industrial oferece um sistema viário condizente com sua importância estratégica. Com as chuvas torrenciais do verão unindo-se a uma pavimentação privilegiada pelo descaso, as ruas e avenidas do maior pólo industrial da região Norte se transformaram em atoleiros e buracos, em lombadas e ondulações, um circuito digno dos melhores ralis mundiais. A este cenário caótico soma-se as obras emergenciais promovidas por aqueles que deveriam zelar pela conservação das pistas de rolamento, em qualquer estação do ano, onde transitam riquezas maiores que a de muitos países. Afinal, os US$ 25 bilhões de faturamento geram receitas para os cofres governamentais que deveriam ser utilizadas para os necessários investimentos em infra-estrutura.
Histórico de submissão
Devido às características que a diferencia das demais regiões brasileiras, a Amazônia é palco constante de experiências de cunho capitalista que, infelizmente, não a levam ao desenvolvimento sustentável, sendo em sua maioria ações isoladas que procuram explorar determinada oportunidade de negócio ou se inserem em uma conjuntura geopolítica, sem, contudo, ter um planejamento em longo prazo que justifique tais ações como apropriadas ao desenvolvimento endógeno. Citamos como exemplos destas iniciativas a exploração predatória de madeiras, ainda largamente praticada, e a de minerais, especialmente a do ouro, que deixa um passivo ambiental e social de difícil equação. Mesmo empreendimentos como a exploraçã







