O sistema de transporte coletivo urbano de Manaus já teve melhores dias e a situação, na medida em que a cidade se agiganta, também toma proporções maiores e deixa grande parte da população sem ter como chegar a seus destinos em função de problemas tão diversos quanto veículos velhos que ficam ‘no prego’ no meio do trajeto ou motoristas que simplesmente não param nos pontos pré-determinados para apanhar passageiros.
A gravidade do transporte público urbano na cidade talvez possa ser medida pelas iniciativas tomadas na CMM (Câmara Municipal de Manaus), onde pelo menos três comissões estão tratando do ‘abacaxi’, a de Implementação e Acompanhamento de Leis; a de Serviço Público; e a de Transportes, Viação e Obras Públicas. Ora, se os parlamentares têm esta percepção para direcionar seus esforços em três frentes sobre o que parece ser um problema, é porque, no mínimo, existe um estado de coisas a exigir solução.
A população usuária do transporte coletivo é vítima de um sistema que foi implantado sob as melhores expectativas sem, no entanto, conseguir satisfazer nem parte destas. O cumprimento de horário pelas linhas ônibus é uma ficção em Manaus.
Os veículos, que segundo a autoridade responsável pelo sistema no município, deveriam obedecer a determinado peso a ser transportado para determinar o número de assentos em cada ônibus, a nada obedecem, ou não se veriam pelos logradouros manauenses as pessoas sendo transportadas como sardinhas em lata.
Uusários com necessidades especiais, grávidas e idosos estão a reclamar da falta destes assentos, os quais, por lei, lhes deveriam estar reservados. Nesta caso, as empresas os estão removendo, como forma de transportar o maior número possível de pessoas e, assim, maximizar o faturamento do consórcio que tem a concessão do serviço.
Para as empresas, parece ser letra morta a legislação que determina a destinação de 20% dos assentos às pessoas com necessidades especiais.
Há duas semanas o sistema de bilhetagem eletrônica não funciona a contento ampliando os gastos das pessoas com a interrupção da integração temporal, serviço pelo qual o usuário dos ônibus poderia utilizar linhas diferentes com o pagamento de uma única passagem pelo período de duas horas. Neste assunto, pelo menos na audiência ocorrida ontem na Câmara Municipal de Manaus, os vereadores não tocaram. Enquanto isso, o contribuinte que lhes paga o salário vai desembolsando seus recursos e pagando aquilo que, por lei, não deveria pagar.
A questão da limpeza e higiene dos veículos alocados para fazer o transporte coletivo em Manaus praticamente é inexistente, do contrário não se veriam baratas e outros insetos ‘passeando’ no interior destes, na maioria das vezes repletos de passageiros.
A população que liga para jornais, estações de TV e emissoras de rádio reclama e quer soluções imediatas para problemas antigos, uma vez que os agentes públicos parecem não dar muita atenção para algo que é fundamental na vida das pessoas como o direito de ir e vir.
Resta, então, esperar que o interesse dos vereadores pela situação do transporte coletivo em Manaus, e suas sérias implicações para a população, não seja apenas mas uma maneira de obter espaço na mídia, e, sim, a vontade de cumprir o mandato para o qual foram eleitos prestando serviços a seus concidadãos.
Câmara Municipal trata do transporte coletivo em três comissões
Em: 3 de março de 2008
A população que liga para jornais, estações de TV e emissoras de rádio reclama e quer soluções imediatas para problemas antigos, uma vez que os agentes públicos parecem não dar muita atenção para algo que é fundamental na vida das pessoas, como o direito
Redação
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