Apagão de gente – Parte I

Em: 13 de março de 2008
Management
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Talvez o termo “apagão” esteja um pouco desgastado. Pensei em usar “gargalo”, “falta” ou “escassez”. Na verdade, o que desgasta é a quantidade de “apagões” que acontecem no Brasil. De uma hora para outra faltam aviões, energia elétrica, gás, médicos, vacinas e a lista continua. Isso denota o óbvio: completa falta de planejamento. Nossa gestão é de um amadorismo (ou de um cinismo) que assusta.
E já estamos vivendo um novo “apagão”. Ontem o ministro da fazenda sinalizou com a apuração do PIB de 2007 ficando em pouco mais de 5%. Isso para um país com 220 milhões de habitantes, com a nossa extensão geográfica e com o nosso grau de desigualdade social é muito pouco. Precisaríamos crescer, no mínimo, a uma taxa anual de 7%, para assumirmos um espaço verdadeiro na economia mundial e nos índices de desenvolvimento humano.
Mas a questão é que com 4% ou 5% já está faltando o recurso essencial: gente. Em todas as áreas de atuação e em todos os níveis hierárquicos faltam profissionais devidamente qualificados e preparados para o ambiente altamente competitivo que vivenciamos. Imagina se o nível de crescimento fosse de 7%? Simples, não cresceríamos, pois faltariam os recursos necessários.
Um raciocínio simplista relaciona pessoas qualificadas com o aumento de matrículas nos cursos superiores nos últimos dez anos. Formação superior está muito distante de qualificação e preparo.
Realizando consultoria empresarial há quase quinze anos para empresas de diversos portes, das médias às multinacionais globais, podemos dizer que hoje temos uma oferta maior de empregos (bons empregos!) do que candidatos preparados.
E nossa experiência sugere algumas causas:

Educação familiar
Infelizmente por diversos motivos as famílias estão relegando a sua responsabilidade de educar (a chamada educação de berço), na infância e adolescência de seus filhos, para transmitirem valores como organização, planejamento, disciplina, responsabilidade e valores de caráter.
Não é o estudo formal que vai conseguir neutralizar as fraquezas de caráter ou disciplina de um adulto. Além de manter a segurança de nossos filhos e lhes proporcionar uma boa formação escolar, a nossa principal missão é faze-los adultos centrados e maduros emocionalmente.
Outra responsabilidade indelegável dos pais é criar nos filhos o hábito da leitura. Num mundo onde o conhecimento é a moeda de maior valor (e será cada vez mais) quem não lê terá utópicas chances de ascender ao topo da pirâmide dos melhores empregos e qualidade de vida. Não se enganem. São raros aqueles que não gostam de ler e se tornam presidentes ou grandes executivos.

Formação escolar
A proliferação (termo apropriado) dos cursos de nível superior e de pós-graduação tem uma vantagem clara na maior oferta de vagas. Porém, tem trazido dois verdadeiros males:
a Existe o paradigma dos jovens profissionais (e também de seus pais) de que a faculdade e a especialização irão lhe garantir um ótimo salário (considerando que não estão muito preocupados com o emprego ou profissão). É como se tal formação representasse um começo, meio e fim.
a A sociedade em geral e o meio educacional relevou ainda mais a importância do ensino fundamental e médio, com absoluta certeza essenciais para formação profissional.
Com isso, entrevistamos centenas de candidatos em todos os níveis de cargos que, apesar de uma “ótima formação”, com mais de uma especialização (os jovens sempre lêem em revistas especializadas, recomendações para fazerem várias especializações) e que não conseguem resultados razoáveis em testes simples.
Há um tempo atrás, em uma seleção que fazíamos para uma vaga na área de marketing, as três finalistas tinham pós-graduação na área e entre outras questões que abordamos no teste, solicitamos que descrevessem o significado da sigla CRM. Para um aluno de um curso mediano de administração isso deveria ser o básico e até causar um certo constrangimento ao ter que responder uma questão tão simples. E no entanto, nos a

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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