Programa de idéias garante economia de até R$ 300 mil

Em: 3 de abril de 2008
No fim do ano, as 12 melhores são ­apresentadas em uma feira, quando são avaliadas por um comitê formado por diversos setores. A vencedora leva a bagatela de R$ 1.500.
No fim do ano, as 12 melhores são ­apresentadas em uma feira, quando são avaliadas por um comitê formado por diversos setores. A vencedora leva a bagatela de R$ 1.500.

Sugestões que melhoram o ambiente de trabalho geram economia para as empresas e ainda rendem ganhos extras aos seus idealizadores. Em Manaus, grandes empresas chegam a receber uma média de até 30 novas idéias por dia -do processo produtivo ao administrativo-, uma mina para empregados e empregadores segundo os próprios coordenadores dos programas de melhoria.
Um ganho de pro­dutividade de 10% em um equipamento foi o saldo da idéia vencedora do ano passado na fabricante de celulares, a fin­landesa Nokia. O pessoal da área de testes contribuiu para melhorar o sistema de refrigeração, reduzindo o índice de defeitos e ampliando a capacidade produtiva.
“Tivemos uma melhora ao colocar mais ventiladores, ampliando a performance do equipamento e fabricando mais celulares por hora”, afirmou o gerente de estra­tégia da empresa, Franklin Magalhães.

Doenças ocupacionais

Outra idéia de destaque no ano passado foi na área de ergonomia, quando uma equipe apresentou um projeto que utilizava material reciclado -daquilo que seria descartado pelo processo produtivo. O resultado foi um apoio para as ­parafusadeiras, redu­zindo o impacto de doenças ocupacionais.

Funcionários com melhor inovação do ano recebem recompensa em dinheiro

Como forma de incentivar o desenvolvimento de idéias como essas, a Nokia oferece R$ 400 por mês para o melhor projeto de melhoria -que deve ser apresentado por uma equipe de até quatro pessoas. Paralelo à isso, há ainda a premiação para o colaborador que der o maior número de idéias, cuja premiação é de R$ 200.
No fim do ano, as 12 melhores (uma de cada mês) são apresentadas em uma feira, quando são avaliadas por um comitê formado por diversos setores, como engenharia e recursos humanos. A vencedora leva a bagatela de R$ 1.500.
Segundo o executivo, o programa existe há três anos e funcionava com o nome de Programa de Melhoria Contínua. Hoje, com a nova fase, são avaliadas oito características. Averiguar se ela pode ser implementada em toda a fábrica ou em apenas um setor, se tem retorno financeiro ou outro não tangível, faz parte da pontuação das idéias. Como prova do retorno positivo por parte dos funcionários, em 2007 a média de idéias implementadas chegou a 35 por mês de um total de cem apresentadas.
Para o gerente de projetos, Murilo Ferreira, o programa “permite quebrar o conceito de que trabalhador tem que ir para a empresa apenas com os braços”. Os resultados positivos das companhias dependem “da cabeça deles também”. Ao fomentar a participação do funcionário no processo criativo melhora o ambiente e a qualidade do trabalho, na opinião do gestor.

Mais de 20 mil sugestões são aplicadas

Outra grande indústria do PIM (Pólo Industrial de Manaus) a apostar nesse tipo de programa é a fabricante de componentes plásticos, Masa da Amazônia, eleita a melhor empresa para trabalhar no país nos últimos dois anos. O MultiAção está no sexto ano e já tem o saldo de 22 mil idéias implementadas.
De acordo com o coordenador, Franklin Ferreira, os retornos são grandes tanto em termos financeiros quanto motivacionais. “Uma das idéias de destaque foi um equipamento criado aqui mesmo pelos colaboradores, e que está em uso até hoje. Os criadores tiveram direito a um kit casa nova, ou seja, um conjunto completo de utensílios para o lar”, afirmou. O motivo para o entusiasmo – um retorno financeiro de R$ 300 mil ao longo do ano.
“Hoje olhamos para trás e nos perguntamos como não inventamos isso antes. Ao mesmo tempo em que o colaborador se sente mais motivado pelo reconhecimento, os resultados são expressivos”, disse. Com 1.050 colaboradores, a Masa tem uma média de 30 novas idéias por dia.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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