1987-1991

Em: 15 de junho de 2022

Carlos Silva

Estou realmente ficando velho, mesmo. E saudosista. Mas, o difícil é lembrar de bons tempos em se tratando de política. Mas, nada do que passou eu considero trágico. E nem cômico. Mas, porque 1987 me marcou? Eu já tinha filhos, lugar ao Sol, com muito trabalho sacerdotal, mas não religioso. Fazia dois anos que se concretizou um acordo planejado há uns cinco anos antes, para que a intervenção, fruto da Revolução Democrática, entregasse, pacificamente, o poder aos civis e se elegesse, pelo voto dos congressistas (estes eleitos por nós), para eleição de um novo Presidente. Além disso, muitos estrategistas estudavam as  campanhas no Vietnam, colhendo frutos das Lições Aprendidas naquela época. E as ações terroristas se espalhavam pelo mundo livre, com foco no Ocidente e no Continente Africano. E alguns estudiosos já previam a Queda do Muro de Berlim e o fim do contexto geopolítico da União Soviética. Bem, do nada, em um dia de Conferência da ONU, foi lançado, em um discurso de representante de país europeu, a preocupação de nós, humanos, protegermos o ambiente para deixarmos um  futuro para as próximas gerações. Confesso que ouvi e me aprofundei no tema. Gostei sim. Mas, como não sou imbecil, me ative a entender, estudar e concordar com algumas ideias consequentes dessa Conferência. As novas gerações já estão enjoadas de papo sobre a Camada de Ozônio etc. E tudo começou a se espalhar naquela época, apesar de ser assunto recorrente em muitas Instituições de Ensino Superior nos EUA, desde o Século XIX: Meio Ambiente. Mas, toda boa ideia é logo desvirtuada. E, como sempre, desde o Século XV, o mundo voltou os olhos para a Amazônia. E nunca foi para proteger nossa fauna e flora e, sim, para nos roubarem os minérios, fontes de água doce  e intensificar a biopirataria, protegida por algumas ONG e seus “convênios”. A falta de muitas estradas na região amazônica também é fruto de políticas de Meio Ambiente, mas isso não é o único empecilho. Não mesmo.  Enfim, chegou 1991 e o fim da União Soviética e das ideias de Comunismo a ser implantado no mundo livre e o fim do Pacto de Varsóvia. Acabou a Guerra Fria! Mas, hoje vemos que não foi bem assim. A OTAN cresceu mais ainda e chegou às portas da Rússia. Mas, não havia acabado a Guerra Fria? Não, não acabou. A Guerra da Ucrânia prova isso. Temos que lembrar que ideias não morrem. Pessoas morrem. De qualquer forma, tivemos uma enorme vantagem com o fim da União Soviética: o acesso à Internet, que havia sido concebida e criada ainda durante a II GM. E agora poder-se-ia vender acesso à Internet no mundo todo. Computadores nós já tínhamos, desde os anos 70. Muitos, da minha geração, vão lembrar dos leitores de cartão, COBOL, FORTRAN etc. Enfim, o mundo ficou mais chato hoje em dia. Se compararmos com a minha geração que temia uma hecatombe nuclear, e por isso nos divertíamos mais, quando podíamos, e fazíamos fogueiras na frente de casa nas festas de São João ou apenas para queimar o lixo. A pouco li uma reportagem que um cientista afirmou que a Inteligência Artificial tem consciência. E daí, geração do Século XXI? Problema de vocês! Os nossos terminaram em 1991. Vou abrir uma cerveja!

Carlos Alberto da Silva

Coronel do Exército, na Reserva, professor universitário, graduado em Administração e mestre em Ciências Militares
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