A “Esmola Ambiental” sendo forçada em Guajará no AM

Em: 24 de março de 2026

A pressão sobre a Comunidade Boa Fé, em Guajará, atinge novos patamares de absurdo. O que o programa Territórios da Floresta oferece é uma “Bolsa Verde” de miséria: R$ 600,00 trimestrais (ou seja, apenas R$ 200,00 por mês) em troca de um suposto “serviço ambiental”. Para receber essa migalha, o produtor é obrigado a assinar um Termo de Adesão e Compromisso Ambiental. Na prática, esse termo é uma “algema jurídica”. Ele entrega ao IBAMA e ao ICMBio um instrumento de punição muito mais agressivo. O medo se instalou na comunidade. Se o produtor de Guajará decidir expandir sua pastagem para pecuária extensiva — atividade que historicamente sustenta as famílias do interior — ele será sumariamente punido pelo programa.

O resumo da ópera é cruel: o ribeirinho e o agricultor devem preservar 80% de suas terras por uma esmola, ficando restritos a atividades de baixíssima rentabilidade. É a economia da miséria institucionalizada. Enquanto o produtor é sufocado por esse auxílio irrisório, o Amazonas amarga indicadores sociais alarmantes. Hoje, mais da metade da nossa população vive abaixo da linha da pobreza. É um contrassenso geográfico e humano: vivemos sobre a maior bacia hidrográfica do mundo e sobre terras férteis, mas o modelo atual de “proteção” imposto de fora para dentro nos mantém no topo das estatísticas de fome e falta de saneamento.

E quem financia esse modelo que nos condena ao atraso? Países como Noruega, Alemanha, França, Reino Unido e Estados Unidos. São nações ricas que, sob o pretexto de “manter o verde”, querem impedir nossa produção. Mas a pergunta que não cala é: onde estão os bilhões que já entraram via ONGs e fundos internacionais? Os indicadores mostram que a pobreza no interior só piorou, enquanto uma “indústria do ambientalismo” consome esses recursos em salários vultosos, consultorias e seminários em hotéis de luxo. Usam a imagem do nosso povo para captar recursos que ficam pelo meio do caminho, em encontro de lideranças, viagens, que não geram um prato de comida para quem está no campo. Como amazonense, conhecedor da realidade do nosso interior, jornalista e administrador formado pela UFAM, pergunto: O que dirão os pré-candidatos ao Governo do Amazonas, à ALEAM, à Câmara Federal e ao Senado? Vão aceitar passivamente que o governo atual e certas ONGs nos façam de “otários” com o dinheiro de potências estrangeiras? Seguirei fazendo minha parte, expondo a realidade do agro familiar e empresarial. Não aceitaremos que o destino do Amazonas seja ditado por quem nunca pisou no barro de uma comunidade como a Boa Fé.

24.03.2026

Thomaz Meirelles, jornalista, administrador, servidor público federal, especialista na gestão da informação ao agronegócio. E-mail: [email protected] ou [email protected]

Thomaz Meirelles

Servidor público federal aposentado, administrador, especialização na gestão da informação ao agronegócio. E-mail: [email protected]
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