A politica fiscal do governo federal deixada por haddad

Em: 27 de março de 2026
Instado pelo presidente a se descompatibilizar do governo para concorrer ao governo de São Paulo, Fernando Haddad foi considerado o mais “fiscalmente responsável” membro da equipe econômica do governo, por parecer estar abraçando de vez o terraplanismo econômico adotado por seu chefe e por praticamente todo o petismo, no Executivo e no Legislativo.

Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI) havia divulgado dados meses atrás, segundo o qual o Brasil teria feito o sexto maior ajuste fiscal do mundo e o terceiro maior entre os emergentes. Contudo, o Monitor Fiscal do próprio FMI alertou ao Brasil a respeito do descontrole da dívida pública: a Dívida Bruta do Governo Geral fechou 2024 em 87,3% do Produto Interno Bruto (PIB), entendendo que os critérios do FMI incluem os títulos em poder do Banco Central, deve subir mais quatro pontos porcentuais apenas em 2026, chegando a 91,4% do PIB e terminará a década perto dos 100% – uma dívida muito superior à média latino-americana e dos países emergentes. Este é o resultado do “terceiro ajuste fiscal mais ousado do mundo”, como disse Haddad omitindo esse alerta.

Como declaram muitos economistas no Brasil em relação ao Haddad que não é economista: ”A incapacidade de enxergar a correlação entre gastança pública, juros altos e inflação é algo inacreditável para quem ocupa o cargo de ministro da Fazenda”.

Para muitos economistas analistas da Politica Fiscal do governo, o Haddad está delirante, não é falar em crise fiscal, mas elogiar o arcabouço fiscal como “a legislação mais avançada que já tivemos” e dizer que “este 2025 e nos 2026, estou bastante seguro de que vamos cumprir a meta de déficit primário, com as medidas que estamos tomando”. O único tipo de medida que o governo vem tomando é tentar colocar cada vez mais despesas fora do cálculo oficial do resultado primário, o que fará do déficit primário “oficial” de 2025 uma peça de ficção, já que o resultado real será muito pior.

Marcos Lisboa, economista que trabalhou com presidente no 1º mandato se pronunciou assim: “o arcabouço nasceu morto”. “O déficit primário que o governo anuncia, eu confesso que eu nem olho mais. Porque é tão distante do déficit primário verdadeiro que perdeu o sentido”,

No início de novembro/2025, Haddad afirmou que o governo entregará “o melhor resultado fiscal do país em quatro anos, mesmo pagando tudo o que não se pagou de calote do governo anterior”. Segundo ele, diante das análises econômicas, há uma “impressão” de que o país enfrenta uma crise fiscal. “Isso é um delírio que eu preciso entender do ponto de vista psicológico, porque, do ponto de vista econômico, eu não consigo entender”.

Para os economistas em 2026, entre acelerar os gastos ou apostar na austeridade para melhorar as contas públicas e evitar uma crise fiscal, a resposta do governo parece óbvia — basta observar o discurso de Haddad, que insistiu não haver motivos para preocupação. No entanto, economista Rafael Bastos, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (FGV-IBRE), alerta que há sinais claros de risco fiscais dados à trajetória crescente da dívida pública. O economista observa que a dívida “não para de crescer”, o que é motivo de preocupação.

Outra estratégia do Ministério da Fazenda é excluir diversos gasto do cálculo fiscal, com o afrouxamento da meta fiscal. Excluir gastos da meta é estratégia para fechar as contas e mascarar indícios de crise fiscal.

Observa-se que desde o início do terceiro mandato as despesas da gestão petista fora do limite oficial somam R$ 337 bilhões — e a projeção é que alcancem R$ 400 bilhões em 2026.

Para o economista Marcos Lisboa, essa forma de “fechar a conta” faz o governo retornar à contabilidade criativa — a mesma que marcou o impeachment de Dilma Rousseff (PT) — e retirar algumas despesas do limite de gastos, mascarando o tamanho do problema. O economista afirma que o déficit primário — diferença entre despesas e receitas, excluídos os juros da dívida — divulgado pelo governo está distante do déficit real e destaca que as contas do Tesouro já não coincidem com as do Banco Central. “Você está usando truques para dizer que está com o arcabouço, quando, na verdade, está muito distante. Agora o arcabouço já nasceu morto”. Embora não sejam considerados para o cumprimento da meta, esses gastos entram na conta da dívida pública.

Como os economistas entendem e explicam que crescimento da dívida pública traz impactos para inflação e juros além de impulsionar a dívida, os gastos crescentes e os déficits consecutivos do governo geram outros efeitos, como a pressão sobre a inflação e os juros.

Ressalte-se que o economista Rafael Bastos, do FGV-IBRE, explica que, ao elevar as despesas, o governo injeta dinheiro na economia e, com isso, estimula a inflação.

E como provedor da Politica Econômica, cabe ao Banco Central (BaCen) conter a alta dos preços, e para isso o BaCen utiliza a taxa de juros. Quando a inflação é baixa, os juros caem e vice-versa. Atualmente em 4,68% no acumulado de 12 meses, a inflação ainda está distante da meta de 3% ao ano. Assim, o BaCen se vê obrigado a manter os juros em patamar elevado.

“O gasto excessivo do governo faz com que a inflação suba, e essa inflação alta provoca o aumento da taxa de juros, que, em consequência, também eleva o custo da dívida”, comentou Rafael Bastos. Um ciclo vicioso.

O Haddad deixou um déficit de 100 bilhões de reais quando recebeu uma economia com superávit de 54 bilhões de reais. Praticou uma Politica Fiscal de aumento de impostos e sob pressão taxou os ricos que nem sentem, pois jogam o aumento de impostos nos bens finais que no fundo vai prejudicar os pobres que pagam esses impostos quando adquirem os produtos. Atualmente as famílias endividadas chegam a 80 milhões de pessoas com nome no SERASA.

Foi o pior Ministro da Fazenda que nunca entendeu de Politica Fiscal, foi obrigado aumentar impostos pensando que faria a economia crescer frente aos gastos crescentes do governo.

(*) Economista (UFAM), Engenheiro (UFAM), Administrador (UFAM), Mestre em Economia (FGV), Doutor em Economia (UNINI-Mx), Pesquisador Sênior (CEA), Consultor Empresarial e Professor Universitário: [email protected]

Nelson Azevedo

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