A ligação entre a indústria farmacêutica e a tecnologia não é novidade. Pelo contrário. Na verdade, a indústria farmacêutica nasceu em virtude da própria tecnologia. Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a penicilina (primeiro antibiótico que se tem conhecimento, descrito na literatura na década de 1940) começou a ser usada como terapia médica em larga escala, justamente com o surgimento das grandes corporações farmacêuticas. Deste modo, o impulso necessário para o surgimento da indústria farmacêutica se deu justamente por meio de uma tecnologia como a penicilina, criada em virtude da segunda Revolução Industrial (que teve início entre 1850 e 1870 e se estendeu até o fim da Segunda Guerra Mundial). É evidente que a indústria farmacêutica de setenta anos atrás é muito diferente da que conhecemos hoje, que é chamada de indústria farmacêutica 4.0, tendo tecnologias inovadoras como a “Internet das Coisas” (IoT) e “Inteligência Artificial” (IA). Assim como em outras áreas, a indústria farmacêutica tem experimentado muitos e importantes avanços, tanto no âmbito da pesquisa, quanto no desenvolvimento e na inovação, com foco nas causas das doenças, por meio de tecnologias revolucionárias, como terapias genéticas e nanotecnologia. E este novo patamar oportuniza a personalização de medicamentos, tecidos e cosméticos. Em 2018, por exemplo, foram investidos mais de 20 bilhões em tecnologias biológicas, refletindo o interesse crescente no setor. Os processos de desenvolvimento são otimizados, envolvendo seleção diversificada de pacientes e monitoramento em tempo real por meio de wearables e IoT. A tradução literal de wearables na língua inglesa significa “vestível”. Assim, wearables são tecnologias vestíveis. Ou seja, todo e qualquer dispositivo tecnológico que possa ser usado como acessório ou que podemos vestir. Já o IoT é a sigla para Internet das Coisas, uma rede de objetos físicos que estão conectados à internet. A IoT permite que esses objetos troquem e coletem dados, facilitando a comunicação e a automação.
Considerada um marco da revolução 4.0, a tecnologia vem ganhando cada vez mais destaque, sendo vista como tendência para muitos fabricantes. As análises preditivas e IA (Inteligência Artificial) geram percepções valiosas para os pesquisadores, impulsionando a descoberta de novas terapias e aprimorando medicamentos. Esse progresso é impulsionado pelo investimento da indústria e novas startups, criando um ambiente favorável para inovação. A digitalização é uma realidade para a indústria farmacêutica, que compreende a importância da inovação tecnológica para o progresso dos negócios. As vantagens imediatas proporcionadas pelas tecnologias digitais mostram o potencial para um futuro ainda mais promissor, desde que investidas com conhecimento e eficiência.
Temos também a Medicina de Precisão, que representa um avanço na indústria farmacêutica ao unir genética, bioquímica e farmacologia para personalizar diagnósticos e tratamentos. A farmacogenética e a genômica humana mostraram que as variações genéticas influenciam as respostas aos medicamentos. A Medicina de Precisão utiliza informações genéticas, além de dados convencionais, para orientar diagnósticos e terapias específicas. Para o indivíduo, a Medicina de Precisão oferece melhorias no tratamento, minimizando efeitos colaterais e aumentando a eficácia. A longo prazo, permite caracterizar subpopulações e desenvolver drogas específicas. Porém, há preocupações sobre a exclusividade do acesso e os custos associados.
Nos Estados Unidos da América e na Europa há investimentos robustos nesta área, com diversos tratamentos e diagnósticos personalizados disponíveis. No Brasil, todavia, ainda é um campo em desenvolvimento, com a criação de redes de pesquisa e parcerias público-privadas. Apesar do potencial, sua implementação no SUS (Sistema Único de Saúde) enfrenta desafios. O fato também é que a pesquisa e o desenvolvimento (P&D) são fundamentais na indústria farmacêutica para descobrir e lançar novos medicamentos. O Ciclo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos envolve etapas pré-clínicas e clínicas, desde testes em células e animais até estudos em seres humanos para avaliar segurança e eficácia.
As tendências tecnológicas, como a Inteligência Artificial e a Genética, por exemplo, estão contribuindo para o futuro do setor, de maneira a integrar medicamentos com tecnologia digital. Empresas farmacêuticas estão liderando a transformação digital e adotando tecnologias emergentes para melhorar a produtividade e a cadeia de suprimentos. Em nosso País o investimento em pesquisa e o desenvolvimento está crescendo, impulsionado pela inovação aberta. Organizações menores também estão aderindo às práticas de P&D (pesquisa e o desenvolvimento) e buscando incentivos para pesquisa em Tecnologia da Informação e Comunicação. Ou seja, é imperativo a compreensão de quanto a tecnologia tem ajudado a inovar nos tratamentos medicamentosos na saúde; porém, ao mesmo tempo, é salutar o investimento governamental e privado nesta área que também tem grande importância no que tange ao tratamento e cura de diversas enfermidades. Nossa Nação tem grande potencial para estar na vanguarda, com profissionais qualificados e uma grande demanda a ser atendida na sociedade.







