As quatro lições dos Filmes Avatar 1 e 2

Em: 4 de janeiro de 2023

Avatar é campeão de bilheteria e sua continuação é um espetáculo de inovação e conteúdo. Este artigo aborda sobre desempenho e os principais ensinamentos destes filmes, a fim de refletirmos sobre o futuro da mãe terra e da humanidade.

Segundo a Box Office <https://bit.ly/3ChlgKL>, dos 5 filmes campeões de bilheteria mundial, 2 foram direcionados por James Cameron, o Avatar (US$ 2,9 bi) e o Titanic (US$ 2,2 bi). 

O tão esperado Avatar (caminho da água) foi estreado em Londres, no dia 06/12/22 e até hoje (04/01/23), já arrecadou globalmente cerca de US$ 1,4 bilhão, conquistando o 14º lugar, em uma época que, devido à pandemia, nem todos os negócios conseguiram se reerguer.  Então, há a possibilidade deste filme está entre os cinco campeões de bilheteria nos próximos meses.

Ao assistir os dois filmes, cada um pode fazer sua avaliação pessoal, mas aqui lanço quatro reflexões sobre o assunto:

1º) Qual a minha missão na Terra?

Há um provérbio antigo que diz “Nascemos sem trazer nada, morremos sem levar nada. E neste intervalo, brigamos por algo que não trouxemos nem levaremos”. E há outro pensamento sobre a maneira como levamos uma vida sem reflexão “Quando somos jovens gastamos nossa saúde para acumular riqueza e quando envelhecemos gastamos nossa riqueza para resgatar a saúde, então para que vivemos?”

No cerne desses dois pensamentos há a maneira como vivemos neste planeta, e muitas das vezes só paramos para pensar sobre isso quando estamos seriamente doentes, entre a vida e a morte, ou quando perdemos um ente querido. E pensar sobre essas questões no leito de morte pode ser tarde demais.

Cada um tem direito de escolher como viver, uns levando a vida muito a sério, trabalhando demais, e outros desperdiçando-a, seja por preguiça ou por esbanjamento dos bens acumulados pelos pais. Assim, a reflexão nos chama ao equilíbrio, a encarar a necessidade existencial de pensar em nossa vida como uma missão, e que esta missão deixe um legado positivo para o planeta, nossa família, comunidade e futuras gerações.

2º) Qual a minha relação com o Planeta?

O filme resgatou uma fase de minha infância. Quando era pequeno, costumava pegar um barco e ir para o interior passar uns dias na casa dos tios, subir nas árvores, comer frutas, nadar e brincar muito com os primos. Uma vez fui pescar sozinho diante do Majestoso Solimões e peguei um peixe liso que se debatia na terra, então resolvi brincar, o lançava com linha e tudo para o rio e puxava, fazendo isso várias vezes, nossa como parecia divertido. Então meu tio viu a malvadeza e me ensinou uma lição que mudou a maneira de enxergar o mundo. 

Com calma ele orientou que eu não deveria ficar brincando com a vida do peixe, pois ela é preciosa para manter o equilíbrio da natureza, se vai pescar, então pegue apenas o necessário, se não vai querer o peixe, não o mate assim, liberte-o, pois você poderá sofrer castigo da mãe natureza. De imediato soltei o pequeno peixe, e desde então aprendi a respeitar os seres vivos, tudo graças a um tio que sem estudo formal, compartilhou uma sabedoria valiosa, milenarmente passada de pai para filho.

E em ambos os filmes, é possível perceber a relação de respeito e harmonia entre os nativos de Pandora e demais seres vivos, incluindo o culto a Eywa. a mãe da natureza, de toda a vida em Pandora, representada por uma árvore, tanto na floresta, quanto no mar. Além disso, cada vida está conectada em um ecossistema da Eywa, merecendo ser respeitada. 

3) Como cultivo a paz em minha mente?

O filme fez lembrar outra lição aprendida no Japão, quando era voluntário da Tóquio UNESCO Meguro, em uma palestra proferida no dia 28/07/2001, pelo pesquisador, escritor e um dos chefes da Unesco, Sr. Eiji Hatori. 

Estávamos em retiro, numa floresta de Nagano, naquela manhã, ele falou sobre nossa relação com o divino, planeta e com os homens. Como estudioso das Civilizações antigas envolvidas com a Rota da Seda <https://bit.ly/3IkZ2ey>, ele afirmou que em várias civilizações havia sempre uma estória contada aos mais jovens, que ensinava a retirada apenas do necessário das florestas, e que quem a destruísse por egoísmo, sofreria punição divina, já que era a moradia dos deuses. Em seguida, o palestrante lembrou que essa sabedoria tradicional permitiu uma exploração sustentável ao longo de séculos e uma relação de respeito entre os indígenas, com os animais e demais elementos da natureza. Lembrou também que do ponto de vista científico, essa sabedoria faz sentido, pois quando há um desmatamento irracional, os mosquitos perdem suas “casas” no topo das árvores e invadem as casas dos homens, espalhando doenças, os rios secam, os animais desaparecem, a caça fica difícil, gerando guerras por recursos entre as pessoas. 

Ao final, concluiu lembrando uma frase da constituição da UNESCO “uma vez que as guerras se iniciam nas mentes dos homens, é nas mentes deles que devem ser construídas as defesas da paz”. E aqui vale lembrar a transformação mental que passou o ator do filme, Jake Sully, que de espião dos invasores, passou a ser defensor dos Navis e do Planeta Pandora, tentando na medida do possível evitar o uso da violência como primeiro passo para resolver os problemas.

4) Política, Ciência e/ou Tecnologia nas mãos de líderes maus se torna um grande desastre

Nos dois filmes, é possível ver a ganância excessiva que move uma parcela dos humanos, a procura de riquezas e até vingança pessoal, não medindo esforços para devastar sem piedade florestas inteiras, invadir as terras, eliminar nativos e animais, tudo por conta do lucro, das metas, sem se preocupar com os meios para chegar lá. Neste sentindo, o Coronel Miles Quaritch é o antagonista dos filmes, ele representa o militar autoritário que segue as ordens do Parker Selfridge, o Presidente da RDA, a fim de obter a qualquer custo o Unobtanium de Pandora.

Aqui o assunto liderança aparece e resgato o General Sun Tzu, seu “livro” a Arte da Guerra aponta as cinco qualidades de um mau líder que podem arruinar um exército e até uma nação: Imprudência, Cautela Excessiva, Cabeça Quente, Vaidade e Compaixão Excessiva. Por outro lado, as qualidades de um bom líder são: Calma, a Imprevisibilidade, a Autodisciplina, o Sigilo do Plano ou da Estratégia, a Liderança pelo Exemplo e a Responsabilidade.

Em relação aos líderes maus, pode-se citar Hitler com sua Alemanha acima de Tudo, Mussolini com Deus, Pátria e Família, e aqui no Brasil, Jair Bolsonaro, explorando sem originalidade os mesmos lemas. Eles arruinaram a Alemanha, a Itália na 2ª guerra, e o Brasil em tempos de democracia, bastando lembrar os recordes de desmatamentos e queimadas na Amazônia e Pantanal, bem como inúmeros retrocessos que tivemos no país, incluindo a morte de mais de um milhão de brasileiros (se incluir as subnotificações) durante a pandemia.

Finalmente, os dois filmes nos ensinam que é preciso repensar a nossa vida e a maneira como nos relacionamos com o planeta e demais seres, somente quando formos capazes de nos enxergar neles (eu vejo você) é que daremos um passo importante rumo ao tão sonhado desenvolvimento sustentável.

Jonas Gomes

Prof. Dr. Jonas Gomes da Silva - Professor Associado do Dep. de Engenharia de Produção com Pós Doutorado iniciado no ano de 2020 em Inovação pela Escola de Negócios da Universidade de Manchester. E-mail: [email protected].
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