As voltas da sombra com a holografia

Em: 9 de outubro de 2025

A páginas tantas vem a ser a doutrina segundo a qual o indivíduo e os fenômenos da realidade devem ser estudados  como um todo e não como a soma dos seus diversos constituintes, nisso se enquadrando a holografia ou processo de fotografia que, por meio de raios laser, obtém imagem colorida em três dimensões, de onde provem o holograma, fotografia tradicional obtida por holografia, sempre com a sombra nas proximidades.

Sabe-se, mais à mão, um novo holograma implica um novo self. Nenhum dos dois pode ser obtido isoladamente. Na verdade, é mais fácil criar plenitude  do que mudar sua realidade parte por parte.

Para ter a mudança holística, convém se envolver com o nível de criação holística. Há um exercício fascinante que dá uma rota de como isso pode funcionar. Assim: feche os olhos e imagine uma experiêncial visual vivida, tal como o pôr do sol tropical no alto de uma montanha. Ou, mais à mão, a  imagem, em si, pode ser qualquer coisa, contanto que se possa visualizá-la profundamente, em cores. Agora, sem surpreza do inesperado, imagine um sabor que você adora, como o de chocolate ou café. Entre profundamente nessa sensação, até de fato, saboreá-la. Em seguida, passe para um som que lhe agrada muito, por exemplo, sua música preferida, depois, uma textura deliciosa, como o veludo e, finalmente, um cheiro, como o da rosa damascena ou lírio, levando-o à ilação.

Após imaginar essas experiências vividas com os cinco sentidos, abra os olhos. Você se surpreenderá ultrapassada as convenções com o que verá. O mundo comum estará reluzente e vivo. As cores estarão mais brilhantes. Haverá uma vibração no ar. Essa mudança impressionante é relatada por todos, e isso demonstra que até mesmo uma ligeira ênfase em seu mundo interior faz com que o mundo externo automaticamente a acompanhe. O que temos aqui é uma norma para um dos mais profundos segredos espirituais: o poder de alterar a realidade. Tal poder não está disponível na superfície da vida pelo qual as pessoas se sentem arremessadas de um lado para o outro pelas circunstâncias externas. Convém precisar encontrar o nível da alma, onde o impulso holográfico pode criar qualquer coisa.

Por essa mesma razão, Jung chamava isso de inconsciente coletivo, em vez de consciente coletivo. Os seres humanos criaram coletivamente, um mundo sem saber que isso estava acontecendo. Aqui estão os principais ingredientes que usamos. Perceba como eles vão descendo em espiral, cada vez mais fundo, desde o primeiro, que parece um tanto inofensivo, até o último, que é altamente destrutivo.

Segredo. Aprendemos a não revelar nossos impulsos e desejos básicos.

Culpa e vergonha. Uma vez que impulsos e desejos básicos estavam ocultos, davam uma sensação ruim.

Julgamento.Qualquer coisa que desse uma sensação ruim tornava-se errada.

Culpar ou outros. Queríamos saber quem era responsável pela dor que sentiamos.

Projeção. Um bode expiatório conveniente era elaborado, podendo ser um inimigo odiado ou uma força demoníaca invisível.

Separação. Fizemos tudo que podíamos para arrancar essa força denoníaca para fora de nós.  Os inimigos eram “os outros”, contra quem era preciso se resguardar e com quem tínhamos de lutar.

Conflito. A projeção não conseguia afastar a dor permanente, portanto, resultava num estado constante interior versus exterior.

Ultrapassando as convenções, digamos que como é possível de ser visto, a sombra ainda está sendo fomentada, porque somos mestres em manipular esses ingredientes. Na verdade, somos viciados neles, embora o resultado seja a guerra, a violência, o crime e o conflito interminável, em mencionar o sufocante efeito de acreditar no mal cósmico como uma presença no mundo. A solução é desfazer a sombra, ela não é um Frankenstein, um horror que cresceu e se tornou mais poderoso que seu criador. A sombra é uma região da psique. Nada que exista ali está além do nosso poder de dissolução. Em vez de permitir que a sombra nos vitime, precisamos assumir o controle e  recuperar nossas verdadeiras funções como criadores.

Digamos que pode ser surpresa do inesperado, mas vamos resumir o exposto até agora em três fases. A dualidade está onde se está. A sombra cercou  com uma névoa de ilusão. Seu self dividido é a primeira e a mais danosa ilusão. Agora, vamos no engajar no  problema pessoalmente, vendo se o diagnóstico de fato se encaixa.

A sombra pode ser difícil de ser vista, olhando ao redor, a qualquer hora. Para a maioria de nós, a vida diária não  é patológica. Embora os especialistas nos digam que a violência doméstica e sexual é muito mais frequente do que queremos admitir, e apesar dos distúrbios depressivos e de ansiedade continuarem a aumentar em proporções alarmantes, as poessoas comuns acham fácil negar o lado mais sombrio da natureza humana. Portanto, é importante saber que a sombra não é um bicho-papão. Qualquer coisa que o mantenha inconsciente é resultado da sombra, porque ela é o esconderijo da dor e do estresse. Explosões de violência em massa ocorrem quando o estresse social não pode mais ser contido. O preço de se manter inconsciente  é emuito alto.

Vamos tornar isso mais pessoal. As forças que têm sido empregadas ao longo do tempo na criação da sombra coletiva estão usadas por todos em geral hoje. O inconsciente pode parecer um mar amorfo , um caos sombrio de impulsos, ímpetos, segredos e tabus, todos misturados. Mas podemos separar os vários núcleos e lhes dar sentido, mais adiante.

É advogado (OAB/436) Cursou Direito, Jornalismo, Contabilidade, Taquigrafia, Articulista, Oratória, Funcionário do Brasil no Rio de Janeiro, Contato: [email protected]. br.

Bosco Jackmonth

* É advogado de empresas (OAB/AM 436). Contato: [email protected]
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