Balanço de 2024 e perspectivas para 2025: a Amazônia continuará quente

Em: 21 de janeiro de 2025

No ano de 2024, houve a confirmação do que a ciência tem nos falado a mais de 20 anos: as mudanças do clima são uma realidade.
Cheias no Sul do Brasil, tufões na América Central, incêndios na América do Norte, ondas de calor na Europa, chuva no Saara, e seca extrema na Amazônia. Onde era seco, choveu; onde era úmido, secou; onde era frio, esquentou; onde era quente, esfriou.
Na Amazônia, o ar ficou pesado mais uma vez. A intensificação dos incêndios florestais deixou o ar amazônico mais insalubre do que nas grandes capitais, como Nova Delhi (Índia), São Paulo ou Xangai (China). Nossas crianças e pessoas idosas são as que mais sofrem pelo mal-estar generalizado e a intensificação das doenças respiratórias e cardíacas. Este cenário, que infelizmente tende a se repetir, vai pressionar ainda mais os sistemas público e privado de saúde – diminuindo a qualidade de vida, produtividade e felicidade.
As pautas climáticas foram temas quentes durante as eleições. Diversas pessoas candidatas levantaram bandeiras ideológicas, científicas, religiosas ou achismos contra e a favor do que estamos experimentando: a temporada sem fim de eventos climáticos extremos!
Também em 2024, a Amazônia foi pauta global durante as reuniões do G-20. Presidido pelo Brasil, o grupo das 19 economias mais fortes do mundo, mais a União Europeia e a União Africana, discutiu e decidiu uma declaração de como tornar o mundo mais democrático, justo, sustentável e em paz. E a Amazônia contribuiu levando nossas soluções da produção de alimentos, riqueza de povos, recuperação de ecossistemas e uma economia de base florestal.
Em 2025, muito se espera da Amazônia! As discussões sobre a reforma tributária, a 30ª Conferência do Clima (COP-30), mais estiagem, e o ano pré-eleitoral presidencial. É notória a importância do conceito e da aplicação da Zona Franca de Manaus como vetor de desenvolvimento e proteção da floresta. Por isso que o Governo Brasileiro entende da manutenção deste mecanismo como estratégia de interesse nacional.
Nossa região também irá receber o maior evento ambiental do mundo no próximo mês de novembro: a COP-30. Depois de 33 anos da Eco-92, o Brasil presidirá as discussões sobre a avaliação dos dez anos do Acordo de Paris, o destravamento do financiamento efetivo e o aumento das ambições dos países em seus planos de mitigação e adaptação climáticas.
Ainda em 2025, veremos paisagens áridas, mais incêndios e rios ainda secos. Infelizmente, não teremos nos “curado” da seca de 2024 e vamos “emendar” com a seca de 2025. E isto é gravíssimo! As sequentes estiagens deixam os ecossistemas mais frágeis e vulneráveis. Os rios demoram a encher, os peixes têm dificuldades de se alimentar e reproduzir, os animais morrem de fome e sede; e isto tem impactos significativos em nossa saúde, economia e bem-estar. E ainda teremos, neste ano, a preparação para o ano eleitoral de 2026. Movimentações, ajustes nas narrativas, acirramentos ideológicos e alguma pressa na implementação de ações concretas marcarão nosso cotidiano.
Por isso que a gente vai continuar tendo uma Amazônia cada vez mais quente: aumento da estiagem, efervescência em discussões, diminuição das chuvas, aumento nas crises e demandas populares, rios mais secos, mais oportunidades para negócios e ações concretas. A temperatura na Amazônia promete subir em todos os sentidos neste ano!

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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