Careiro Castanho fez história. Disse “não” com firmeza e coragem!

Em: 13 de maio de 2025

O povo do Careiro Castanho deu uma lição de coragem e lucidez ao Amazonas. Disse NÃO à proposta de criação de mais uma Área de Proteção Ambiental (APA) em um Estado que já se encontra engessado por excesso de restrições e pouca escuta aos que realmente vivem da terra. É exatamente assim que devemos agir nos 62 municípios, com união e firmeza, para barrar projetos que só favorecem uma minoria — quase sempre os mesmos. Durante a Audiência Pública, foi vergonhoso e revoltante ouvir certos discursos. Gente tentando, mais uma vez, enganar o povo, prometendo um “futuro verde e justo” que nunca chega para quem preservou 97% da floresta e mantém 80% de reserva legal. Essas promessas sempre acabam no bolso de poucos — geralmente de quem mora longe da realidade do produtor rural e do povo amazônida. O que vimos no dia 09/05/2025 no Careiro foi uma renovação de esperança. Uma comunidade que se levantou com coragem, mostrou a cara e disse NÃO. Esse gesto precisa ecoar nos demais 61 municípios do Amazonas: não dá para aceitar projetos empurrados de cima para baixo, sem diálogo e sem respaldo técnico mínimo. E é preciso repetir com firmeza: antes de qualquer nova unidade de conservação, o Amazonas precisa do seu Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE). Sem ele, qualquer proposta de APA ou outra forma de restrição territorial é irresponsável e descolada da realidade. Fica uma pergunta no ar: quem está por trás dos que defenderam a APA nessa audiência? Por que não se expõem, não vivem no interior, mas querem decidir o destino de quem vive e produz aqui há gerações? É hora de exigir clareza, transparência e responsabilidade. O povo está acordando. E é urgente que o MPF-AM atue com firmeza para investigar e frear essa farsa do crédito de carbono, que vem sendo vendida como salvação, mas só tem servido para concentrar terras, recursos e poder nas mãos de poucos. Careiro Castanho fez história. A seguir, opinião do Felipe Lavareda, que presenciou o debate no Careiro: “…Sou produtor rural em Presidente Figueiredo e morador da APA Maruaga. O que presenciei hoje foi uma tentativa — ainda não sei se mal assessorada ou leviana — por parte da equipe da Prefeitura do Careiro de apresentar uma narrativa incompleta aos produtores do município, com confusão entre termos técnicos, ausência de informações e falta de uma explanação clara da problemática. Tudo isso contribuiu para que os principais interessados não compreendessem plenamente a matéria à qual estão sendo submetidos, permanecendo com dúvidas. A primeira informação equivocada apresentada foi a de que, com a criação da APA, a problemática da regularização fundiária seria resolvida. Isso é muito difícil de acontecer, uma vez que as áreas contempladas por essa proposta são glebas federais e estaduais. A segunda grande informação equivocada foi a afirmação de que a criação da APA não traria prejuízos financeiros aos agricultores. Embora a APA seja a unidade de conservação menos restritiva, na prática, ao tentar acessar crédito rural, o produtor será obrigado a apresentar o licenciamento ambiental, já que sua propriedade estará sobreposta a uma unidade de conservação. O licenciamento ambiental é essencial para o produtor rural, pois traz segurança jurídica ao homem do campo e possibilita o acesso a políticas públicas. Contudo, sem a regularização fundiária, a regularização ambiental, em muitos casos, torna-se inviável. Como morador da APA Maruaga, senti tristeza ao lembrar que, anos atrás, nossos munícipes de Figueiredo aceitaram a criação da unidade — talvez por falta de orientação sobre os problemas que isso traria. Por outro lado, senti orgulho ao ver os produtores do Careiro unidos e decididos, ecoando uma só frase: Não à APA. Essa ameaça ainda não terminou. Vamos manter os produtores bem informados e aguardar a cópia dos estudos preliminares, que, de acordo com o compromisso firmado em ata pela equipe da Prefeitura, será disponibilizada à FAEA em até cinco dias…”.
13.05.2025
Thomaz Meirelles, administrador, servidor público federal, especialista na gestão da informação ao agronegócio. E-mail: [email protected] ou [email protected]

Thomaz Meirelles

Servidor público federal aposentado, administrador, especialização na gestão da informação ao agronegócio. E-mail: [email protected]
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