Cenário atual da economia brasileira

Em: 6 de outubro de 2025

O mundo corre às avessas, vejam o que ocorreu na última Assembleia da ONU (Organização das Nações Unidas) desrespeito frontal a algumas representações de Nações participantes, com a retirada da plenária de seus representantes. Por outro lado, a guerra entre Ucrânia versus Rússia já faz anos, mas ainda não existem efetivos movimentos entre Nações livres que combata essa chaga bélica na Europa.

Atualmente se chega às avessas de Estados legalmente constituídos (USA e Israel) tentarem negociar com facções terroristas (HAMAS e Hezbollah) resultante da guerra de Israel em Gaza.

E o Brasil e sua diplomacia optaram por tomar partido na geopolítica mundial, favorável a China, ao Irão, Venezuela, Nicarágua, ao Hamas e Hezbollah, contra Israel e outros países de democracia do Ocidente, compara a guerra de Israel contra o Hamas ao holocausto e diz que é um genocídio, limpeza étnica. E, recentemente foi sancionado pelos USA (Estados Unidos da América) com 50% sobre exportações para aquele país, chamado de tarifaço, o que já está provocando um tremendo transtorno em diversos segmentos da economia brasileira.  A falta de negociações diplomáticas do Brasil com os Estado Unidos tem prejudicado efetivamente as exportações brasileira de pescado e frutos do mar, de frutas, de madeiras e móveis, e demais produtos exportáveis.

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) tem demonstrado que a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) mostra crescimento da população ocupada e ganhos reais de salários sendo que a massa de rendimentos das famílias cresceu 6,7% no acumulado de 12 meses até junho, sustentando o consumo de serviços.

No entanto, os dados do CAGED indicam desaceleração na criação líquida de vagas formais, sugerindo possível inflexão no dinamismo do mercado laboral.  O desemprego se mantém em 5,6% no trimestre até agosto, diz IBGE, a taxa segue no menor patamar da série histórica, que iniciou em 2012, segundo a PNAD contínua, divulgada pelo IBGE nesta terça-feira (30/9).

No trimestre, a população desocupada no país ficou em 6,1 milhões, menor contingente da série, que caiu 9% em relação ao trimestre até maio. Em comparação ao mesmo período de 2024, a queda foi de 14,6% Na outra ponta, a população inserida no mercado de trabalho foi a 102,4 milhões, alta de 0,5% em relação ao trimestre até maio e de 1,8% frente ao mesmo trimestre de 2024, do total de pessoas ocupadas, o número de empregados com carteira assinada no setor privado foi de 39,1 milhões.

A alta na ocupação foi puxada pelo recorde na quantidade de empregados no setor privado, de  52,6 milhões de pessoas.

Contudo, mesmo com os dados divulgados pelo IBGE sobre os empregos criados no período, demostram inconsistências, haja vista, que em setembro de 2025, os dados mais recentes do BC (Banco Central) e da CNC (Confederação Nacional do Comércio) indicam que o endividamento das famílias brasileiras atingiu recorde, com cerca de 48,6% da renda comprometida, segundo o BC, enquanto a CNC aponta que 78,8% das famílias endividadas em agosto, e com 30,4% em inadimplência, essa constatação é impulsionada por salários baixos, inflação, juros altos e dificuldade de acesso a crédito formal, levando ao uso de alternativas mais caras como os carnês de financiamento.

Esse alto endividamento alcançou o maior nível desde 2010, com 78,8% das famílias brasileiras endividadas em agosto de 2025, de acordo com a CNC. Tendo que o perfil desse endividamento familiar equivale a aproximadamente 48,6% da renda anual, conforme dados do Banco Central, e a proporção de famílias comprometendo mais da metade do orçamento com dívidas atingiu um mínimo desde 2023.

Outro fator a ser considerado, mesmo com toda propagando do governo, é a inflação corrói o poder de compra das famílias, dificultando o pagamento das contas e aumentando a necessidade de crédito, no entanto, existem maiores dificuldades de acesso a fontes formais de crédito, levando as famílias a optarem por modalidades alternativas e mais caras, como carnês de compras a prazo e ao cartão de crédito.

O crescimento da inadimplência, ou contas em atraso, atingiu 30,4% em agosto de 2025, o maior índice da série histórica, de acordo com a CNC, a proporção de famílias sem condições de pagar as dívidas atrasadas também subiu, chegando a 12,8% em agosto. Ressalte se que o cartão de crédito ainda é a modalidade mais utilizada, mas os carnês vêm crescendo desmesuradamente, refletindo que a busca de alternativas para financiar o consumo e pagar contas, sempre recai na modalidade mais cara de financiamento.

Quanto as variáveis macroeconômicas, a economia brasileira, no terceiro trimestre de 2025, apresenta um quadro de desaceleração moderada, refletindo os efeitos cumulativos de uma política monetária restritiva, da deterioração do cenário externo e de limitações estruturais internas, embora o PIB (Produto Interno Bruto) tenha registrado crescimento de 0,4% no segundo trimestre, o ritmo de expansão anual desacelerou para 2,2%, sinalizando perda de tração frente aos trimestres anteriores.

O PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro cresceu 0,4% no segundo trimestre de 2025, acumulando 2,2% de expansão em relação ao mesmo período de 2024, apesar da sequência de resultados positivos, o ritmo de crescimento desacelerou, refletindo os efeitos da Política Monetária mais restritiva e da conjuntura global menos favorável.

Também a taxa Selic nas últimas reuniões do COPOM (Comité de Politica Monetária) foi elevada de 10,5% para 15,0% ao ano, como resposta à inflação persistente, especialmente nos serviços, sendo que a inflação segue acima da meta, com o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) projetado em 4,78% para 2025, mostrando leve desaceleração em relação aos meses anteriores sendo que os preços de bens industriais estão em trajetória de desinflação, impulsionados pela valorização cambial e menor demanda por bens duráveis.

O déficit em transações correntes aumentou, puxado pelo crescimento das importações, as exportações cresceram para América do Sul (+20,6%), América do Norte (+4,4%) e Europa (+6,8%), mas caíram para a Ásia (-5,7%), especialmente para a China.

A economia brasileira em setembro de 2025 está em fase de transição: crescimento moderado, inflação ainda pressionada, política monetária restritiva e desafios no setor externo. O mercado de trabalho e programas de transferência de renda têm sido os principais amortecedores do impacto sobre as famílias.

 

 

(*) Economista (UFAM), Engenheiro (UFAM), Administrador (UFAM), Mestre em Economia (FGV), Doutor em Economia (UNINI-Mx), Pesquisador Sênior (CEA), Consultor Empresarial e Professor Universitário: [email protected]

Nelson Azevedo

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