Davos – o fórum dos ricos e suas contradições

Em: 12 de fevereiro de 2026

O Fórum Econômico Mundial de Davos 2026 se realizou entre 19 e 23 de janeiro, reunindo mais de 100 governos, CEOs, acadêmicos e líderes da sociedade civil para discutir os rumos da economia global em meio a tensões geopolíticas, avanço da inteligência artificial e desafios à cooperação internacional entre diversas contradições. O evento é conhecido por reunir a elite global, os ricos mundiais, os quem mandam na Economia mundial — chefes de Estados ricos e desenvolvidos, CEOs, bilionários, representantes da ONU, FMI, Banco Mundial, acadêmicos e ONGs — para discutir os principais desafios econômicos, sociais e ambientais do planeta. Como disse o primeiro-ministro canadense Mark Carney em Davos esta semana: “Enfrentamos o mundo ativamente como ele é, em vez de ficarmos esperando o mundo que desejamos ser.”.

O que muitos analistas brasileiros destacam é a quase nenhuma importância à sociedade brasileira deu para o que aconteceu em DAVOS em janeiro de 2026. A participação do Brasil foi pífia em representatividade, nem politica nem econômica. A ausência de representatividade maior do país deixou o Brasil em plano inferior no Fórum 2026.

Davos, como sempre, foi um Fórum em que os ricos apostaram que tudo se discute, mas não se muda nada no mundo no qual eles dominam e demonstram sua hegemonia global, como exemplo se tem às discussões sobre o fim da utilização dos combustíveis fósseis, mas eles chegam em seus jatinhos que consomem milhares de litros de combustíveis e poluem muito (descarbonização da atmosfera, nada). Como se posicionou Mark Carney, Primeiro Ministro do Canadá, “Foi uma semana em que a Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial facilitou a realização da história, não fornecendo as respostas, mas criando as condições para que atores profundamente polarizados pudessem começar a vivenciar as questões mais importantes da nossa era”.

Essas questões se tornaram mais incisivas e os caminhos, se ainda não claros, ao menos visíveis. Assim Davos esclareceu as quatro maneiras ou formas que estão em jogo atualmente: 1. Novas Ofertas; 2. Um acerto de contas para a humanidade; 3. O diálogo realmente influencia a decisão; 4. Vivenciando as perguntas.

E, Donald Trump, Presidente dos USA, não fez por menos “Quero e desejo uma Europa Forte, acreditamos profundamente nos laços que compartilhamos com a Europa como civilização. Quero vê-la prosperar. É por isso que questões como energia, comércio, imigração e crescimento econômico devem ser preocupações centrais para qualquer pessoa que queira ver um Ocidente forte e unido”. “Sobre a Groenlândia, disse: “Provavelmente não conseguiremos nada a menos que eu decida usar força excessiva, o que nos tornaria, francamente, imparáveis”… Mas eu não farei isso”.

Como se pronunciou Gita Gopinath, professora de Economia de Harvard e ex-primeira vice-diretora-gerente do FMI, “Podemos estar apenas no início de um colapso da ordem global que ocorre “uma vez a cada século”, “Acho que o que veio para ficar foi o completo rompimento da confiança entre os EUA e a Europa.”. “A Europa busca autonomia estratégica”. Eles estão descobrindo como depender… de sua própria economia interna, de sua própria segurança interna. Portanto, não há como voltar atrás nisso, independentemente do que acontecer neste Fórum.”.

E para Úrsula von der Lyen, Presidente da Comissão Europeia, “a nostalgia faz parte da nossa história humana, mas não trará de volta a antiga ordem, e ganhar tempo na esperança de que as coisas voltem ao normal em breve não resolverá as dependências estruturais que temos”. “Se essa mudança for permanente, então a Europa também deve mudar permanentemente. É hora de aproveitar esta oportunidade e construir uma nova Europa independente.”

Antes do início da Reunião Anual, o Fórum publicou o Relatório de Riscos Globais 2026. Os eventos climáticos extremos caíram da segunda para a quarta posição no ranking deste ano – não porque sejam riscos menos urgente, mas porque a fragmentação geoeconômica e a polarização social se tornaram mais prementes.

Para Kristalina Georgieva, diretora-gerente do FMI, “Vivemos em um mundo de choques exógenos mais frequentes, e eles continuarão a ocorrer”. Também para Christine Lagarde alertando que “estamos caminhando para um problema sério se não prestarmos atenção à distribuição de riqueza e à desigualdade que está se tornando cada vez maior e mais profunda”. Ela instou que os líderes passem a pensarem com muita atenção nas pessoas e a distinguirem o sinal do ruído em termos do que os números mostram.

O copresidente interino do Fórum, André Hoffmann, vice-presidente da Roche Holding, destacou “a dura realidade que enfrentamos em relação ao meio ambiente”: “Sem natureza, não há humanidade, não há negócios, não há dividendos, não há acionistas”.

Como disse Andrew Forrest, Presidente Executivo e Fundador da Fortescue, “corremos o risco de nos tornarmos aqueles líderes empresariais e políticos que conheciam os limites do planeta e, mesmo assim, optaram por ultrapassá-los”.

Os Principais Riscos Globais 2026: 1. Curto Prazo – Geoeconomic confrontation; Misinformation and disinformation; Societal polarization; Extreme weather events; State-based armed conflict; Cyber insecurity; Inequality; Erosion of human rights and/or of civic freedoms; Pollution; Involuntary migration  or displacenment. 2. Longo Prazo – Extreme weather events; Biodiversity loss and ecosystem colapse; Critical change to Earth systems; Misinformation and disinformation; Adverse outcomes of AI Technologies; Natural resource shortages; Inequality; Cyber insecurity; Societal polarization; Pollution.

Como disse Johan Rockström, diretor do Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático, “Agora temos provas irrefutáveis ​​da necessidade de fazer a transição da economia global para a prosperidade, dentro dos limites planetários”.

Para muitos analistas globais presentes no Fórum, a dívida pública e a necessidade de ajuda humanitária são preocupações iminentes. Como Rebeca Grynspan, Secretária-Geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, lembrou ao público “que alguns países em desenvolvimento estão gastando mais com o pagamento de dívidas do que com saúde e educação, e os incentivou a reestruturar suas dívidas, afirmando que uma crise da dívida pública é um dos choques que ela mais teme, com os países em desenvolvimento presos entre a cruz e a espada em relação às escolhas fiscais. Eles não querem deixar de pagar a dívida, mas estão deixando de investir no desenvolvimento.”

Pronunciando o CEO da Nvidia, Jensen Huang, explica como a IA está se tornando a próxima grande infraestrutura. E aqui está um dilema de crescimento muito importante: 40% dos empregos em todo o mundo serão impactados pela IA nos próximos dois anos, seja por serem transformados ou eliminados. E, nas economias avançadas, esse número chega a 60%, o próprio FMI não está imune a essa tendência, afirmou – o número de tradutores caiu de 200 para apenas 50.

É o ser humano que lidera, e não o ser humano que está no controle. É um momento de incerteza, mas também de possibilidades. (continua)

(*) Economista (UFAM), Engenheiro (UFAM), Administrador (UFAM), Mestre em Economia (FGV), Doutor em Economia (UNINI-Mx), Pesquisador Sênior (CEA), Consultor Empresarial e Professor Universitário: [email protected]

Nelson Azevedo

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