Aproximam-se as eleições majoritárias no Brasil e a população está apática quanto à importância desse processo cívico institucional ao país, e por sido instado por leitores, somente escrevo sobre esse tema breves palavras por acreditar que as eleições deste ano serão decisivas para a redemocratização do país, haja vista, a terrível polarização ideológica atualmente praticada no Brasil tão prejudicial ao desenvolvimento econômico do país.
A polarização ideológica na política brasileira não constitui apenas um fenômeno de superfície, desses que se deixam captar pelo ruído das redes sociais, pela vulgarização dos slogans ou pela grosseria crescente do debate público, mas, seu efeito mais grave é menos visível e, precisamente por isso, mais destrutivo: ela opera uma corrosão progressiva da sensibilidade cívica, da confiança institucional e da própria disposição moral dos indivíduos para a vida comum.
Indico que, não apenas pelo confronto entre projetos políticos e econômicos (caso os partidos e candidatos os tenham), mas pelo grande risco de avanço das forças autoritárias que aqui se instalaram (analisem o papel que desempenha o STF [Superior Tribunal Federal]) atualmente. A sociedade brasileira está sem Esperança, sem segurança da crítica, com medo, acovardada, mesmo assim irá ao escrutínio de outubro de 2026, que por si, não explica o comportamento eleitoral.
O país vive um descompasso entre dados objetivos (dados oficiais) e experiência cotidiana (e a realidade vivida pela sociedade): o emprego cresce, mas a pobreza cresce também, contudo o custo de vida aumenta, a desigualdade aumenta e o endividamento familiar aumentado limita a percepção de bem-estar, a violência cresce, a falta de segurança cresce também e apresenta recuos e a insegurança permanece elevada.
É nesse cenário, que o voto passa a ser cada vez mais moldado por percepções, valores e narrativas que circulam no ambiente fragmentado dos meios de comunicação, principalmente nas redes digitais e televisivas militantes.
O Brasil é um país desigual, social e economicamente e, ainda politicamente, totalmente descompensado e polarizado ideologicamente, o que compromete o desenvolvimento econômico do país. Essa tendência vem crescendo e atualmente sem que a sociedade brasileira tome conhecimento da gravidade da situação. Observem o que o país vem confirmando nessas últimas décadas, infelizmente, uma tendência de enorme desigualdade na distribuição de renda e elevados níveis de pobreza. Se você não acredita, observe a crescente favelização nas capitais e cidades.
Um país desigual, exposto ao desafio histórico de enfrentar uma herança de injustiça social e econômica que exclui parte significativa de sua população do acesso a condições mínimas de dignidade e cidadania. Assim, discutem os economistas pesquisadores do CEA (Clube de Economia da Amazônia), uma contribuição ao entendimento dessa realidade, a situação atual e a evolução da magnitude e da natureza da pobreza e da desigualdade no Brasil, estabelecendo inter-relações causais entre essas dimensões.
Também, o pessoal do CEA ressalta que a desigualdade apresenta alguns desafios históricos no Brasil, assim: 1) Concentração de renda: A parcela mais rica da população apresentou um aumento de renda médio superior ao verificado entre a população de baixa renda; 2) Barreiras estruturais: Especialistas apontam que a manutenção da desigualdade tem relação direta com deficiências na qualificação profissional e na educação de base, o que limita o acesso a postos de trabalho que pagam melhores salários; 3) Índice de Gini {gráfico que mede a distribuição de renda e sua desigualdade}: Apesar de registrar um dos melhores patamares da série histórica, o índice que mede a desigualdade de renda apresentou leves altas recentes, o que indica que a diferença entre as classes sociais ainda é uma barreira a ser vencida.
- No entanto, a pobreza é estruturalmente desigual atinge desproporcionalmente a população preta e parda, crianças e adolescentes. Portanto, a pobreza, não pode ser definida de forma única e universal, mas se pode afirmar que a pobreza se refere a situações de carência em que os indivíduos não conseguem manter um padrão mínimo de vida condizente com as referências socialmente estabelecidas em cada contexto histórico. Assim, limites de pobreza pretende ser o parâmetro que permite uma sociedade específica, considerar como pobres todos aqueles indivíduos que se encontrem abaixo do seu valor.
- Ressalte-se que não se pode simplificar a pobreza na sua dimensão particular (evidentemente simplificadora) de insuficiência de renda, isto é, há pobreza apenas na medida em que existem famílias vivendo com renda familiar per capita inferior ao nível mínimo necessário para que possam satisfazer suas necessidades mais básicas.
No Brasil a partir de 1977 a evolução da pobreza e da indigência pôde ser reconstruída suas análises por PNADs (Pesquisas Nacionais por Amostra de Domicílios) realizadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), pesquisas domiciliares anuais que permitiram construir uma diversidade de indicadores sociais que retratam a evolução da estrutura da distribuição dos padrões de vida e da apropriação de renda dos indivíduos e das famílias brasileiras.
Pode-se afirmar que a pobreza, no que se refere às situações de carência em que os indivíduos não conseguem manter um padrão mínimo de vida condizente com as referências socialmente estabelecidas em cada contexto histórico. Desse modo, conceitualmente a pobreza absoluta requer que, inicialmente, se pode construir uma medida invariante no tempo das condições de vida dos indivíduos em uma sociedade.
A grandeza da pobreza está diretamente relacionada ao número de pessoas vivendo em famílias com renda per capita abaixo da linha de pobreza e à distância entre a renda per capita de cada família pobre e a linha de pobreza.
Ressaltam os pesquisadores do CEA que os indicadores da pobreza podem ser a escassez de recurso e a desigualdade na distribuição de renda, assim esses indicadores imediatos, a escassez agregada de recursos e a má distribuição dos recursos existentes (emprego e renda), e que se investiga essas relações causais, procurando avaliar medidas relativas da escassez agregada de recursos e da sua distribuição na determinação da pobreza no Brasil e em particular no Amazonas.
A desigualdade é um tópico que afeta quase todos os aspectos da vida: renda, riqueza, saúde, educação, bem-estar e até mesmo como os recursos são distribuídos nos ecossistemas. Mas como se pode realmente medir isso? Uma das ferramentas mais poderosas que os economistas encontram para visualizar a desigualdade é a curva de Lorenz. Embora seja comumente usada para medir a desigualdade de renda, a curva de Lorenz não é apenas para economistas, porém, ela se tornou uma ferramenta versátil usada para examinar as disparidades na área da saúde, estudar a biodiversidade e até mesmo no machine learning para avaliar a justiça em modelos preditivos e, para os cientistas de dados, essa é uma ótima maneira de contar uma história sobre a desigualdade em um conjunto de dados sociais econômicos.
A desigualdade na distribuição da renda e da falta de oportunidades de inclusão econômica e social representa o principal determinante dos elevados níveis de pobreza que afligem a sociedade.
(*) Economista (UFAM), Engenheiro (UFAM), Administrador (UFAM), Mestre em Economia (FGV), Doutor em Economia (UNINI-Mx), Pesquisador Sênior (CEA), Consultor Empresarial e Professor Universitário: [email protected]







