Destaques da Análise de Negócios no Amazonas

Em: 4 de setembro de 2025

Encerrou agosto e o grupo de pesquisas em Finanças e Inovação da Ufam publicou o primeiro relatório do projeto ANA – Análise de Negócios no Amazonas. Trata-se de análise geral dos números, fatos e demais direcionadores de decisão relevantes para o ambiente de negócios do Amazonas. Na prática, é uma prévia do PEA, periódico publicado pelo Cieam e por este Jornal do Commercio com enfoque à indústria.

O primeiro tópico repete o estudo de José Alberto Machado, Augusto Rocha e deste escriba acerca das virtuosidades da economia amazonense, identificáveis na composição do Produto Interno Bruto – PIB, quanto à geração de valor e arrecadação tributária do Amazonas, em patamares elevados devido à marca do Polo Industrial de Manaus – PIM na economia amazonense.

O estudo usara dados de 2021. O início do relatório ANA é um “card” com os dados mais atuais do PIB amazonense, de 2022, mas ainda sem a perspectiva da renda, pela qual aguardamos o IBGE. Com os dados disponíveis relatamos o montante de R$ 121,8 bilhões para o valor adicionado da economia amazonense, crescimento de 11,5% ante 2021.

Em seguida, a análise setorial para comércio, serviços e indústria destaca os números-índices do IBGE. É o que há para analisar de 2023 em diante. Comércio e Serviços acompanham faturamento e volume ofertado por índices diferentes. No comércio o índice de faturamento é 118, e 107 é o de volume. Em Serviços o índice de faturamento está em 123 e o de volume é 110.

Reparou, preciosíssimo leitor? Os índices de faturamento costumam ser superiores aos de volume. É uma forma de ver a inflação. Não sabemos se por apenas pressão de custo ou sobretudo por maior demanda, os empreendedores amazonenses de Comércio e Serviços têm sido mais prontos para aumentar preços que para aumentar a oferta. Prováveis causas: No Brasil temos nos limitado a tratar a inflação como um assunto nacional, sem contornos regionais. E lá em Brasília, por sua vez, em vez de tratar de produtividade e competitividade, as autoridades limitam-se a aceitar o remédio amargo dos juros altos.

O ANA pode ser mais uma forma de propiciar às autoridades locais que vasculhem nossas cadeias produtivas em busca de ajustes para aumento de oferta. Não à toa o projeto constrói braços em Economia, Contabilidade e Engenharia de Transportes. Esperamos propor soluções para que a cesta básica do amazonense, ao lado dos fatores estruturantes, como logística e energia elétrica, reduzam nosso custo de capital. Aliando aos ganhos de segurança jurídica da Reforma Tributária como vetor de atração de investimentos.

Por último, analisa-se a indústria e sua dicotomia entre PIM e a cadeia de hidrocarbonetos. A cadeia de hidrocarbonetos mostra a insuficiência dos primeiros elos para suprir nossa demanda por combustíveis. No âmbito nacional há grave distorção na estrutura de mercado do refino. Perverte toda a precificação e ímpeto de oferta.

No PIM, um indício de superprodução de TVs e ar-condicionado, que pode estar ocasionando volume total de R$ 2,5 bilhões em produtos parados nos centros de distribuição espalhados pelo Brasil. Por enquanto, há a tese do “efeito chicote”. Também consequência do distanciamento entre quem está na ponta, com o consumidor, e quem está aqui, na base produtiva, usufruindo dos números em visão geral. Questões a pesquisar.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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