Acabei de ler mais um artigo do Centro das Indústrias do Estado do Amazonas – CIEAM, assinado por seu editor responsável, Alfredo Lopes, no qual é feita, mais uma vez, a defesa do modelo econômico do Polo Industrial de Manaus (PIM). Nada contra. Ao contrário: ele, eu e todos nós que moramos no Amazonas temos, sim, o dever de defender esse exitoso modelo.
O problema é que o artigo deixa de lado os fartos argumentos técnicos e constitucionais que sustentam o PIM — argumentos sólidos, consistentes e amplamente reconhecidos — e opta por vinculá-lo, novamente, à pauta ambiental. Trata-se de um discurso muito alinhado ao de setores ligados a ONGs ambientalistas: defendem a floresta em pé — como eu também defendo —, mas ignoram o ser humano, os indicadores sociais e a dura realidade econômica do interior do estado do Amazonas.
Mais grave ainda é que, para fazer essa defesa, o autor agride de forma desnecessária outras atividades econômicas. Não é a primeira vez que isso ocorre. Ao se referir à agropecuária, utiliza expressões como “fronteira predatória” e afirma que o PIM conteria a “economia da derrubada, onde a renda nasce do fogo e da grilagem”.
É preciso deixar algo muito claro: isso não é agropecuária. Isso não representa o produtor rural. Isso é crime organizado. São bandidos. Essa distinção já foi feita de forma clara e pública, inclusive pelo ex-superintendente da Polícia Federal no Amazonas, delegado Alexandre Saraiva.
Defender o Polo Industrial de Manaus é legítimo e necessário. Mas fazê-lo atacando atividades econômicas lícitas é um erro grave. Insisto, como já disse outras vezes: atrelar a defesa do PIM à ideia de que ele seria o grande responsável pela redução do desmatamento ou pela manutenção da floresta em pé é um tiro no pé. É tratar como ingênuo quem tem o mínimo de conhecimento e capacidade crítica. Isso é coisa de ongueiro.
Basta observar os indicadores sociais e econômicos do interior do Amazonas. Eles falam por si. Além disso, recentemente, a presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) encaminhou documento ao prefeito de Manaus — município que abriga o PIM — apontando inúmeras mazelas ambientais existentes na capital. Portanto, é preciso cautela ao utilizar esse tipo de argumento.
Esse discurso já foi, inclusive, questionado por veículos de alcance nacional, como o jornal O Globo, que em edições passadas desconstruiu essa ideia defendida pelo Dr. Alfredo Lopes.
Reafirmo: temos argumentos técnicos de sobra para defender o modelo Zona Franca de Manaus. Não precisamos recorrer a narrativas importadas de ONGs que já captaram bilhões de reais e não conseguiram transformar, de fato, a vida do povo que historicamente preservou o verde no Amazonas.
Estamos juntos na defesa do estado e de seus interesses estratégicos. Mas isso deve ser feito sem atacar atividades econômicas lícitas. O artigo fala em ciência, mas esquece a ciência produzida pela Embrapa, que oferece vasta tecnologia para o desenvolvimento de atividades econômicas sustentáveis, produtivas e legalizadas.
Essa é a minha posição. Continuarei defendendo todas as atividades econômicas lícitas do Amazonas, porque não é mais aceitável conviver com os alarmantes indicadores sociais e econômicos dos 61 municípios do interior do estado, e as mazelas ambientais citadas pelo TCE-AM, incluindo os igarapés poluídos de Manaus. Penso que acompanhar o que vem sendo feita pela ONG IDESAM com os recursos do PPBio, das indústrias, seria um caminho bem mais estratégico para defender o PIM. Aliás, essa ONG entrou na justiça para travar o licenciamento da BR-319.
13.01.2026
Thomaz Meirelles, administrador, servidor público federal, especialista na gestão da informação ao agronegócio. E-mail: [email protected] ou [email protected]















