De todas as formas de consumir energia emocional além de recursos cerebrais inadequadamente, nenhuma é tão presente e forte quanto cobrar muito de si mesmo. É visível cobrar dos outros, mas cobrar de si é intangível. Pouco importa se trata de um empresário, executivo, médico, juiz ou educador, a grande maioria é seu predador.
Aqueles que cobram muito de si são autocontraventores emocionais, cometem crimes contra sua qualidade de vida, seu equilíbrio mental, a iventividade e prazer deviver. Estão entre os pofissionais mais responsáveis do teatro social, porém não são responsáveis por preservar a própria saúde psíquica. São aplicadíssimos em suas tarefas, mas se punem quando erram. São éticos em seus comportamentos, mas não éticos com seu cérebro, esgotam-no impiedosamente. Toleram as tolices e as falhas dos outros, mas são implacáveis consigo mesmos.
Por fim, sua dedicação fatal asfixia sua criatividade, sua motivação e sua capacidade de lutar por seus sonhos. Esses indivíduos colocam-se em lugar indigno na própria agenda: cobram demais de si, doam-se sem limites, se entregam sem controle. Os que entram nessa seara esquecem que são mero mortais que, em breve, irão para a solidão de um túmulo. Parece que desejam ser os mais . Muitos só deixam de ser cobradores implacáveis de si mesmos quando se encontram enfartados no leito de um hospital.
Os autoagiotas da emoção podem ser ótimos para os outros, mas não o são para si. Provocam o autoburnout devido aos altos índices de exigência consigo mesmos, são especialistas em colocar combustível no próprio estresse profissional. Ninguém precisa pressioná-los intensamente nem cobrá-los com metas altas – eles mesmo fazem isso e, dessa forma, experimentam um índice de gestão da emoção -GEEI- elevadíssimo. Vivem fatigados, estressados, ansiosos, com diversos sinto mas psicossomáticos e, ainda assim, não enxergam que ultrapassaram os limites. Amam a profissão ou a empresa mais do que a qualidade de vida. Esquecem que, se o cérebro falir, todo o resto desmorona.
A propósito aqui segue um rol de algumas consequências psicossociais de quem tem alto índice de gestão da emoção: bloqueio do pensamento estratégico; diminuição da capacidade de negociação; dificuldade de pensar a médio e a longo prazo; baixo limiar para lidar com frustrações e contrariedades; maior chance de sofrer ataques de pânico; aumento do risco de hipertensão sanguínea e de enfarto; maior chance de sofrer de transtorno do sono, e outras mais.
Uma pessoa que não é gestora de sua mente é como um veículo desgovernado, passível de causar muitos acidentes. Há pessoas que nunca sofreram colisões ao dirigir seus veículos, que são atenciosas e cuidadosas ao volante mas que, quando contrariadas, ficam irreconhecíveis: impulsivas, ansiosas, rígidas, pessimistas, destituidas de autocontrole. Pessoas assim dirigem na contramão da avenida da emoção.
É surpreendente como executivos e colaboradores, quando entram numa reunião de trabalho para discutir estratégias, processos e metas, entrincheiram seu cérebro. Colocam 100 bilhões de células em estado de alerta, como se estivessem em guerra. Acionam mecanismos estressantes para fugir, lutar ou se esconder. Seu planeta cerebral não tem sustentabilidade. Despendem tanta energia nesse processo que sobra pouco espaço para desenvolver respostas inovadoras, construir ideias impactantes, elaborar um raciocínio complexo.
Famílias, quando se reúnem para discutir seus conflitos, estão totalmente depreparadas. As conversas valorizam mais os erros do que a pessoa que erra. Pais, filhos, irmãos não sabem se perdoar, se apoiar, se abraçar, se beijar, se encantar. Não sabem abrir o circuito da memória uns dos outros. Seu cérebro também vive em estado de alerta, e já nos primeiros minutos de discussão todos perdem a capacidade de pensar antes de reagir e colocar-se no lugar do outro.
Infelizmente, o ser humano é o maior predador dele mesmo, o mais perigoso ladrão de sua tranquilidade, o mais penetrante carrasco de seu cérebro, o maior escravizador de sua emoção.
Mudar essa dinâmica, transformar-se em seu melhor protetor, no mais forte amante de sua saúde emocional, no maior incentivador de seu potencial criativo, de sua felicidade inteligente e de sua qualidade de vida é vital.
Sob o ângulo da gestão da emoção, mesmo indivíduos bons e bem intencionados podem ser excelentes construtores de fantasmas mentais. Aliás, o deserto mental está cheio de pessoas bem-intencionadas.
Sem gestão da emoção, os ricos se tornam miseráveis; profissionais competentes sabotam sua eficiência; pais e educadores se convertem em educadores que formam repetidores de ideias, e não pensadores; amantes implodem seus mais belos romances; jovens destroem seu futuro sócioemocional. Sem gerir a emoção, esgotamos o cérebro irresponsavelmente; o céu e o inferno psíquico ficam muito próximos…
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É advogado (OAB/AM 436 ) Cursou Direito, Comunicação Social (Jornalismo). Ex-funcionário do Bco.Brasil, Lecionou História, Articulista.Contato: bosco@jackmonthadvogados.com.br.















