É o fim do sistema monetário internacional?

Em: 23 de abril de 2023
Nílson Pimentel (*)

Quando se imagina que o tempo nos trará mudanças boas, mero engano, atualmente se vive tempos de paradoxo com a chegada da esquerda ao poder no BRASIL e em quase toda América do Sul. São acontecimentos esdrúxulos para a vida quotidiana do cidadão comum, declarações de políticos que surpreendem até o senso comum. Como dizer que “essa guerra se pode resolver em uma mesa de bar, tomando uma cervejinha”, ou “os Estados Unidos e Europa incentivam a prolongar a guerra da Ucrânia X Rússia”! Ou “a Rússia e a Ucrânia tem culpa nessa guerra”! Ou, segundo ministro das Relações Exteriores da Rússia Serguei Lavrov, repetiu ontem (17/04/2023) no encontro com o chanceler Mauro Vieira do Brasil, “unidos pelo desejo de contribuir para uma ordem mundial mais democrática e mais policêntrica”…. Levando a mais uma pérola do presidente do BRASIL “O que Lula indica ao ecoar o mantra da “governança multipolar” e “pós ocidental”, “e que deseja uma nova ordem mundial aos moldes de Putin e Xi Jinping….” Ou, segundo ”Lula também acha que o Ocidente e os Estados Unidos mandam demais (“Toda noite me pergunto por que todos os países precisam fazer seu comércio lastreado no dólar”), e por isso faz coro com Putin e Xi Jinping….”. E, todos se perguntam: E para que serviria essa nova ordem mundial?…Então, a “União Europeia diz ser mentirosa declarações de Lula sobre a guerra na Ucrânia e na segunda-feira (17), tanto os Estados Unidos quanto a União Europeia (UE) rebateram as afirmações do líder socialista brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a respeito da guerra na Ucrânia”.  Sem embargo de outras abordagens e de outras conotações ideológicas, os economistas pesquisadores do CEA (Clube de Economia da Amazônia) destacam que o  SMI (Sistema Monetário Internacional) refere-se à estrutura e conjunto de regras, regulamentos e convenções que regulam e governam as relações financeiras e monetárias entre os países. Distinguem que o conceito de SMI do conceito de SFI (Sistema Financeiro Internacional), entendendo que este envolve questões relativas ao mercado financeiro entre bancos privados e empresas, ao passo que o SMI envolve questões relativas à definição de uso de moedas soberanas com funções de reserva de valor internacional e meio de troca e envolve questões relativas a fixação do poder de compra entre moedas na forma de regimes cambiais, (grifo do articulista) mas é evidente, que há uma forte relação entre SMI e SFI. Países vencedores ao final da Segunda Guerra, levando-se em consideração  a situação econômica mundial do momento, foram capazes de planejar instituições jurídicas que possibilitassem a estabilização cambial, o livre fluxo de mercadorias e serviços e, com isso, o fomento econômico internacional. Na cidade de Bretton Woods, no estado norte-americano de New Hampshire houve uma série de negociações e profundas reflexões a respeito do modelo econômico que se pretendia adotar, para formalizarem uma nova estrutura econômica, surgindo daí instituições como o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial, assim com, criou-se um acordo geral de tarifas internacionais (GATT), que mais tarde daria origem a OMC (Organização Mundial do Comércio). Vale ressaltar que esse SMI não foi estruturado como um mero improviso de uma organização econômica para depois da guerra, mas que fosse duradoura. Cabe aos economistas esclarecerem à sociedade que o pensar no senso comum não resulta em nenhuma estratégia ou técnica econômica à economia brasileira nem às relações exteriores que o país precisa e que o Sistema Econômico Mundial requer conhecimentos científicos da Ciência da Economia de quem opera seus instrumentos ou emite opinião a seu respeito. O atual SMI operou os últimos 173 anos em trajetória que alternou períodos de estabilidade das moedas e cooperação internacional, com períodos de crise dos sistemas vigentes seguidos de instabilidade e recrudescimento da competição, levando a atitudes não cooperativas em termos de relações cambiais entre países. Nesse longo período o ouro e diversas outras moedas nacionais foram utilizadas como padrão monetário com validade regional e/ou global. Como todos tem conhecimento da história econômica recente, a crise financeira de 2008 nos Estados Unidos detonou o sistema financeiro dos países mais industrializados/desenvolvidos do mundo, levando ao enfraquecimento do dólar (US$) como padrão monetário mundial. Então, como pontua o pessoal do CEA, a ECONOMIA globalizada do mundo e o atual modelo de SMI, com base apenas em uma moeda nacional, no caso o dólar (US$) e seus regimes cambiais flexíveis, talvez esteja se esgotando e não há nenhum outro sistema alternativo a vista. Diversos Economistas mundo afora entendem ser muito complexo o estabelecimento de outro sistema, vejam o exemplo tentado pelo euro (€) em anos passados recentes. Então, como identificam os econopesquisadores do CEA, há inúmeros ou graves problemas para se definir ou formatar um SMI, multipolarização do poder econômico, problemas de coordenação internacional, instituições supranacionais impotentes, sem margens de ações globais atualmente, complexidade das transações microeconômicas no sistema financeiro internacional, baixo grau de confiança nas moedas nacionais, a existência de uma grande assimetria no setor externo de alguns importantes países e o problema concreto no gerenciamento da liquidez internacional e na ausência de instituições mundialmente capazes de exercer. O FMI (Fundo Monetário Internacional) perdeu essa capacidade com as crises financeiras nos Estado Unidas, ultimamente. E o BCE (Banco Central Europeu), sempre as voltas em manter a estabilidade da moeda (Euro €) e dos preços estáveis dos bens na zona do euro, onde existem países na União Europeia com diferentes graus de industrialização/desenvolvimento e mais a crise bancária ocorrida ultimamente. Por outro lado, o Novo Banco de Desenvolvimento, é novo no SMI, conhecido como “Banco do BRICS”, foi criado em julho de 2014, com sede em Xangai/China, com capital inicial de 100 bilhões de dólares, cujo objetivo principal é ser um banco de resgate e investimento para os países do bloco. Sendo que atualmente é visto como alternativa ao FMI e ao Banco Mundial para países que necessitem de créditos, demonstrando a força que possui o bloco BRICS, principalmente a China. Ainda assim, para uma definição de um novo SMI são necessários definir mecanismos de transição entre o velho e o novo sistema e os ajustes nas economias dos big global players, especialmente nos desequilíbrios entre EUA, China e demais países excessivamente deficitários e/ou superavitários no seu setor externo. Além disso, tudo há impasses econômicos e políticos que torna difícil a cooperação entre países, uns com economias desenvolvidas, outras altamente endividadas, precisando exportar a todo custo com a finalidade de geração de renda interna, criar empregos e tentar crescer. É um passo muito complexo! Contudo, ressalta o pessoal do CEA, existem no mundo econômico algumas teses sobre a necessidade de reformas desse atual SMI e sobre a dinâmica de correção de desequilíbrios entre países, e até mesmo um mecanismo automático capaz de evitar a ocorrência de grandes desequilíbrios, de modo a manter a competitividade dos sistemas econômicos.  (*) Economista, Engenheiro, Administrador, Mestre em Economia, Doutor em Economia, Pesquisador Sênior, Consultor Empresarial e Professor Universitário: [email protected]

Nilson Pimentel

Economista, Engenheiro, Administrador, Mestre em Economia, Doutor em Economia, Pesquisador, Consultor Empresarial e Professor Universitário: [email protected]
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