Palavras são mais do que palavras, são entidades vivas, que podem edificar ou destruir as nossas vidas. Por isso, devemos ter todo o cuidado do mundo com o uso das palavras. O emprego correto das palavras torna tudo mais fácil: a comunicação flui naturalmente e a vida segue sem alterações à nossa rotina diária.
Por outro lado, escreva ou pronuncie uma palavra errada, fora de contexto, para você ver, a confusão é certa. Recentemente eu escrevi uma mensagem para um colega de trabalho escolar e saiu a palavra quadrúpede em vez de quádruplo. Foram horas tentando explicar que eu não o chamei de animal. Ainda bem que ele não era o meu chefe, se não, nessa hora, eu já estaria na fila dos desempregados.
É assombroso observar como as pessoas, principalmente os adolescentes, as crianças, em idade escolar, não fazem uso da boa palavra. Rara são às vezes que eu vejo alguém dizer: “muito obrigado colega por me emprestar a sua caneta” ou coisa do tipo. Pelo contrário, parece que as palavras “obrigado”, “com licença”, “por favor”, “gratidão”, não existem no vocabulário de muitos.
Os tempos atuais são marcados por um imenso desprezo a palavra dada, por isso precisamos de acordo, contrato, ajuste. Eu ainda sou do tempo que a palavra dada era a palavra certa. Não precisávamos de promissora. Hoje não, tudo mudou. As pessoas não cumprem mais com suas palavras, mesmo aquelas que demonstram ter recebido boa educação, infelizmente!
Outrossim, sou a favor da boa educação, da educação humanística, da educação dos valores, da educação espiritual, da “educação que liberta”, como dizia Paulo Freire. Devemos sempre falar, pensar e escrever palavras nobres, palavras de conforto, palavras de carinho, de afeto, palavras que educam, que constroem pontes, palavras que tornam as nossas vidas e a vida do nosso semelhante mais fácil, alegre. A vida já anda tão complicada, para que dificultá-la ainda mais, não é mesmo?
Se eu fosse uma pessoa importante nesse país, se me dessem o poder de criar uma lei, eu criaria “O dia da palavra bendita”. Nesse dia, feriado nacional, todos deveriam falar só palavras bonitas, palavras como amor, esperança, justiça, respeito, coragem, perdão… Do amanhecer ao entardecer, crianças, adolescentes, jovens, idosos, comunicadores, professores, juízes, advogados, carpinteiros, pedreiros, comerciantes e agricultores, todos, iriam usar e abusar das palavras que edificam e engradecem o ser humano. Ao contrário, neste dia ficaria proibido o uso de qualquer palavra que machuca e denigre à imagem do outro. Seria um dia sem ódio no coração do povo brasileiro.
Tudo isso até pode ser delírio da minha cabeça, mas como seria bom ver e ouvir as pessoas falando de amor em vez de ódio, falando de união em vez de desunião… Falar de coisas boas, de verdade, de amizade, de amor…, é preciso. O amor é tão bom e belo que não existe apenas uma forma de amar. Pelo contrário, existem várias formas e tipos de amor. Pode ser amor de irmão. Amor carnal. Amor doação. Amor espiritual. Amor que nunca reclama. Amor que acolhe. Amor que é paciência. Amor que tudo contempla. Amor que rejuvenesce. Amor que deixa ir.
Todo ser humano que na sua vida pessoal, social ou profissional, usa palavras de alento, audácia, brio; que respeita as opiniões adversas; que deseja um mundo mais justo, igual, fraterno e oportuno para todos, é um defensor da paz, da justiça, do amor e merece ser lembrado pelas futuras gerações.
Pelo contrário, quem defende a guerra, as armas, a destruição da vida; quem espalha fake news, não tem amor no coração. Em sua grande maioria são pessoas hipócritas, que dizem uma coisa e fazem outra. Quem vive de espalhar ódio entre as pessoas, não merece ser lembrado pelas futuras gerações. Viva os defensores do Amor, viva os agentes da Paz!
Por fim, e não menos importante, precisamos falar mais de amor. Que os escritores escrevam mais sobre o amor. Que os poetas declamem mais poesias de amor. Que as mães demonstrem mais amor pelos seus filhos. Que os filhos amem mais seus pais. Que os políticos tenham mais amor pela causa pública. Que os alunos tenham mais amor pelos estudos…







