Quando o xeique Jihad Hassan Hammamedeh fala sobre o Islamismo, procura fazer com que suas palavras sejam compreendidas por diferentes públicos. Nascido na Síria, em 1965, chegou a Manaus ainda criança, acompanhado dos pais, que deixaram o país em busca de segurança diante das perseguições religiosas e políticas que enfrentavam.
Foi na capital amazonense que iniciou uma nova etapa de sua vida, mantendo, ao longo dos anos, uma trajetória dedicada ao estudo, ao ensino e à divulgação da religião islâmica. Como xeique, título atribuído a uma autoridade ou estudioso religioso, sua atuação ultrapassa os espaços das mesquitas e alcança palestras, entrevistas, encontros e atividades voltadas ao diálogo entre diferentes culturas e tradições religiosas.
Desde jovem, Jihad Hassan demonstrava interesse em compreender melhor sua própria religião. Aos 16 anos, em 1981, deixou Manaus para estudar Teologia e Jurisprudência Islâmica na Universidade Islâmica de Medina, na Arábia Saudita, onde permaneceu por cerca de onze anos. O período de formação aprofundou seus conhecimentos e marcou o início de uma caminhada dedicada ao ensino e à orientação religiosa. De volta ao Brasil, passou a atuar junto à comunidade muçulmana, ministrando aulas, traduzindo sermões e participando de atividades de divulgação do Islam.
Em Manaus, sua presença também se relaciona à tarefa de aproximar o conhecimento sobre o Islam da sociedade. Em conversas, palestras e encontros, procura explicar os fundamentos da religião, responder perguntas e esclarecer dúvidas sobre o Alcorão, a vida religiosa e os costumes da comunidade muçulmana.
— O Alcorão é uma orientação para a vida. Seus ensinamentos nos convidam a refletir sobre nossas atitudes, a buscar o conhecimento, a praticar a justiça e a tratar o próximo com respeito. Não é apenas um livro para ser lido, mas uma palavra que deve ser compreendida e colocada em prática no cotidiano.
Em uma de suas reflexões sobre a convivência entre diferentes culturas e religiões, Jihad Hassan destaca a importância do conhecimento para superar distâncias e preconceitos. Para ele, aproximar-se do outro exige disposição para conhecer sua história, sua cultura e suas crenças.
— Primeiro, é preciso conhecer o outro, e o outro também tem que se fazer conhecer.
A preocupação com o diálogo também aparece em sua atuação pública. Para Hassan, ensinar a religião também significa ajudar a esclarecer ideias equivocadas sobre o Islamismo. Sua atuação procura mostrar que a comunidade muçulmana faz parte da sociedade brasileira e que o conhecimento sobre as religiões pode contribuir para uma convivência baseada no respeito e na compreensão das diferenças.
Sua liderança foi construída ao longo de décadas de estudo, ensino e participação na vida da comunidade islâmica. Além da formação religiosa, sua trajetória inclui estudos nas áreas de História, Ciências Sociais e Comunicação, além de participação em atividades acadêmicas, culturais e inter-religiosas.
Para o xeique Hammamedeh, a religião também pode abrir caminhos para o diálogo entre pessoas de diferentes culturas e crenças. Em uma sociedade marcada pela diversidade religiosa, sua trajetória representa uma experiência de dedicação ao estudo e à orientação da comunidade muçulmana em Manaus.
— A religião não deve ser motivo para afastar as pessoas. Quando existe respeito e disposição para conhecer o outro, as diferenças podem se transformar em oportunidade de diálogo. Podemos ter crenças diferentes e, ainda assim, conviver em paz, respeitando a fé, a cultura e a história de cada pessoa.
Por fim, ao falar sobre a convivência entre pessoas de diferentes tradições, costuma reforçar uma ideia que acompanha sua atuação: o respeito não nasce da distância, mas do conhecimento. E, nesses encontros de fé, cultura, conhecimento e diálogo entre as diferentes comunidades religiosas da cidade, o xeique Jihad Hassan Hammamedehcostuma citar o Alcorão:
— “Ó humanidade! Nós vos criamos de um homem e de uma mulher e vos fizemos povos e tribos para que vos conheçais uns aos outros.” (Alcorão, 49:13).







