Marina X Omar ou Omar X Marina

Em: 3 de junho de 2025

Em 2023, a ministra Marina Silva esteve na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das ONGs, realizada no Senado Federal. A CPI se estendeu por vários meses, discutindo o papel dessas organizações no bloqueio de obras essenciais para o desenvolvimento da Amazônia, como a pavimentação da BR-319. No entanto, o senador Omar Aziz, representante do Amazonas, não compareceu para debater nem com a ministra nem com as ONGs que se opõem abertamente à obra, como a FAS e o IDESAM. Essas ONGs, que se dizem parte de “observatórios” atentos à realidade amazônica, parecem, contudo, ignorar a barriga vazia e o bolso vazio do povo do interior. É um paradoxo gritante: dizem proteger a floresta e as comunidades, mas travam qualquer possibilidade de desenvolvimento legal e sustentável. Agora, em 2025, na véspera das eleições de 2026, o senador Omar Aziz parece querer se distanciar do Partido dos Trabalhadores (PT) para ampliar seu capital eleitoral em Manaus. Por isso, fez, recentemente, a defesa correta do Amazonas na mesma pauta da BR-319. Mas fica a pergunta: por que não fez isso antes? Por que não se posicionou com firmeza em 2023, quando teve a oportunidade histórica na CPI? Naquele momento, o senador Plínio Valério lutou praticamente sozinho, sem o apoio dos dois senadores amazonenses, Omar e Eduardo Braga. Marina Silva, por sua vez, carrega consigo uma trajetória marcada pela oposição sistemática a obras como a BR-319. Foi ministra do Meio Ambiente de 2003 a 2008, no governo Lula, e embora tenha deixado o ministério em maio de 2008, poucos meses depois o Fundo Amazônia foi criado — fruto de articulações conduzidas por ela. Marina ficou formalmente fora do governo por 15 anos, mas o Fundo que ajudou a criar permaneceu abastecendo, com milhões de reais, as mesmas ONGs que seguem travando a BR-319 e outros projetos cruciais para o Amazonas e para o Brasil. Essa é uma questão que deveria ter sido levantada: Marina saiu, mas o mecanismo que impulsiona essas ONGs permaneceu ativo e fortalecido. E quando voltou ao governo, agora no terceiro mandato de Lula, retomou com ainda mais força a pauta do Fundo Amazônia e o apoio a essas organizações e militâncias que, em nome da preservação, seguem bloqueando o desenvolvimento do país. Outro ponto negligenciado pelo senador Omar Aziz e sua equipe: por que ninguém cobrou da ministra Marina a ausência do Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) do Amazonas? O ZEE é a ferramenta adequada para organizar e planejar o uso sustentável do território. No entanto, no Amazonas, o processo tem sido invertido: criam-se áreas protegidas sem planejamento, engessando cada vez mais o estado, que já possui mais de 60% de seu território sob restrições severas. Não se pode ignorar que a ministra Marina Silva mantém relações próximas com os países que financiam o Fundo Amazônia. O PT sabe e se beneficia disso: o dinheiro destinado às ONGs acaba alimentando uma militância política que se retroalimenta com consultorias, projetos e encontros. Só não enxerga essa realidade quem não quer ou quem, de alguma forma, também se beneficia desse sistema. Nem mesmo as tragédias humanas, como a morte de pessoas por falta de oxigênio, com caminhões atolados na BR-319, parecem sensibilizar esse grupo. O senador Omar Aziz tem todo o direito de retornar ao governo, mas, para isso, precisa reconhecer os erros, ter um discurso coerente e, principalmente, resistir às pressões das ONGs e ongueiros que há anos travam o desenvolvimento do Amazonas. Não pode esquecer que, quando foi vice-governador, o então secretário de Meio Ambiente de sua gestão posteriormente virou superintendente justamente da ONG FAS — uma das entidades que mais se opõem ao asfaltamento da BR-319. Em 2023, Omar não cobrou com firmeza essa ONG, como fez esta semana com a ministra. Por que só agora? Por fim, é necessário dizer à ministra Marina Silva, com toda clareza: quem realmente está “enforcado” não são as ONGs ou os gestores públicos, mas o povo do Amazonas — com mais de 60% sem comida e sem perspectivas, sufocado pelas amarras impostas por seus “amigos” estrangeiros e suas ONGs parceiras. Nós — políticos, ministros, ongueiros — estamos bem, longe de qualquer aperto real. Quem sofre é o povo que, ao preservar a floresta para o mundo, foi condenado à pobreza e ao abandono. Essa é a verdadeira questão: isso é justiça ambiental, social e econômica? Eu penso que não. Basta de teatro! É hora de agir pelo povo do Amazonas, com responsabilidade, coerência e coragem.
03.06.2025
Thomaz Meirelles, administrador, servidor público federal, especialista na gestão da informação ao agronegócio. E-mail: [email protected] ou [email protected]

Thomaz Meirelles

Servidor público federal aposentado, administrador, especialização na gestão da informação ao agronegócio. E-mail: [email protected]
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