O debate sobre o desmatamento na Amazônia tem sido cada vez mais monopolizado por ONGs ambientalistas, que disseminam dados alarmantes sobre a destruição da floresta enquanto ignoram aspectos fundamentais da realidade local. A recente postagem do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) ilustra bem essa contradição e expõe um questionamento necessário: se o governo já dispõe de equipamentos oficiais de monitoramento ambiental, por que ainda se destinam tantos recursos para que ONGs realizem essa mesma atividade?
É inegável que a Amazônia é uma das regiões mais preservadas do mundo, mas esse fato parece ser convenientemente ignorado pelas organizações ambientalistas, muitas das quais atuam livremente na região desde 2003. ONGs como a Fundação Amazonas Sustentável (FAS) e o IDESAM não apenas apoiam esse discurso alarmista, mas também fortalecem a atuação de “observatórios” que divulgam informações contraditórias sobre a floresta. Enquanto isso, a população local segue enfrentando desafios estruturais graves: falta de água potável, energia, internet, atendimento médico e oportunidades para desenvolver a agropecuária tanto para consumo interno quanto para exportação.
A grande questão é: quem realmente se beneficia desse teatro ambiental? Desde 2003, todos os governadores do Amazonas têm permitido essa situação, enquanto os recursos destinados a essas ONGs continuam crescendo. Quem paga essa conta? Justamente aqueles que historicamente preservam a floresta, mas que são tratados como vilões por uma narrativa conveniente.
O atual governador, Wilson Lima, ainda tem tempo para reverter esse cenário antes de deixar o cargo. Caso contrário, poderá enfrentar dificuldades em sua candidatura ao Senado, assim como aconteceu com seu provável concorrente, que quase perdeu para Luiz Castro por estar alinhado a interesses que travam o desenvolvimento do Estado.
Além disso, é impossível ignorar que a Secretaria de Meio Ambiente (SEMA) está há mais de uma década sob a influência da FAS, ligada aos governos de Eduardo Braga e Wilson Lima, ambos de olho em uma vaga no Senado Federal. A diferença é que Wilson ainda pode virar essa página e romper com essa estrutura.
A falta de coerência nos dados divulgados também chama a atenção. O IPAAM afirma que o desmatamento caiu, enquanto a ONG IMAZON diz que aumentou. Como é possível tamanha discrepância? O mais revoltante é que, segundo a própria IMAZON, o maior índice de desmatamento no Amazonas ocorreu dentro de unidades de conservação, que teoricamente deveriam ser as áreas mais protegidas.
A população do Amazonas não pode mais aceitar ser enganada. Enquanto ONGs lucram com esse ciclo vicioso, os verdadeiros moradores da floresta seguem marginalizados. Não tenho mandato eletivo, mas continuarei usando o espaço que tenho para defender o Amazonas. Não serei cúmplice desse jogo de interesses que, sob o pretexto de proteção ambiental, apenas perpetua o atraso e a dependência da região.
18.03.2025
Thomaz Meirelles, administrador, servidor público federal, especialista na gestão da informação ao agronegócio. E-mail: [email protected] ou [email protected]







