O discreto e estranho César Maia

Em: 29 de junho de 2026

O vereador Cesar Maia, que foi deputado federal, prefeito por três mandatos e bem avaliado secretário de Finanças de Brizola, é o que se poderia chamar de “político difícil”, pois só mesmo um temperamento pouco político pode justificar não ter sido eleito governador ou tido oportunidades no cenário nacional.

Na sua geração e safra de políticos, é raridade ter passado sem nenhum tipo de suspeição, assim como seus filhos com passagem na política. Eficiente na gestão, realizador e mãos limpas. Assume sua vocação para a vida pública exercendo no final da carreira mandato de vereador, com a simplicidade e o despojamento das pessoas bem-resolvidas. Outra avaliação a entrar nas especulações desta singular trajetória pode ser em função de sua origem ideológica de esquerda, que pode ter evoluído para o centro sem prejuízo da decepção com o grupo que, chegando ao poder e a mandatos, não teve o mesmo comportamento ético e moral.

No processo de democratização promovido pelo presidente João Figueiredo, verificou-se que nem o regime nem a oposição trataram de renovação. Depois de 21 anos de presença do regime de 64, o Brasil cresceu na economia e no social, mas não renovou quadros políticos, apesar de revelações admiráveis como os coronéis Andreazza, Passarinho, César Cals, Haroldo Mattos e Ludwig, A oposição não ficou atrás. Na primeira eleição direta para os estados, em 82, elegeu Brizola, Arraes, Tancredo e Montoro; todos pré-64.

Cesar Maia, diferentemente dos outros, logo que assumiu a prefeitura montou uma equipe de jovens de grande valor, sendo exemplo maior o também prefeito por três mandatos do Rio Eduardo Paes. E gente escolhida pelo mérito.

Em observações nas suas redes sociais, Cesar Maia tem prestado testemunho sobre a qualidade de auxiliares, como o secretário de Saúde em dois mandatos e mais no sucessor dele, Luiz Paulo Conde, Ronaldo Gazolla. Outro nome de referência é a admirável Helena Severo. As digitais de Helena estão no que existe de importante na cultura da cidade, como teatros e bibliotecas, o que a levou a presidir a Biblioteca Nacional, depois a secretaria estadual de Cultura e o Theatro Municipal, que é estadual. Helena Severo trouxe para o Rio o admirável Francisco Weffort, ministro da Cultura de FHC e seu marido, cuja simples presença na cidade já era um evento cultural relevante.

E teve outros que não prosseguiram na vida pública, como Luciano Almeida e Silva, Índio da Costa, João Figueira e João Figueira de Melo.

Ganha importância neste momento de tantos desencantos, de busca de alternativas, casos como o do ex-prefeito do Rio, que devem de ter outros pelo Brasil afora.

Precisamos ter esperança de encontrar atores melhores, nos dois grupos em disputa.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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