O mercado e as atuais incertezas

Em: 15 de maio de 2026

As sociedades passam por incertezas em toda sua existência e no Brasil esse fenômeno se acirra mais ainda, haja vista, a polarização ideológica, além das incertezas econômicas e sociais.  Ademais, o próprio atual governo se encarrega de provocar incertezas para a própria sociedade, ele é o grande indutor dessas dúvidas e incertezas.

Vejam o que provocou com a nova tributação, que poderia ser menos complicada, mas não é. Aqui se trata um pouco de tributação, pois no Brasil se presencia um grande problema com elevada carga tributária em todos os setores econômicos e sociais. Contudo, o instrumento econômico da curva de Laffer, aponta que, quanto maior a arrecadação após certo ponto de equilíbrio, as receitas tendem a cair e não aumentar, prova disso é a alta sonegação de impostos no Brasil. Assim sendo, o país deixa de arrecadar a cada ano o equivalente a 10% do PIB (Produto Interno Bruto) em sonegação de impostos. Outra questão que deixa clara tamanha sonegação, é quando se analisa o retorno por parte do Estado com a receita dos impostos pagos. Uma pesquisa do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação), que traça uma relação entre a carga tributária e o retorno desses valores arrecadados para a população, conforme a pesquisa, entre os 30 países com maior carga tributária do mundo, o Brasil é o que menos oferece retorno à sociedade, justificando mais uma vez a alta sonegação no país. A economia de um país está intimamente ligada com a arrecadação de tributos, assim a alta tributação nos tempos de crise é extremamente prejudicial para a economia do país.

Antes de tratar do tema central, se ressalta que a rejeição pelo Senado do indicado pelo presidente ao STF (Superior Tribunal Federal) que nada tem haver com atingimento da Democracia, nem sobre a soberania do país, como dizem membros do governo, pois ocorreu tudo dentro das prerrogativas do Senado Federal, senão vejam: o Senado Federal, como parte integrante do Congresso Nacional e representante dos estados e do Distrito Federal, possui prerrogativas exclusivas (privativas) estabelecidas pela Constituição Federal de 1988.

As principais prerrogativas e competências privativas do Senado incluem: Julgamento de Autoridades (Crime de Responsabilidade): Processar e julgar o Presidente e Vice-Presidente da República, ministros de Estado, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), membros do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Ministério Público, o Procurador-Geral da República e o Advogado-Geral da União; Aprovação de Autoridades: Aprovar previamente, por voto secreto e após arguição pública, a escolha de magistrados, ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) indicados pelo Presidente, presidente e diretores do Banco Central, Procurador-Geral da República, chefes de missão diplomática (embaixadores), entre outros; Controle Financeiro e Dívida: Autorizar operações externas de natureza financeira de interesse da União, estados, Distrito Federal e municípios, além de definir limites globais para a dívida consolidada; Suspensão de Leis: Suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; Legislação e Revisão: Atuar como casa revisora de projetos de lei iniciados na Câmara dos Deputados, promovendo o equilíbrio federativo; Assuntos Federativos: Dispor sobre limites globais e condições para as operações de crédito externo, interno e mobiliário de todos os entes federados. O Senado é composto por 81 senadores (três por estado/DF), com mandatos de oito anos, e funciona como “Casa da Federação” para garantir que os estados federativos tenham representação igualitária, diferentemente da Câmara dos Deputados. Sob os atuais critérios de escolha ao STF, o governo foi derrotado no Senado, ‘respeitando’ a vontade da sociedade frente aos atos recentes desse STF.

Na verdade houve uma tremenda derrota do presidente do Brasil!!!

Atualmente, o mundo vive em um cenário de mudanças constantes e cada vez mais velozes, observem as guerras, – isso é fato. Também por isso, os negócios tiveram de aprender a ser resilientes e a criar sustentações que os fazem se erguer e reerguer em meio às incertezas. Mas a falta de previsibilidade dentro do cenário atual,  é o que o antropólogo futurista Jamais Cascio “chama de BANI (do inglês “Brittle, Anxious, Nonlinear e Incomprehensible”, ou “Frágil, Ansioso, não linear e Incompreensível”, em tradução livre), cria anseios e estresses que a resiliência, por si só, já não é mais suficiente”.

E como complementam os economistas pesquisadores do CEA (Clube de Economia da Amazônia), novas visões de mundo e negócios, mais as habilidades precisam ser desenvolvidas para que os impactos causados pelas inconstâncias sejam mitigados e aproveitados.

As incertezas econômicas, impulsionadas por crises geopolíticas e riscos fiscais, exigem maior cautela e adaptabilidade do mercado. Essa instabilidade gera volatilidade, levando investidores a preferir ativos mais seguros e empresas a reavaliar financiamentos (observem a volatilidade no preço do petróleo com obstrução do Estreito de Ormuz), tudo isso as leva a adotar novas estratégias e aumentar a transparência são fundamentais para lidar com esses desafios.

A cotação internacional do petróleo atingiu nesta quinta-feira (30/04) o maior patamar desde 2022, a escalada tem como principal vetor a deterioração do cenário no Oriente Médio (fechamento do Estreito de Ormuz e bombardeamento de outros países pelo Irã), em um movimento que reflete a combinação de risco geopolítico elevado, o petróleo com oferta potencialmente comprometida e demanda ainda resiliente. O barril do Brent voltou a orbitar níveis próximos de US$ 120, reacendendo alertas sobre inflação global e crescimento econômico.

Vejam os Impactos e Comportamento do Mercado, como resposta aos riscos eminentes atuais: Cautela do Banco Central: Incertezas externas e internas (risco fiscal) levam a postura moderada, como cortes de juros calculados pelo COPOM (Comitê de Política Monetária); Volatilidade e Adaptação: A instabilidade política e econômica exige que empresas desenvolvam resiliência e aprimorem a gestão de riscos para enfrentar cenários mutantes; Financiamento e Investimento: Incertezas globais alteram o comportamento das empresas, mudando a forma como captam recursos e planejam investimentos; Análise de Mercado: O Indicador de Incerteza da Economia da FGV (Fundação Getúlio Vargas) é usado para monitorar as expectativas, que são afetadas por notícias e instabilidade; Riscos de “Incerteza Radical”: Críticas à confiança excessiva em modelos probabilísticos sugerem que análises ignoram riscos imprevistos, produzindo decisões frágeis; Como Lidar com as Incertezas (Estratégias), Adaptabilidade: A capacidade de se ajustar rapidamente a múltiplos cenários econômicos é crucial; Gestão de Crises: Antecipar-se a momentos de instabilidade permite minimizar impactos negativos; Transparência: Adotar transparência aumenta a confiança do consumidor em momentos de volatilidade; Liderança e Gestão:  discutir o impacto das incertezas na gestão empresarial, internas e externas. São algumas proposições para minimizar impactos negativos no mercado interno.

No Brasil, há uma camada extra, acrescida ao contexto BANI, que faz a mentalidade antifrágil ser ainda mais essencial: as regras e legislações complexas e burocráticas, como as estruturas trabalhistas e tributárias, com seus inúmeros impostos em todos os níveis (federal, estadual, municipal). Existem muitos aspectos a serem construídos para reduzir o nível de burocracia na realidade do BRASIL e isso é uma jornada de evolução que se dará em anos, (dependendo do governo federal de plantão) o que aumenta consideravelmente a volatilidade e complexidade do cenário nacional. Há incertezas em todos os cenários, econômico e social, observem o endividamento das famílias brasileiras! O Brasil precisa acabar com essa polarização ideológica absurda!

 

(*) Economista (UFAM), Engenheiro (UFAM), Administrador (UFAM), Mestre em Economia (FGV), Doutor em Economia (UNINI-Mx), Pesquisador Sênior (CEA), Consultor Empresarial e Professor Universitário: [email protected]

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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