
LEGENDA:
Área de testes técnicos e ambientais para extração de terras raras em Apui (AM), com estimativa de minério para mais de 20 anos de extração
CRÉDITO:
Mineração BBX do Brasil
O mundo atravessa uma nova era de disputas geopolíticas em que os recursos minerais estratégicos, especialmente as terras raras, assumem protagonismo. Esses elementos são essenciais para tecnologias modernas, incluindo veículos elétricos, turbinas eólicas, discos rígidos, monitores, LEDs e até sistemas de defesa. A concentração da produção mundial nas mãos da China, responsável por cerca de 69% da oferta global, evidencia a vulnerabilidade das cadeias de suprimento e reforça a necessidade de diversificação. Além do domínio produtivo, a excessiva burocracia e a imprevisibilidade nas regras de exportação chinesas tornam o país um fornecedor pouco confiável, criando incertezas para empresas de tecnologia e defesa em escala global. Conflitos recentes, como a guerra entre Rússia e Ucrânia, mostraram a relevância estratégica desses minerais para Estados Unidos e aliados ocidentais. Nesse cenário, os EUA têm ampliado a interferência estatal em companhias privadas por meio de programas de financiamento, como a Lei CHIPS, na tentativa de garantir autossuficiência em minerais críticos e reduzir a dependência de Pequim.
De acordo com a Secretaria Nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral (SNGM) e o Serviço Geológico do Brasil (SGB), o país possui cerca de 23% das reservas mundiais de terras raras, estimadas em 21 milhões de toneladas de óxidos de terras raras (TREO). Apesar disso, o Brasil produziu apenas cerca de 20 toneladas em 2024, menos de 1% da produção mundial, que atingiu aproximadamente 390 mil toneladas.
Goiás e Minas Gerais consolidam-se como referências na exploração de terras raras no Brasil. Em Goiás, a Mineração Serra Verde, em Minaçu, iniciou a produção comercial de óxidos de terras raras no depósito de Pela Ema, com capacidade estimada de 5 mil toneladas por ano na primeira fase do projeto. Esse empreendimento é considerado o primeiro de escala industrial fora da Ásia e posiciona o Brasil entre os fornecedores globais de materiais essenciais para a transição energética, com potencial de movimentar bilhões de reais em exportações nos próximos anos. Minas Gerais, por sua vez, reúne depósitos relevantes em regiões como Poços de Caldas, onde estudos identificaram cerca de 950 milhões de toneladas de recursos com teor médio de 0,25% de TREO. A presença de empreendimentos dessa magnitude projeta não apenas a diversificação da matriz mineral brasileira, mas também a geração de empregos qualificados, atração de investimentos internacionais e maior segurança estratégica para cadeias produtivas de alta tecnologia.
No Amazonas, o município de Apuí abriga o projeto EMA da Mineração BBX do Brasil, com relatório final de pesquisa já apresentado à ANM (Agência Nacional de Mineração). Estima-se nesse relatório que a jazida possua mais de 1 bilhão de toneladas de minério, suficiente para garantir mais de duas décadas de extração, com geração consistente de empregos e receitas de impostos para o município.
O depósito de Pitinga, localizado no município de Presidente Figueiredo, é tradicionalmente conhecido pela exploração de estanho, tântalo e nióbio. Além desses minerais, estudos indicam a presença de aproximadamente 2 milhões de toneladas de xenotímio, que concentram elementos como lantânio, cério, neodímio, samário e gadolínio. Entre eles, o samário tem recebido atenção internacional devido às suas aplicações em ímãs de alta performance, essenciais para motores de veículos elétricos e turbinas eólicas. Recentemente, foi noticiado que contratados de defesa dos Estados Unidos têm até 1º de janeiro de 2027 para obter ímãs de samário-cobalto e neodímio-ferro-boro de qualquer país, exceto Coreia do Norte, China, Rússia e Irã, evidenciando a relevância estratégica global desses minerais.
A mineradora BCM da Austrália, matriz da Mineração BBX do Brasil, reportou concentrações de samário acima de 5% do TREO no depósito denominado EMA, no município de Apuí, que apresenta potencial excepcional. Nesse local, processos naturais contribuem significativamente para a concentração mineral, permitindo que parte do trabalho seja realizado de forma ambientalmente mais eficiente. O estudo reforça a importância de desenvolver tecnologia de exploração sustentável, considerando impactos socioambientais e desafios logísticos, e demonstra o potencial do Brasil como fornecedor confiável de minerais estratégicos.
O aproveitamento dessas reservas exige planejamento rigoroso devido à infraestrutura logística da região. Projetos de terras raras são complexos, custosos e sensíveis ao meio ambiente, exigindo técnicas inovadoras que minimizem impactos, como a aplicação gradual de sulfato de magnésio. A mineração pode gerar efeitos econômicos relevantes, promovendo empregos qualificados, atração de investimentos estratégicos e desenvolvimento tecnológico, respeitando os direitos das populações locais e garantindo proteção de rios, solos e biodiversidade de forma sustentável e duradoura.
O domínio desses recursos representa não apenas riqueza física, mas também poder estratégico, inovação e influência diplomática. Cada jazida explorada oferece potencial de transformação para setores críticos do século XXI e projeta o Brasil como protagonista global em tecnologia e geopolítica. A forma como o país gerirá essas oportunidades determinará se essa riqueza se converterá em legado de desenvolvimento sustentável, influência internacional e desenvolvimento tecnológico ou permanecerá subutilizada, aguardando que futuras crises geopolíticas definam seu verdadeiro valor estratégico.







