Carrego comigo o orgulho de ser filho de Ubaldino Meirelles da Silva, um “amigo-irmão” de Guilherme Aluizio. Minha trajetória nas páginas deste centenário Jornal do Commercio começou em junho de 2003, quando, indicado por Eustáquio Libório, recebi o convite para escrever sobre o setor rural do Amazonas.
Jamais esquecerei minha primeira conversa com Guilherme Aluizio. Fui recebido com a fidalguia de sempre, mas com uma condição inegociável e afetuosa: ele exigiu que eu assinasse meus textos com o sobrenome “Meirelles”. O pedido revelava a profunda intimidade e o respeito que ele tinha pelo meu pai. De pronto atendi. A burocracia cartorária não me permitiu incluir o sobrenome oficialmente nos documentos, mas o JC o oficializou em letras de forma.
Hoje, ao ver esta casa completar 123 anos, celebro uma marca pessoal de mais de mil artigos publicados, religiosamente todas as terças-feiras. E o que me faz permanecer? A resposta é simples: liberdade. Em mais de duas décadas, jamais sofri qualquer tipo de censura. Ter um espaço onde o articulista possui total independência intelectual é um patrimônio imensurável nos dias de hoje.
Mas o JC não é apenas um bastião da liberdade; é um farol para a economia. É o matutino que melhor compreende a dinâmica local, tratando com seriedade o Comércio, os Serviços e a Indústria. Mais do que isso: é um veículo que entende e acredita no Agronegócio não como um rival, mas como um parceiro estratégico do Polo Industrial de Manaus (PIM). O desenvolvimento do Amazonas passa por essa simbiose, onde o campo alimenta a cidade e a indústria impulsiona a tecnologia no campo.
Sou testemunha viva desse compromisso histórico. O acervo do jornal, que visito constantemente para pesquisas, é a memória viva do nosso Estado. As edições comemorativas são produzidas com um zelo ímpar — lembro-me com carinho de ter ajudado na construção de uma edição especial sobre o Agro anos atrás.
Movido por esse espírito de construção, já vislumbro o futuro. Tenho em mente uma nova parceria para estruturarmos uma edição especial histórica em 2026, reafirmando o potencial do nosso setor primário.
Que venham mais 123 anos. O Amazonas precisa, mais do que nunca, da lucidez econômica e da liberdade editorial do Jornal do Commercio.
01.01.2026 – Thomaz Antonio Perez da Silva Meirelles, servidor público federal aposentado, especialista na gestão da informação ao agronegócio pela UFJF.







