O Sobrenome, a Liberdade e o Futuro: 123 Anos de JC

Em: 5 de janeiro de 2026

Carrego comigo o orgulho de ser filho de Ubaldino Meirelles da Silva, um “amigo-irmão” de Guilherme Aluizio. Minha trajetória nas páginas deste centenário Jornal do Commercio começou em junho de 2003, quando, indicado por Eustáquio Libório, recebi o convite para escrever sobre o setor rural do Amazonas.

Jamais esquecerei minha primeira conversa com Guilherme Aluizio. Fui recebido com a fidalguia de sempre, mas com uma condição inegociável e afetuosa: ele exigiu que eu assinasse meus textos com o sobrenome “Meirelles”. O pedido revelava a profunda intimidade e o respeito que ele tinha pelo meu pai. De pronto atendi. A burocracia cartorária não me permitiu incluir o sobrenome oficialmente nos documentos, mas o JC o oficializou em letras de forma.

Hoje, ao ver esta casa completar 123 anos, celebro uma marca pessoal de mais de mil artigos publicados, religiosamente todas as terças-feiras. E o que me faz permanecer? A resposta é simples: liberdade. Em mais de duas décadas, jamais sofri qualquer tipo de censura. Ter um espaço onde o articulista possui total independência intelectual é um patrimônio imensurável nos dias de hoje.

Mas o JC não é apenas um bastião da liberdade; é um farol para a economia. É o matutino que melhor compreende a dinâmica local, tratando com seriedade o Comércio, os Serviços e a Indústria. Mais do que isso: é um veículo que entende e acredita no Agronegócio não como um rival, mas como um parceiro estratégico do Polo Industrial de Manaus (PIM). O desenvolvimento do Amazonas passa por essa simbiose, onde o campo alimenta a cidade e a indústria impulsiona a tecnologia no campo.

Sou testemunha viva desse compromisso histórico. O acervo do jornal, que visito constantemente para pesquisas, é a memória viva do nosso Estado. As edições comemorativas são produzidas com um zelo ímpar — lembro-me com carinho de ter ajudado na construção de uma edição especial sobre o Agro anos atrás.

Movido por esse espírito de construção, já vislumbro o futuro. Tenho em mente uma nova parceria para estruturarmos uma edição especial histórica em 2026, reafirmando o potencial do nosso setor primário.

Que venham mais 123 anos. O Amazonas precisa, mais do que nunca, da lucidez econômica e da liberdade editorial do Jornal do Commercio.

01.01.2026 – Thomaz Antonio Perez da Silva Meirelles, servidor público federal aposentado, especialista na gestão da informação ao agronegócio pela UFJF.

 

Thomaz Meirelles

Servidor público federal aposentado, administrador, especialização na gestão da informação ao agronegócio. E-mail: [email protected]
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