O turismo como ativo estratégico para a estabilidade, o desenvolvimento e crescimento econômico global.

Em: 27 de fevereiro de 2026

Como observam alguns especialistas, a economia global está entrando em um período definido por crescimento mais lento, pressões fiscais crescentes e volatilidade persistente. Em 2026, o PIB (Produto Interno Bruto) global deverá crescer apenas 3,1% ao ano – essa é perspectiva de médio prazo mais fraca em décadas – enquanto a dívida pública global está a caminho de ultrapassar 100% até 2029.   Além disso, o crescimento do comércio permanece moderado em 2,6%, muito abaixo das médias históricas.

Nesse cenário, o setor de viagens e turismo é frequentemente subestimado. No entanto, é um dos poucos setores capazes de gerar um estímulo imediato e mais abrangente. Ele tem demonstrado repetidamente sua resiliência, recuperando-se mais rapidamente do que a maioria dos setores após grandes choques e atuando como um estabilizador anticíclico que absorve trabalhadores deslocados pela automação e por mudanças estruturais na economia.

Primordialmente, o turismo não é apenas um amortecedor macroeconômico é um dos motores mais poderosos da prosperidade compartilhada no mundo. Até 80% do valor econômico do setor flui diretamente para pequenas e médias empresas (PMEs) e comunidades locais, tornando-o um dos setores mais inclusivos globalmente. Poucos setores distribuem oportunidades de forma tão ampla ou rápida entre regiões e níveis de renda.

Com os mercados de trabalho enfrentando uma projeção de déficit de 43 milhões de trabalhadores no turismo mesmo com o setor se preparando para criar 91 milhões de novos empregos até 2035, o turismo tornou-se essencial para os países que buscam gerar oportunidades para jovens, mulheres e trabalhadores deslocados. Em uma era de restrição fiscal e pressão social, essa capacidade de absorção de mão de obra é crucial.

Num momento em que 60% das pessoas em economias avançadas sentem que a desigualdade está a aumentar o turismo também fortalece a coesão social. Oferece uma das plataformas mais duradouras da humanidade para a compreensão cultural e a diplomacia suave, facilitando interações quotidianas que humanizam as diferenças e sustentam o diálogo além-fronteiras.

Como que o setor de viagens e turismo cresce em escala e complexidade, a tecnologia torna-se fundamental para sustentar sua contribuição econômica e social. A digitalização e a inteligência artificial (IA) podem gerar ganhos de produtividade de 15 a 40% em diversos setores ajudando a solucionar a escassez crônica de mão de obra, ao mesmo tempo em que aprimoram a qualidade dos serviços e a eficiência operacional.

Na prática, isso significa usar IA para antecipar a demanda, gerenciar o fluxo de pessoas e aperfeiçoar a alocação de mão de obra, enquanto os sistemas de identidade digital, biometria e visto eletrônico reduzem os atritos sem comprometer a segurança. Ao eliminar as ineficiências nos processos e na logística, a tecnologia libera o talento humano para se concentrar no que mais importa no turismo: hospitalidade, narrativa e experiências significativas.

Com mais de 70% dos viajantes esperando jornadas perfeitas e habilitadas por biometria – em comparação com menos de 30% dos aeroportos que as oferecem – a oportunidade de reduzir atritos e aprimorar a experiência humana é significativa. Quando implementada de forma responsável, a tecnologia não substitui a dimensão humana do turismo; ela a potencializa.

No entanto, a tecnologia por si só não basta. Para desbloquear todo o potencial do setor, é necessário preencher a lacuna de infraestruturas e de investimento. Atualmente, cerca de 12% do investimento global no turismo destina-se a destinos emergentes e secundários, apesar de estas regiões representarem mais de metade do potencial de crescimento global.

Como não é um problema de demanda, mas sim um desafio de prontidão e alocação de riscos, onde o capital é direcionado para a previsibilidade, a governança e o planejamento de longo prazo, e não apenas para a promoção. O financiamento misto, parcerias público-privadas e ferramentas inovadoras de mitigação de riscos serão cruciais para mobilizar capital onde ele é mais necessário.

O turismo pode ser uma força estabilizadora em um mundo instável.

Num mundo fragmentado, marcado por tensões geopolíticas e pela crescente desconfiança, o turismo continua a ser uma força estabilizadora. Ele sustenta intercâmbios interpessoais voluntários em larga escala, num momento em que os canais diplomáticos, comerciais e políticos formais estão sob pressões, criando interações cotidianas que reforçam o entendimento mútuo, a previsibilidade e os interesses econômicos compartilhados além-fronteiras.

O turismo reabre corredores de mobilidade, fortalece a interdependência global e fomenta o diálogo quando este é mais necessário. Não se trata de uma atividade secundária; é um pilar estratégico da resiliência econômica, da segurança e da cooperação global. Assim, o apelo à ação é claro. Governos e setor privado devem investir em mobilidade, infraestrutura, capital humano e tecnologia.

A experiência da Arábia Saudita demonstra como isso se traduz na prática: investimento contínuo em conectividade aérea, vistos digitais, preparação dos destinos, talentos e tecnologia – tratados não como gastos supérfluos, mas como infraestrutura econômica essencial. No âmbito da Visão 2030, o turismo foi elevado à categoria de motor de crescimento sistêmico, fortalecendo a resiliência interna e contribuindo para a estabilidade, a abertura e a cooperação global.

O futuro da prosperidade global será moldado não apenas pela velocidade de crescimento das economias, mas também pela sua capacidade de se manterem abertas, conectadas e resilientes e o turismo, quando planejado intencionalmente, ocupa um lugar central nessa equação.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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