O valor do mestre – (série memórias)

Em: 1 de outubro de 2025

Dia 15 de Outubro sempre foi muito festejado em nossa cidade devido ser o dia do PROFESSOR. Alunos, e pais de alunos alegravam-se e faziam festas nos colégios dedicadas aos mestres. Há poucos anos houve uma depreciação da categoria um desgaste na profissão própria do 3º milênio que na sua inversão de valores, não mais valorizando o educador. Hoje ninguém quer ser professor. É insultado, por alunos e pais. É o mínimo que posso falar. Resolvi então neste 2025 encetar uma campanha de resgate ao valor do mestre.

O reduto dos professores em letras maiúsculas. Dia 15 de outubro professor até pouquíssimas décadas, era bem celebrado pelos alunos. Falo agora em memorialística.  professores que eram até voluntários, como no caso da implantação da faculdade de economia em Manaus. Nada recebiam em espécie.  Suas vocações de Mestres falavam mais alto. Plinio Coelho, então governador do estado em 1958, viu a necessidade de possuirmos faculdade de economia, além da única de direito que possuíamos. Amealhou, mestres como Oyama Ituassu, Jefferson Peres, Saul Benchimol, Arthur Reis, Joao Mendonça de Souza, Sócrates Bonfim, Anderson Dutra, Plinio Coelho e Ruy Lins. Para ministrarem as aulas à noite aos novos alunos. Um primo meu, fez parte dessa turma de economia. Coisa inédita.  A primeira, formatura foi onde era o antigo Seminário São José (Emilio Moreira). foi uma total euforia esta formatura lotando de alunos amigos, mestres, as dependencias.do local. Esses eram nossos mestres! E esses a que me referi acabaram pertencendo a nossa centenária Academia Amazonense de Letras. hoje presidida pelo acadêmico cardiologista ARISTÓTELES ALENCAR. A visar a excelência da antiguidade como valores que ainda podemos resgatar.

ANOS HERÓICOS – Transcrevo aqui um texto do economista e professor renomado Francisco Assis Mourão sobre a figura de seu pai Fueth Mourão (este também um dos mestres voluntários). Nesse texto existe uma frase lapidar. Essa frase demonstra a ânsia do SER daquela geração dos anos heroicos. Diz Assis Mourão: “Fueth significa “amor profundo” em idioma árabe. Meu pai, pertenceu a uma geração que fazia do magistério amazonense não uma profissão, mas uma professão.”

Digo eu: Professão é seguir as vontades do coração.

Profissão: é seguir os ditames da razão.

Professão: é por em primeiro lugar os valores eternos.

Profissão: é só o tilintar das moedas. O efêmero.

Professão: é “ter pouco e dar muito.”

Profissão: faz-nos homens. De corpo e alma.

Professão: faz-nos homens. De corpo e alma e imortalidade.

Vejo apenas a ALE ou outro órgão público festejar um grupo de professores doutorados da UFAM com diplomas de mérito. E até fazer o mesmo com os mestres de cerimonial da referida Assembleia Legislativa. Deveria até haver um prêmio de alguma ENTIDADE CULTURAL Centenária da cidade como uma homenagem HONORIS CAUSA a algum mestre ainda em vida a que formar gerações.

Eis nossa Campanha ao mestre, desde a professorinha do fundamental aos doutorados. Por causa da honra de educar. Albert Camus ao receber o prêmio Nobel de literatura, em seu discurso foi dedicado a seu primeiro mestre. Porque foi este a conseguir-lhe bolsa de estudos levando-o ao colégio interno (Seus pais não queriam que estudasse mais, e que ajudasse nas finanças da casa).

O Mestre ainda vivo, soube e respondeu-lhe com um telegrama. “Albert, por essa sua atitude, vejo que você continua o mesmo. Que as honrarias não lhe subiram a cabeça”…

Fuet Mourão, Era o colégio São Francisco de Assis . Ele construiu em forma de nome da sua esposa e um grande pátio tinha até uma capela com missa as 6:00 horas da manhã aberta a todos. Minha mãe Carmen e uma vizinha Dona Helena foram uma vez bem cedinho. Foi deputado estadual e morreu cedo, No dia 15 de outubro dia do professor, intelectuais de alto nível ou não, ele fazia uma festa com comidas para todos que ali aparecessem. A profissão era muito valorizada. Em  homenagem ao professor. Lembro a ausência de mulheres como Violeta Branca (falaria sobre ética poética) mas já estava no Rio de Janeiro na Federação das Academias de Letras do Brasil mas aqui quero nominar como mulheres de alto nível intelectual  que ali poderiam está, cito aqui somente professoras afetivas: Dagmar Hosanah, Ilcia Honório, Berenice (Origenes Martina) casal que atuava uníssono. Garcilenil Said, Maria José Portela, Raimunda Dutra Pessoa, Marta Falcão, e não poderia faltar como fecho de ouro a mestra Francisca Oliveira , A que me impulsionou grandemente para cursar jornalismo mas os caminhos divinos apontavam na direção de artigos jornalísticos, O iniciar do curso de Teologia ( Pe. Cânio Guinaldi) referendado diploma com assinatura da reitora Maria do Carmo Freitas da Universidade Santa Ursula, Afetos não são valores fúteis. São a eternidade de memoráveis tempos.

 

CARMEN NOVOA SILVA, é Teóloga e membro da Academia Amazonense de Letras e da Academia Marial do Santuário Nacional de Aparecida-SP

Carmen Novoa

Pesquisar