Os 15 finalistas do Oscar Ambiental 2025 – parte 3

Em: 6 de novembro de 2025

Com a chegada da comitiva do Príncipe William ao Rio de Janeiro, a cidade se prepara para um dos eventos mais aguardados do planeta: a cerimônia do The Earthshot Prize (TEP) 2025, o aclamado Oscar da Sustentabilidade. Em meio à expectativa global, uma pergunta ecoa: quem conquistará o prêmio de um milhão de libras na categoria “Consertar o Clima”, no dia 5 de novembro de 2025, no icônico Museu do Amanhã?

Escrevo com grande entusiasmo, diretamente do Rio de Janeiro, onde participo das atividades do TEP 2025. Dando sequência à série sobre os 15 finalistas, apresento um resumo das soluções vencedoras da categoria Consertar o Clima, bem como os três finalistas deste ano.

Até 2030, os organizadores do TEP decidiriam consertar o clima do mundo cortando o carbono: construindo uma economia neutra em carbono que permita que todas as culturas, comunidades e países prosperem. Entre 2021 e 2025, já foram selecionados 15 finalistas nesta categoria, dos quais quatro foram vencedores, recebendo cada, o valor de um milhão de libras para alavancar sua solução em escala global:

A AEM Electrolyzer, desenvolvida pela Enapter (https://earthshotprize.org/pt-br/winners-finalists/aem-electrolyser), venceu o Earthshot Prize em 2021 com sua tecnologia que converte eletricidade renovável em hidrogênio verde. Desde então, a empresa lançou um modelo mais leve e rápido, construiu sua fábrica de produção em massa na Alemanha e alcançou, em 2023, seu melhor ano, com €31,5 milhões em vendas. Nesse período, instalou eletrolisadores no centro de hidrogênio da University of South Wales, forneceu 30 unidades para a Tokyo Gas e firmou um contrato de US$ 6,5 milhões com a chinesa Wolong.

A 44.01 (https://www.4401.earth/) venceu o Earthshot Prize 2022 com uma solução pioneira criada em Omã para remover permanentemente o CO₂ da atmosfera, transformando-o em rocha sólida. Utilizando a peridotita, uma rocha abundante em diversos continentes, a empresa acelerou um processo natural que levaria séculos, injetando água carbonatada nas camadas subterrâneas, onde o dióxido de carbono se mineraliza rapidamente.

Com o apoio financeiro do prêmio, a 44.01 expandiu pesquisas, reduziu custos e alcançou um marco histórico: a primeira injeção bem-sucedida de CO₂ mineralizado em peridotita usando água do mar, nos Emirados Árabes Unidos, um avanço crucial rumo a um futuro mais limpo e seguro.

A terceira vencedora foi a Boomitra (https://boomitra.com/), uma empresa indiana que atua com mais de 150 mil agricultores, gerenciando mais de cinco milhões de acres de terra em regiões vulneráveis da África, América do Sul e Ásia.

A Boomitra utiliza satélites e inteligência artificial para monitorar a saúde do solo e medir seu potencial de armazenar carbono ao longo do tempo. Empresas e governos que desejam compensar suas emissões podem adquirir créditos de carbono verificados em seu mercado digital, garantindo que a maior parte da receita retorne diretamente aos agricultores e pecuaristas, fortalecendo comunidades rurais e restaurando ecossistemas.

A quarta solução que venceu em 2024, a Advanced Thermovoltaic Systems (ATS – https://ats.energy/), é uma organização americana que oferece uma solução simples, segura e confiável para transformar o calor residual industrial em eletricidade para uso em setores difíceis de reduzir, com o potencial de economizar gigatoneladas de CO2. Como ela venceu ano passado, ainda não há estudos que apontem os impactos do TEP sobre a empresa.

E o que podemos esperar em 2025? Vejamos o perfil dos três finalistas que estão concorrendo este ano.

5.1 Friendship (Bangladesh)

A Friendship (https://friendship.ngo/) é uma organização não governamental de Bangladesh que nasceu de um único hospital flutuante e hoje apoia milhões de pessoas vulneráveis diante dos desafios climáticos.

Sua atuação vai muito além da resposta a desastres naturais: ela promove a saúde, a educação, a segurança alimentar, os meios de subsistência e o acesso a serviços públicos. A cada ano, a Friendship atende mais de 7,5 milhões de pessoas, fornece 8,3 milhões de dias de apoio alimentar e garante água potável a mais de 80 mil pessoas em áreas costeiras. Também lidera um vasto programa de restauração ambiental, com 60 km de florestas de mangue recuperadas e 650 mil árvores plantadas em 200 hectares próximos a Sundarbans, protegendo 125 mil moradores contra ciclones e capturando carbono para impulsionar uma economia azul. Suas soluções inovadoras, como escolas desmontáveis, assentamentos elevados e hospitais flutuantes, tornam as comunidades mais preparadas e resilientes.

5.2 Barbados (Caribe)

Barbados (https://earthshotprize.org/pt-br/winners-finalists/barbados/) é um pequeno país insular do Caribe, responsável por apenas 0,01% das emissões globais, mas que se tornou líder mundial na luta climática.

Em 2022, lançou a Iniciativa de Bridgetown, que está transformando o financiamento climático global ao permitir que países afetados por desastres naturais adiem dívidas, redirecionem US$ 100 bilhões para combater a pobreza e pressionem o Banco Mundial a flexibilizar empréstimos, o que pode liberar US$ 30 bilhões adicionais na próxima década.

Em sua nova fase, o Bridgetown 3.0 propõe trocar dívidas por investimentos ambientais e criar seguros contra desastres capazes de gerar até US$ 200 bilhões por ano. No plano interno, Barbados pretende investir US$ 11,6 bilhões até 2035 para fortalecer o bem-estar social, o crescimento econômico e a resiliência climática.

5.3 Form Energy (EUA)

Esta empresa americana (https://formenergy.com/) desenvolveu baterias de ferro-ar, capazes de reter eletricidade por até 100 horas a um custo muito inferior ao das baterias de lítio, enfrentando diretamente a intermitência das fontes renováveis. Elas são produzidas a partir de ferro, água e ar, materiais abundantes, e com base em um design modular que permite instalação em qualquer escala, garantindo energia contínua e acessível.

O impacto dessa inovação já se materializa na Form Factory 1, em Weirton (Virgínia Ocidental), uma instalação de 51 mil m2 erguida em apenas um ano, símbolo da revitalização da indústria americana, com mais de 400 empregados e previsão de 750 até 2028.

O próximo passo da empresa é ainda mais ambicioso: transformar uma antiga fábrica de papel no Maine em um sistema de armazenamento de 8.500 MWh, suficiente para abastecer 65 mil residências por quatro dias, reforçando a estabilidade e a descarbonização da rede elétrica regional.

Diante do exposto, entre as três, a Friendship de Bangladesh apresenta as maiores chances de vencer o TEP 2025, por unir inovação social, impacto ambiental tangível e replicabilidade global, exatamente o tipo de solução integrada que o Earthshot Prize costuma premiar. Já Barbados vem logo atrás, pelo impacto estrutural nas finanças climáticas, enquanto Form Energy se destaca como potência tecnológica com potencial de longo prazo.

Jonas Gomes

Prof. Dr. Jonas Gomes da Silva - Professor Associado do Dep. de Engenharia de Produção com Pós Doutorado iniciado no ano de 2020 em Inovação pela Escola de Negócios da Universidade de Manchester. E-mail: [email protected].
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