Continuando nossa série sobre tecnologia, hoje falaremos sobre a tecnologia assistiva. Esta consiste em um conjunto de recursos e serviços que tem como meta a promoção de mais acessibilidade e autonomia para as pessoas com deficiência, com o alvo de fazer com que esta parcela da população possa estar mais inserida na sociedade, de forma a poderem exercer com plenitude a sua cidadania, pois como sujeitos de direitos e deveres que são também, eles devem ter garantidas as suas prerrogativas constitucionais, podendo ter as suas atividades diárias exercidas de maneira mais equânime em relação às demais pessoas sem deficiência.
O fato é que a tecnologia assistiva vem a funcionar como um auxílio para ampliar as habilidades e possibilidades das pessoas com deficiência. Podemos encontrá-la em diversas frentes, como por exemplo, na forma de programas e equipamentos tecnológicos, em serviços de medicina, na educação e até mesmo na área de design. É importante haver o entendimento de que as tecnologias assistivas têm desempenhado um papel muito importante no que tange à promoção da inclusão e à melhoria da qualidade de vida das pessoas com algum tipo de deficiência. Podemos ver que desde os primeiros dispositivos até as inovações digitais mais recentes, o avanço dessas tecnologias é muito mais do que somente um progresso tecnológico, mas sim uma significativa alteração na percepção social sobre o que vem a ser a acessibilidade realmente.
Podemos contemplar ainda a evolução histórica de todo este processo, como no início do século XX, período em que estas tecnologias eram mais limitadas, podendo ser classificadas como ferramentas simples, a exemplo de próteses manuais e aparelhos auditivos básicos, que ainda que tenham sido funcionais naquele período, não atendiam, na totalidade, às necessidades das pessoas. No decorrer do tempo, a pesquisa e o desenvolvimento neste âmbito ganharam impulso, gerado pela crescente conscientização sobre os direitos das pessoas com deficiência. Ocorreu um avanço significativo nas tecnologias assistivas durante as décadas de 1960 e 1970, especialmente com a inserção de dispositivos eletrônicos. Durante este tempo a criação de computadores pessoais e a miniaturização de componentes eletrônicos permitiram o desenvolvimento de dispositivos que facilitavam a comunicação e a mobilidade. Estas inovações não só melhoraram a acessibilidade, como também abriram novas portas para a educação e para a empregabilidade, propiciando que, desta forma, os indivíduos que antes eram excluídos pudessem participar ativamente da sociedade, exercendo os seus direitos. Já na década de 1990 veio a revolução digital, que quebrou diversos paradigmas no âmbito das tecnologias assistivas. Com o advento da internet, novas soluções apareceram, de maneira a permitir que pessoas com deficiência acessassem informações e serviços de maneira mais eficiente.
Chegando ao século 21 o progresso das tecnologias assistivas continuou a acelerar – se, impulsionado por inovações em inteligência artificial, aprendizado de máquina e dispositivos móveis. Tecnologias como assistentes virtuais, que utilizam reconhecimento de voz, tornaram-se comuns, de maneira que pessoas com mobilidade reduzida pudessem interagir com seus dispositivos de modo mais independente. Outra questão é que aplicativos de smartphone voltados para acessibilidade, como leitores de tela e softwares de reconhecimento a partir da imagem, por exemplo, têm propiciado uma experiência mais inclusiva, de forma que usuários com diferentes tipos de deficiência acessem informações e serviços de maneira mais prática e eficaz.
Podemos concluir que este novo contexto da realidade se apresenta como bastante promissor, partir da integração de novas tecnologias emergentes, como a ‘Internet das Coisas’ e o próprio sistema conhecido como 5G. Ferramentas como estas têm o potencial de criar um ecossistema mais integrado, em que dispositivos assistivos podem se comunicar entre si e com o ambiente também, proporcionando uma experiência mais integrada e interativa para os usuários. A interconexão não apenas melhora a acessibilidade, como promove ainda a autonomia e a independência. É indispensável que haja cada vez mais investimentos do poder público e da iniciativa privada em soluções tecnológicas que venham ao encontro das reais e iminentes necessidades das pessoas com algum tipo de deficiência, pois todos, sem exceção, precisam ter as condições favoráveis para exercerem sua cidadania sem qualquer impedimento.







