Pe. José Dalla Vale

Em: 9 de abril de 2025

Discurso proferido por mim, na A. Legislativa do Amazonas ao receber o título de Cidadão do Amazonas. Pensem agora numa pessoa com vocação missionária desde criança. Caso desconheçam, digo que essa pessoa é o padre José Dalla Valle, missionário salesiano cuja ordenação sacerdotal deu-se há exatamente 60 anos. No seu Jubileu de Ouro, celebrado em missa solene em 2004, deu-se ênfase aos cinquenta anos de missionareidade… Diz muito porque ele deixou tudo: casa, pátria, idioma, as amizades, a. família. Tudo para dedicar sua vida a desconhecidos. A gente de outras culturas e costumes. Já em Vicenza, povoado da Cidade de Breganzi, na Itália, 1oca1 onde nasceu pensava em tornar-se sacerdote Tanto que, com apenas 12 anos de idade, entrava no pré-seminário e ali pode ver e escutar os exemplos de experiências de missionários vindos de lugares longínquos, a despertar o entusiasmo no então menino. Um deles falou das missões no Alto Rio Negro, no Amazonas. E falou das grandes distâncias. Da comunicação precaríssima. Da carência de quase tudo: escolas, postos médicos, remédios, alimentação. Referiu-se também ao convívio com as tribos indígenas. E o menino José, encantou-se com esta aventura, cujo tesouro maior era a coragem motivada pela fé. E pensou: Vou ser um desses missionários! E assim foi. Nada o deteve nem as adversidades como a Segunda Guerra Mundial quando, em 1943, cursando filosofia no seminário de Turim, um avião de bombardeio fez rasante ameaçadora à noite sobre seu teto. Tudo entre bombas e baterias antiaéreas. Seus dias mais felizes? Foram os 14 anos passados em Iuareté (Cabeça da Onça), quase fronteira Com a Colômbia em atividade missionária, logo após ser ordenado padre a 5 de dezembro de 1954 em São Paulo. Lá pelo ano de 1975, dedicou-se à educação de jovens e crianças como diretor do Colégio Domingos Sávio em nossa cidade Manaus. Embasava-se na filosofia e na pedagogia bosconiana de “Educar evangelizando e evangelizar educando”. Nos anos 1980 e 1990 foi pároco por 3 vezes da majestosa Igreja de São José Operário hoje Santuário de São José. Nessa época, passou por suas mãos, um outro Jubileu de Ouro: os 50 anos da igreja de São José, em 1998. Pode-se até falar que padre José é um “colecionador de Jubileus”… de ouro.. Sim porque no ano de 5 de Dezembro de 2014 ele completou 60 anos de vida sacerdotal. Seis décadas de entrega e de fé… Dessa fé a fazer com que se responda, com feitos, o que manda o coração. E que o faz assegurar ter sido essa história de vida missionária, “a coroação de um sonho alimentado desde criança”. Falava-me Padre José que algo muito tocante havia acontecido quando recebia a cidadania brasileira em cerimônia do juramento à Constituição e a Bandeira do Brasil em Agosto de 1968. Inesperadamente surgiu e apresentou-se Como padrinho do ato o então senador Álvaro Maia. Digo com precisão ao Pe. José: Escutou-se ali naquele momento todos os acordes da sinfonia glebária e amazônica da “Canção de Fé e de Esperança” Cântico este que o saudoso Álvaro Maia foi autor e proferiu nos anos 20, em noite inspirada no majestoso Teatro Amazonas. Ali, naquele momento, entoavam juntos a melodia sem partitura da fé e esperança em dias melhores… Sim, ainda existem os simples! Aqueles a quem como padre José, o “Colecionador de Jubileus”, o espírito do coletivo é o que os anima porque foi roçado pela asa solene do sagrado… Padre José, sexta-feira passada dia 15 de junho veio a falecer. Volto a repetir. Ele não nos disse Adeus! Ele simplesmente com fardo leve da alma foi A–Deus. Com certeza tem para ele lugar especial como um de seus Eleitos. Nós paroquianos e da Legião de Maria e Apostolado da Oração dos quais era diretor espiritual initerruptamente somos-lhes gratos. Por sua presença continua. A nossa sensibilidade saberá guardar Pe. José, num lugar escondido onde se oculta como um relicário as recordações mais sagradas da vida de cada um. Gratíssimo, e eis o nosso compromisso por todo o sempre. Deus deu-lhe o privilégio de possuir nas mãos a luz das Grandes Horas.

CARMEN NOVOA SILVA, é Teóloga e membro da Academia Amazonense de Letras e da Academia Marial do Santuário Nacional de Aparecida-SP

Carmen Novoa

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