Se quiserem diminuir a pobreza, dinheiro do Fundo Amazônia não pode ter o mesmo destino do passado

Em: 10 de janeiro de 2023

O nosso JC e o Jornal A Crítica do final de semana trouxeram importantes matérias sobre o Fundo Amazônia. Abaixo, destaco o que penso que deve ser feito com esse dinheiro. Lendo a matéria, não encontrei nenhuma opinião, de nenhum dos entrevistados, incluindo o secretário estadual de Meio Ambiente, em não lembrar de falar sobre o nosso ZEE, em não usar esse dinheiro para fazer o ZONEAMENTO ECONÔMICO ECOLÓGICO do nosso Estado. Lembro que já tivemos recurso para esse fim (ZEE), perdemos, voltou à origem, e ainda disseram que não foi feito por falta de recurso. Está mais do que evidente que gestores da área ambiental, do passado e do presente, não querem fazer o ZEE do Amazonas. Só não enxerga quem não quer ver.  O Acre da ministra do Meio Ambiente já tem o ZEE, feito em 2010 (12 anos atrás) e já fez a terceira edição. Aqui só enrolação, e os deputados estaduais, federais e senadores calados. E o pior, o governador Wilson determinou prioridade, eu estava na campanha e afirmo, mas enrolaram quatro anos. 

Aqui, no AmaZONAS, temos 97% preservado, mas 58% das pessoas na situação de pobreza, muitos sem ter o que comer. Então, a questão ambiental aqui está resolvida (os problemas são pontuais e a sala de monitoramento do Ipaam já sabe onde estão). O problema no Amazonas são os guardiões da floresta que preservam a saúde do planeta. Esses não estão bem.

Então, que esses R$ 3 bilhões sejam direcionados para:

  1. Órgãos de governo (que tem acompanhamento de MP, MPF, TCU e CGU) das três esferas para maior e melhor uso das tecnologias para agilizar o licenciamento ambiental e regularização fundiária, incluindo contratação de pessoas, mais equipamentos para a sala de monitoramento do Ipaam, se for o caso;
  2. Para a Embrapa continuar fazendo pesquisas para a produção de alimentos cada vez mais sustentáveis, e já tem muita na prateleira;
  3. Para ampliar a Assistência Técnica pública e privada. Como exemplo, cito a Ater do Idam, a Ateg do Senar, e outros entidades privadas que fazem trabalho sério de Ater;
  4. Para aumentar o valor do Bolsa Floresta que não pode ser de 50 nem de R$ 100. Nosso serviço ambiental não pode ser remunerado por nós e pelo mundo com essas migalhas. Dinheiro direto na conta do guardião da floresta, sem intermediários;
  5. Sou contra ir para as ONGs (print abaixo do relatório do MPF), mas se esse também for o caminho, que seja exclusivamente para a inclusão desses guardiões em programas como PAA, Pnae e PGPMBio com estabelecimentos de metas de pessoas incluídas, jamais para pagar salários, eventos, viagens e debates que já sabemos o resultado (aumento da pobreza);
  6. Para o programa federal Garantia Safra para bancar a parte do produtor rural no Fundo Garantia Safra. Novamente dinheiro na “veia” sem intermediários;
  7. No caso do AmazONAS, fazer o ZEE, que vem sendo enrolado há anos pela área ambiental. 

Espero estar contribuindo com os novos integrantes da bancada federal, porque os antigos já sabem e conhecem bem os nossos entraves. Alemanha, Noruega e o Reino Unido não estão fazendo mais do que a obrigação, destruíram tudo por lá, e já no primeiro dia de governo estão por aqui. Se continuar o mesmo esquema do passado, o desmatamento continua e a fome também. Se continuar o mesmo esquema de destinação do passado, os interesses devem ser outros, e não os habitantes da floresta mais preservada do mundo. No blog Thomaz Rural mostro as irregularidades encontradas pelo MPF com recursos destinados a ONGs no passado, entre eles, que a maioria dos recursos são destinados para pagar salários. E o guardião da floresta recebendo R$ 50 reais de bolsa floresta.

10.12.2022Thomaz Antonio Perez da Silva Meirelles, servidor público federal aposentado, administrador, especialização na gestão da informação ao agronegócio. E-mail: [email protected]

Thomaz Meirelles

Servidor público federal aposentado, administrador, especialização na gestão da informação ao agronegócio. E-mail: [email protected]
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