Isabelle Nogueira, você tinha apenas 15 anos quando tudo começou (2007). Você que leva o orgulho do povo da floresta para o mundo, precisa estar atenta: a sua voz e a sua imagem são poderosas, e por isso mesmo, não podem ser usadas para mascarar uma realidade de abandono. É preciso conhecer a fundo o que acontece com o caboclo, com o programa Bolsa Floresta (hoje Guardião da Floresta) para que a sua defesa do povo seja também uma barreira contra o uso político da nossa gente. Será que o brasileiro sabe que o caboclo que manteve a floresta em pé — para ele e para o mundo — recebeu apenas R$ 50 por mês por esse chamado “serviço ambiental”?
- Alcance Irrisório: Esse programa, chamada de Bolsa Floresta, alcança menos de 1% dos nossos caboclos. Além disso, só os que vivem dentro de Unidades de Conservação. E os que estão fora? Você sabe que eles são esquecidos, ignorados? É uma gota de assistência num oceano de necessidade.
- Congelamento Histórico: Mesmo com bilhões de reais vindos do exterior em nome da preservação, incluindo ONGs que já tiveram conversas com você, esse valor vergonhoso ficou congelado por 14 anos em R$ 50 reais.
- Gestão Questionável: Esse dinheiro, do Bolsa Floresta/Guardião da Floresta sai do caixa do Governo do Estado e vai parar nas mãos de uma ONG, a FAS (com S), enquanto o caboclo continua sem água tratada, sem energia, sem saúde, sem comida e sem dignidade.
- Vitrine Internacional: O programa de “serviços ambientais” batizado em 2007 como Bolsa Floresta virou um palco para captar recursos nacionais e internacionais usando a imagem do homem da floresta, do seu povo, mas sem transformar, de fato, a vida de quem mais precisa.
A verdade é dura: o brasileiro não sabe. E se soubesse, não aceitaria. Ajude a mudar essa mentalidade sobre quem verdadeiramente preservou a floresta no Amazonas.
Não aceite ver quem protege a floresta viver isolado, doente e passando necessidade, enquanto discursos bonitos sobre sustentabilidade circulam o mundo. Não aceite que a preservação ambiental, celebrada lá fora, aqui dentro se traduza em abandono.
Para completar o absurdo: até essa quantia mínima — que não chega nem a 1% dos que deveriam ser beneficiados — ainda sofre com atrasos frequentes no pagamento.
Isabelle, que sua força no Boi Garantido seja também a força da denúncia. O povo brasileiro precisa abrir os olhos e se indignar com esse teatro ambiental que impõe miséria a quem mais contribui com o planeta. Não permita que a sua imagem de guerreira sirva de cortina de fumaça para quem lucra com a pobreza do caboclo.
31.03.2026
Thomaz Meirelles, jornalista, administrador, servidor público federal, especialista na gestão da informação ao agronegócio. E-mail: [email protected] ou [email protected]







