Vergonha Internacional

Em: 2 de dezembro de 2025

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA), responsável pela política ambiental do Amazonas, acaba de colocar o governador Wilson Lima numa das maiores vergonhas internacionais já vistas na área ambiental. Durante anos, o governo estadual percorreu COPs, fóruns globais e encontros de alto nível prometendo REDD+, prometendo crédito de carbono, prometendo que o Amazonas lideraria a economia da floresta em pé e daria dignidade ao seu povo. O discurso era bonito, vendia esperança, garantia manchetes e captação de recursos. Mas, agora, no apagar das luzes do mandato, a Justiça Federal — atendendo a um pleito do MPF-AM — determina a paralisação de todos os atos do governo na área ambiental. É como subir no palco do mundo para falar de sustentabilidade e descer calado pela própria incapacidade de cumprir o mínimo.

Eu já havia alertado sobre essa decisão, mas agora o assunto está em toda a mídia: estadual, nacional e até internacional. Não é exagero dizer que virou motivo de chacota silenciosa nos bastidores ambientais. Afinal, qual credibilidade tem um estado que promete bilhões em crédito de carbono enquanto sua política ambiental é suspensa pela Justiça? Que país sério vai assinar contratos com um governo cuja estrutura ambiental não consegue sequer operar dentro da legalidade? Em sete anos de SEMA, nada estruturante avançou. Não avançamos no Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE), instrumento básico para qualquer política ambiental séria. Não avançamos em REDD+. Não avançamos em créditos de carbono. O licenciamento ambiental se arrasta como sempre. Os números do Cadastro Ambiental Rural – CAR são desastrosos e afastam investidores. Perdemos empreendedores, que fogem para estados onde a burocracia não é usada como instrumento de poder. E seguimos mantendo parcerias com ONGs sob investigação, que dão mais explicações ao exterior do que ao povo amazonense.

Enquanto isso, bilhões de dólares destinados a financiar a transição climática ao redor do mundo continuam sendo distribuídos. E o Amazonas — detentor da maior floresta tropical preservada do planeta — continua com os piores indicadores sociais.

E a pergunta que não quer calar é: o que será que faz, com Z, os governadores — de Eduardo a Omar e agora Wilson — continuarem batendo continência para essa estrutura de fracasso? O que explica a submissão aos interesses de ongueiros que ocupam a SEMA há mais de uma década e mantêm o estado engessado, isolado e travado para novas atividades econômicas?

Errar é humano, mas persistir no erro por tanto tempo é gravíssimo. E quem paga essa conta não são os gestores: é o povo que vive na floresta, é o produtor rural, é o pescador, piscicultor, pecuarista, é o extrativista, é o investidor que desiste, é o jovem que vai embora por falta de oportunidade. É o Amazonas que empobrece enquanto outros estados crescem.

A verdade é dura: se a maior floresta tropical em pé do planeta fosse administrada com seriedade ambiental, técnica real e visão de desenvolvimento, o Amazonas seria referência mundial — e não motivo de intervenção judicial.

Que vergonha! Chega de incompetência na SEMA por mais de uma década. Chega de promessas que nunca saem do papel. Chega de transformar o maior patrimônio ambiental do mundo em palco de fiascos políticos. Quero ver quem será o governante com coragem, preparo e independência suficientes para romper esse cordão umbilical que empobrece o Amazonas, reorganizar a política ambiental, profissionalizar a gestão e finalmente transformar a floresta em pé em riqueza para quem mora nela — e não para quem a explora politicamente.

02.12.2025

Thomaz Meirelles, administrador, servidor público federal, especialista na gestão da informação ao agronegócio. E-mail: [email protected] ou [email protected]

Thomaz Meirelles

Servidor público federal aposentado, administrador, especialização na gestão da informação ao agronegócio. E-mail: [email protected]
Pesquisar