Encerramos a edição deste ano do projeto “VLM – Vozes da Literatura de Manaus” com a escritora Evany Nascimento, autora cuja trajetória está profundamente ligada à história, à cultura e às questões ambientais de Manaus. Nascida na Zona Leste da cidade, sua escrita transita entre poesia, memória urbana e pesquisa histórica, reafirmando a literatura como espaço de consciência e preservação. Nesta entrevista, a autora compartilha sua trajetória, inspirações e sua visão sobre a produção literária de Manaus.
- Quem é você?
Sou Evany Nascimento, filha de Francisca, nascida e criada na Zona Leste de Manaus, no bairro do Coroado. Que sempre estudou em escolas públicas, cursou universidade pública e agora é professora de uma universidade pública também.
- O que a inspirou a se tornar escritora?
Cecília Meireles. Eu me encantei com o poema “As Meninas” e eu queria ser a Maria, que dizia “Bom dia”. E meu nome já era Maria.
- Quantos livros você já publicou e quais são eles?
Foram quatro livros: Monumentos Públicos do Centro Histórico de Manaus (Valer, 2013); Manaus em Poesia (UEA, 2019); Respiro (Edição do Autor, 2022); Histórias de Bichos e Árvores (Edição do Autor, 2025)
- Como você se define no campo literário? Considera-se mais contista, poeta ou romancista, ou transita por diferentes gêneros?
Eu sempre gostei e me sinto mais confortável escrevendo poemas e estou me especializando em Poesia Narrativa. Mas já ensaiei crônicas.
- De que forma a literatura de Manaus e a cultura local influenciam sua escrita?
Desde o meu primeiro livro eu falo sobre a história da cidade, a cultura regional amazônica e agora, as questões ambientais. Minha trajetória acadêmica passa pelo estudo da história da cidade e da cultura amazônica e minha trajetória literária é uma continuação desses estudos e vivências.
- Quais desafios você enxerga para quem produz literatura em Manaus hoje?
Para quem faz de forma autônoma e independente, como eu, o grande desafio, além de produzir/imprimir é a distribuição. A pessoa tem que literalmente, pegar seu livro embaixo do braço e sair para a rua vender. Existem editais e eventos que ajudam muito. Mas carecemos de ponto de venda, um lugar onde as pessoas saibam que ali vão encontrar os livros dos escritores independentes.
- Que mensagem você deseja transmitir aos leitores por meio de seus livros?
Que temos uma cidade com uma história linda e cheia de conflitos, que precisamos conhecer para melhorar. Que temos uma biodiversidade e um território com uma cultura ímpar e muito rica que precisamos conhecer para preservar.
- Deixe uma mensagem as leitoras e leitores do JCAM.
O livro e a leitura me salvaram e continuam salvando até hoje. Ler é um ato libertador! É um direito pelo qual precisamos lutar.
Com esta entrevista, encerramos a edição de 2026 do projeto “Vozes da Literatura de Manaus”, celebrando as múltiplas vozes que fortalecem a literatura amazônica. Agradecemos a todos os escritores e leitores que caminharam conosco neste projeto e renovamos o convite para a próxima edição, em 2027, com novas histórias e novos encontros literários.







