Jubileu de Ouro da CDL-M (Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus) será comemorado com a realização do “Oscar do Comércio”, tradicionalmente premiando personalidades com a Estatueta Deusa da Fortuna. Para o evento foi criado o slogan “50 Anos Dourados para os Lojistas e Consumidores”, que para o presidente da entidade de classe, Ralph Assayag, é uma forma de agradecer ao empresariado local pelos relevantes serviços prestados a Sociedade e ao segmento do Comércio e Serviços. O Jornal do Commercio será agraciado na categoria Mérito Lojista Comunic, em evento a ser realizado no dia 18 de outubro, às 19:30h, nos salões do tropical Hotel Manaus.
Ralph Assayag visitou a sede do JC e na ocasião falou sobre as expectativas para a realização do mundial de futebol no próximo ano, seu legado firmado no Turismo e as questões do centro histórico de Manaus, como marco para a requalificação do local que servirá de modelo para uma nova Manaus, ainda mais moderna. Leia mais:
Jornal do Commercio – Como estão os preparativos do comércio para a Copa do Mundo de 2014?
Ralph Assayag – Nós acreditamos que estádio fique pronto. As reuniões que temos feito tanto com o UGP da Copa como também com o governador, vem nos tranquilizando de que tudo vai estar pronto para o evento. Nós também estamos esperando que o aeroporto fique pronto, onde já houve um atraso, mas pela visita que fizemos ao canteiro de obras, também deverá ficar pronto. E, a nível da Confederação dos Dirigentes Lojistas, fiz uma visita à África para verificar o que exatamente aconteceu com os estádios pós- Copa. No primeiro momento, ficamos muito tristes porque os estádios da África estão obsoletos, inclusive alguns com cinco jogos por ano. Porém, trouxe à África uma situação que eu não esperava, que aquele país estivesse tão bonito como nós encontramos. E, lá todos foram unânimes dizendo: “Tudo foi por causa da Copa”. Eles souberam atender melhor, arrumar suas avenidas e ruas, e eles venderam algo de suma importância que é o turismo. Então o turismo pós-Copa é como se eles tivessem crescido no turismo 20 anos em um só ano. O volume de turismo cresceu vertiginosamente, tanto que os africanos acreditam o turismo está fomentando a receita do país.
JC – Há mais de 20 anos que se procura alternativa para diversificar o turismo de Manaus, mas continua com foco restrito no Encontro das Águas, no Hotel Tropical e no Teatro Amazonas. Falta criatividade? Porque alternativas existem. Quais os entraves nesse setor?
RA – Existe uma situação difícil, essa falta de sintonia é um erro, eu fico até com muito cuidado de falar dessa maneira. É um erro muito grande do nosso Estado, porque quando se fala em cultura e turismo, as duas secretarias não se falam, somados à secretaria de cultura do município que não se falam.
JC – Quando duas secretarias de Estado não se falam já é difícil. A questão se acentua quando se trata de duas secretarias de Estado e do Município, a falta de comunicação prejudica a recuperação da capital amazonense?
RA – Na gestão passada ainda era pior, hoje não. Como todos estão vendo que ambos (Omar Aziz e Arthur Neto) se falam, e conversam. Está havendo um ajuste e temos um exemplo recente em que a secretaria municipal sem estrutura nenhuma na área de fazenda, foi humilde e pediu ajuda da secretaria estadual. A primeira com humildade pediu apoio na questão de informatização. Então o que estamos vendo hoje é um exemplo de cooperação entre as secretarias de fazenda estadual e municipal, onde há uma interação muito boa. Hoje serve de modelo para as demais. Mas ainda existe muito do ser humano, de um secretário não ter contato com outro secretário, e às vezes ficamos patinando por um bom tempo em relação aos avanços que poderiam ocorrer com maior brevidade em que todos perdem.
JC – Ainda sobre o Turismo e o desenvolvimento da Região Metropolitana de Manaus. Existe algum projeto ou ação com vistas para o legado da Copa de 2014?
RA – Não. Nada está sendo feito a este respeito.
JC – Hoje a entidade percebe que está sendo ouvida e que as reivindicações estão se realizando?
RA – Nós acreditamos, ainda, e estamos acompanhando. Nós entramos nesse grupo de 16 órgãos com objetivo de sanar os problemas crônicos no centro de Manaus. E, participamos de todas as reuniões, estamos falando e solicitamos também, na Câmara Municipal, um projeto de desburocratização da prefeitura. Temos avançado bastante. Para tirar um Alvará de funcionamento demorava cerca de sete meses, hoje se tira um Alvará em três ou quatro dias. Estamos tentando reduzir o prazo para 48 horas. Esse não é o papel da CDLM, mas queremos facilitar para que mais emprego e renda sejam gerados também no comércio de Manaus.
JC – Hoje como presidente da CDLM, há uma percepção de que está conseguindo levar essas ideias a uma realização?
RA – Sim. O prefeito nos recebe em reuniões onde estão os secretários, desse grupo de desburocratização, e diz: “Eu quero que isso aconteça”. E aí nós fazemos parte do processo, somos o fiscal do prefeito.
JC – A Semmas (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade), no mês de agosto, expediu a licença de implantação nº 031. No ano passado no mesmo mês foram expedidas mais de 600 licenças. Significa que estão quase parando com a emissão do documento que dá origem a implantação de um comércio, indústria ou estabelecimento de serviços na cidade. Como a CDLM recebe essa comparação?
RA – Esses dados são preocupantes. Nós estamos fazendo parte de algumas ações, e nós cobramos, para que a desburocratização aconteça de fato. Porque sabemos e apoiamos a luta dos empresários insatisfeitos com a burocracia do papel. Nós temos cumprido nosso papel, como entidade, de estar presente e falando. A Secretaria do Centro está andando, nós fazemos parte por solicitação da CDLM, desse grupo de desburocratização formado por quatro secretários municipais que estão trabalhando em comum acordo com o coordenador que é o secretário de governo, Humberto Michiles, os resultados já aparecem.
JC – Manaus aderiu ao projeto Educação no Trânsito, como a CDLM participa desse momento de reorganização da mobilidade urbana no centro da cidade, que vive um caos diário?
RA – Não. Ainda não há essa parceria com relação ao trânsito. Assim que nós avançarmos mais com as questões do Centro, com uma única secretaria comandando as ações de requalificação do local, acredito que possamos contribuir também nessa área. Nós já conseguimos trabalhar o tamanho da carga dos caminhões, que acima de oito toneladas já não circulam mais no centro histórico. Com a implantação da Zona Azul, deverá ter os locais apropriados para carga e descarga, onde os motoristas passarão a pagar pelo tempo de parada estipulado entre 1h a 1:30h, no máximo, sem permanecer o dia todo estacionado no mesmo local, como acontecia anteriormente. Todo esse estudo que está sendo realizado na área de trânsito, também, está pela execução da Secretaria do Centro. Nós acreditamos que com a cooperação mútua, o Centro pode se ajustar na questão da mobilidade, inclusive.
JC – Manaus tem a capacidade de público para receber essa quantidade de shoppings que estão sendo inaugurados?
RA – No primeiro momento não. Desde o primeiro shopping, como foi o Amazonas, ele passou dois anos para poder se fixar. Todos os outros, como o da Ponta Negra, daqui a dois anos é que nós vamos saber a realidade do empreendimento. Acreditamos que pelo volume da população que cresce e pelo aumento de impostos que são cobrados, onde temos uma noção de receita financeira. E o número de pessoas que vem para a cidade de Manaus, é capaz que no primeiro momento aperta todo o mundo, controlando os custos, mas com o tempo vai se ajustando até a população dizer: é o suficiente. Não se monta um shopping sem pesquisa de mercado, e sim com todos os critérios profissionais de abertura de um empreendimento grandioso que é um shopping. Visando inclusive o tempo de maturação, que é fator determinante para o futuro das operações instaladas em um shopping.







