A Comissão do Meio Ambiente da Aleam, presidida pelo deputado Luiz Castro recebeu ontem dos ativistas da campanha “Alerta Vermelho”, uma petição online com mais de 55 mil assinaturas, contra a matança de botos vermelhos, na região amazônica. A carne dos animais está sendo utilizada como isca, na pesca ao bagre piracatinga.
Em julho, Luiz Castro enviou aos Ministérios do Meio Ambiente, da Pesca e Aquicultura, ao ICMbio e ao Ibama, requerimentos solicitando a proibição imediata e por seis anos da pesca da piracatinga na região, uma espécie de bagre que se alimenta de carne. Até o momento, não houve resposta por parte desses órgãos.
Da tribuna, o deputado disse que os armadores de pesca que visam apenas o lucro, estão comercializando a piracatinga à custa da matança dos botos. Além disso, segundo o deputado, a piracatinga está sendo vendida nos supermercados e feiras de Manaus, como “douradinha”. “O consumidor está sendo enganado e desconhece o método perverso de pesca da piracatinga. Os botos são abatidos sem que sejam poupadas as fêmeas em período de gestação e que tem seus filhotes arrancados para virar isca”, denunciou Castro.
O deputado alertou para ilegalidade do abate dos botos e do uso indevido da carne dessa espécie protegida pela legislação da fauna aquática. Ele destacou ainda que o boto sempre foi preservado por índios e ribeirinhos como animal dócil, símbolo da cultura presente no imaginário das populações tradicionais da Amazônia.
Luiz Castro afirmou que a Comissão do Meio Ambiente da Aleam apoia integralmente a iniciativa da Ampa (Associação Amigos do Peixe-Boi), que lançou a campanha “Alerta Vermelho”, para a conservação dos botos vermelhos. A entidade reivindica a moratória já da pesca da piracatinga, que está prevista apenas para janeiro de 2015.
A Ampa atua em parceria com o Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), realizando pesquisas sobre os mamíferos aquáticos da Amazônia. A meta da entidade é alcançar no mundo inteiro, 100 mil assinaturas de apoio à campanha de conservação do boto vermelho, por meio do site www.alertavermelho.org.br.
Chamado
A presidente da Associação e pesquisadora do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), Vera Silva, chamou a atenção do risco ambiental da matança dos botos. “Esta é uma espécie que só existe aqui na Amazônia. Se ela desaparecer daqui, desaparece do mundo e o Alerta Vermelho é uma chamada para que a sociedade se volte contra a matança do boto e o consumo da piracatinga”, explicou.
Na oportunidade, a ativista entregou à Mesa Diretora da Casa uma petição contendo 55 mil assinaturas de apoio à causa, sendo apoiada pelo deputado estadual Belarmino Lins (PMDB), que sugeriu ao presidente da Caama, deputado Luiz Castro, uma indicação formal à Bancada Federal e ao Senado de um Projeto de Lei que proíba a prática no Amazonas.







