“O PSD fica na postura independente”

Em: 7 de novembro de 2012
De acordo com o líder do Legislativo, sua atual gestão -que encerra no próximo dia 31 de dezembro- trouxe melhorias tanto para a cidade como para a instituição
De acordo com o líder do Legislativo, sua atual gestão -que encerra no próximo dia 31 de dezembro- trouxe melhorias tanto para a cidade como para a instituição

Com uma administração marcada por CPI, período eleitoral e a discussão e revisão do Plano Diretor de Manaus -fato que só acontece a cada dez anos- o presidente da Câmara Municipal de Manaus, vereador reeleito Isaac Tayah (PSD) lançou-se, na semana passada, como candidato a uma nova eleição no parlamento. De acordo com o líder do Legislativo, sua atual gestão -que encerra no próximo dia 31 de dezembro- trouxe melhorias tanto para a cidade como para a instituição. Ele admite ainda que seu partido vai manter a postura de independência com relação ao próximo prefeito e que ainda não conversou com o governador Omar Aziz sobre a possibilidade de uma nova eleição na CMM.

Jornal do Commercio – Qual o balanço que o senhor faz de sua gestão na presidência da Câmara Municipal de Manaus?

Isaac Tayah – Eu acho que a experiência que nós adquirimos foi uma experiência diferente de comando. Não é fácil trabalhar com 37 pessoas com ideias diferentes em que você tem que fazer um equilíbrio. Conseguimos trazer vários temas polêmicos, a Casa se abriu muito mais para a sociedade. Conseguimos diminuir as invasões promovidas pelos estudantes porque nós conversamos com os estudantes e com todas as entidades que passaram por aqui e solucionamos os conflitos. Isso que foi o mais importante. Isso foi um lado positivo da nossa administração. No aspecto geral da Casa, nós temos uma missão administrativa, que é dar transparência e divulgação de tudo o que acontece na Câmara. Isso nos forçou a ter um controle maior em relação à mídia, que foi o bloqueio contra os hackers. Firmamos um contrato com a Prodam, que bloqueou o acesso mais fácil dos hackers à nossa folha. Isso foi uma conquista. Outra conquista que deixamos é o sinal aberto de internet ao redor da Câmara. Aqui no bairro de Santo Antônio, as pessoas vão ter acesso à rede. Outra situação boa foi a implantação de uma assessoria de leis municipais. Hoje, nossas leis já entram em um cadastro nacional de leis municipais ao qual você tem acesso com mais facilidade para saber as leis municipais que existem no Brasil. E as nossas já estão lá. Em termos de formatação, melhoramos também a rede interna de internet. Claro que não temos ainda os 3 gigabytes ou mais que nós pedimos. Colocamos em pauta também a discussão do regimento, que nós temos que concluir também. Em relação à parte construtiva temos adequações para mais três gabinetes. Não conseguimos fazer o restaurante porque eu teria que investir numa área de restaurante, mas as consultas que nós fizemos foram negativas porque o investidor não quer vir para cá se a Casa não ficar aberta de noite. Então, nesse aspecto, nós perdemos e estamos tentando mudar o conceito. Estamos deixando também o projeto para um novo plenário. Hoje, qualquer discussão tem que ser feita aqui no plenário porque o outro é muito pequeno e inadequado. Todas as Casas legislativas fora do Estado -porque no interior é pior- têm um plenário anexo para que a população possa usar a Câmara ao mesmo tempo que nós vereadores estamos usando. Caso a gente consiga voltar a se eleger continuaremos esse projeto. Se não for a nossa Mesa a gente orienta o próximo presidente para que ele continue. Vamos deixar nas mãos dele tudo aquilo que acharmos que será bom para a instituição. Outra coisa que nós queremos ter também é um canal de TV aberto. Seria interessante para a TV Câmara, mas o custeio disso é muito caro. Outra coisa que não deu pra implementar foi o jornal da Câmara, de circulação mensal ou bimestral. Isso nós analisamos, tem uma lei aprovada no ano passado, mas que não foi colocada em prática por causa do TCE. Discutimos o Plano Diretor que foi importante. Conseguimos discutir bastante o Plano. Mostramos para a cidade a importância da discussão, mas no entendimento junto ao juiz da 1ª Vara da Fazenda Pública e do Ministério Público, chegamos ao concenso que precisaríamos de mais tempo. Então, resumindo, acho que foi uma experiência muito importante e nos ajudou a ter mais equilíbrio.

JC – Quais foram as principais dificuldades?

Tayah – Nós tivemos temas polêmicos. Teve a dificuldade da água, à qual não conseguimos dar um direcionamento definitivo. Tivemos o problema dos apagões, que também não teve solução definitiva. Tivemos algumas leis que poderiam ser implementadas em favor da população, mas não conseguimos fazê-lo na íntegra porque todos têm que votar. Eu pertenço a uma minoria. Criamos um grupo independente, e a visão do grupo independente era de dar um norte em relação àquilo que for bom para a cidade. Mas, isso mostrou que a Câmara não se curvou ao debate.

JC – O senhor falou sobre a postura independente adotada pelo seu partido nesta legislatura. Qual será a postura do PSD diante da nova administração municipal?

Tayah – O partido fica na postura independente. Nós apoiamos a candidata Vanessa (Grazziotin) e ela não ganhou o pleito. Mas, nós também não podemos engessar uma administração que venha a fazer coisas boas para a cidade. Acho que a gente tem que acompanhar: o que for negativo ou fora do padrão temos que criticar; aquilo que estiver no padrão temos que manter. Então, pelo que tenho acompanhado nos jornais, já que não falei com o governador (Omar Aziz) sobre isso, a postura do PSD será de não atrapalhar, e sim ajudar em tudo aquilo que for bom. O que não for bom nós vamos discutir.

JC – O que levou o senhor a disponibilizar o seu nome, mais uma vez, como candidato à presidência da Câmara?

Tayah – O fato de não ter conseguido concluir tudo. É como uma reeleição para vereador. A gente não consegue fazer tudo em um mandato e tenta fazer nos outros. Acredito que aprendemos como funciona o mecanismo da Câmara e isso torna mais fácil para a gente continuar, em relação àquele que está chegando pela primeira vez. Sabemos que em outros Estados temos presidências de um ano. Em outros Estados a troca é feita por partido. Como nós não temos isso, favorece quem é mais forte. A gente coloca o nosso nome porque a gente verifica que muitos dos vereadores com experiência infelizmente não voltaram (não foram reeleitos) e eu coloquei o meu à disposição porque alguns vereadores me pediram. Acho que temos hoje uma experiência, com o pouco de administração que nós fizemos para continuar fazendo. Nós não temos reeleição, temos eleição. É um novo mandato. Coloquei meu nome à disposição desde a semana passada, mas ainda vou conversar com o governador sobre isso. Vamos seguir aquilo que for doutrinado pelo partido para que a gente possa ter um acerto definitivo em relação à nossa candidatura.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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