Enquanto o destino da Zona Franca de Manaus aguarda por definição em Brasília, o modelo de desenvolvimento sustentável foi exaltado na capital paulista por representantes de entidades de classe nacionais e internacionais. A Zona Franca é um modelo já estabelecido no Brasil e, que tem gerado grandes benefícios ao país através das tecnologias existentes e das novas tecnologias que são implantadas através das empresas. As grandes empresas, incluindo as de origem alemãs, podem utilizar em sua cadeia produtiva, os produtos eletrônicos fabricados através dos processos produtivos básicos inovadores que estão no Polo Industrial de Manaus, e compartilhar com o resto do país, segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria).
O diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Abijaodi fala sobre as novas oportunidades na forma de parcerias com empresas de pequeno e médio porte, com a finalidade de participar da cadeia produtiva das grandes empresas de bandeira alemã, já instaladas no país e com um destaque para a Zona Franca de Manaus, em entrevista exclusiva concedida ao Jornal do Commercio.
Jornal do Commercio – Hoje quando se fala em tecnologia e inovação, as empresas germânicas apresentam um leque de opções para solucionar problemas no setor de infraestrutura e de mobilidade urbana com foco na educação. De que forma o Brasil poderá compartilhar desses experimentos e obter resultados positivos a curto prazo com foco nas metrópoles, como Manaus, uma das sedes da Copa de 2014, por exemplo?
CA – O Brasil precisa hoje estar preocupado de se inserir na cadeia de valor agregado que é algo importante. E isso só é feito trazendo tecnologias, fazendo parcerias com essas empresas adquirindo Know-how ou até mesmo fazendo investimentos novos com empresas que tenham um produto e queiram se instalar aqui no Brasil, seja nas cidades do interior, seja nas cidades-sedes da Copa do Mundo, incluindo Manaus, ao oferecer parceria para usufruir de seus benefícios fiscais e participando do desenvolvimento de toda a região Amazônia.
JC – Qual a expectativa para esse ano, já com vistas para a Copa do Mundo e das Olimpíadas em que ambos os países tenham interesses?
CA – Essa é uma grande oportunidade em que a Alemanha já está inserida, na parte de eletrônica e na informatização. Enfim, eles já estão inseridos em algumas boas áreas desses eventos especiais. Com toda a experiência que a Alemanha tem nesses grandes eventos que ela já realizou, eu acho que nós podemos aproveitar sim. O Brasil pode com as suas empresas fazer parcerias, trazer tecnologias novas, uma atualização das nossas necessidades aqui.
JC – E a Zona Franca de Manaus faz parte deste contexto, uma vez que ela já está inovando com esta questão de tecnologia?
CA – Eu acredito que a Zona Franca é um modelo já estabelecido no Brasil. Eu acho que o modelo tem trazido para o Brasil grandes benefícios com tecnologias que são implantadas através das empresas. E acredito que as grandes empresas podem utilizar dos produtos eletrônicos, das grandes inovações que estão em Manaus e trazer para o resto do Brasil, não resta dúvida.
JC – As grandes empresas alemãs já são parceiras da Zona Franca de Manaus e produzindo no Polo Industrial. E as pequenas e médias empresas há visibilidade atrativa para lá se instalarem como parceiras no processo produtivo básico?
CA – Eu não tenho dúvida que sim. Acho que esta parceria é válida para o Brasil inteiro independente da região. Aliás, os alemães tem um interesse muito grande na região Norte, isso já foi mencionado por eles. Eles querem conhecer um pouco mais das oportunidades. Já manifestaram interesse de conhecer um pouco mais, saber onde eles podem se inserir e descobrir oportunidades de trabalhar em conjunto com as empresas regionais, que são todas brasileiras.
JC – E sobre as montadoras do segmento automotivo alemão, há interesse em criar um Polo de Quatro Rodas no Polo Industrial de Manaus?
CA – Os grandes grupos alemães estão instalados no Brasil, já de longa data, como a Basf, Siemens e a Volkswagem, uma das primeiras montadoras instaladas no país, sendo um estímulo para que outras empresas alemãs venham se instalar de forma duradoura em todas as regiões, fomentando agora, as pequenas e médias empresas daquele país para participarem também da cadeia produtiva, criadas por essas grandes empresas consolidadas na economia nacional brasileira. A Alemanha é especialista em soluções logísticas, possui o know-how. O futuro tem que ser sustentável com um lugar para bem se viver, para passar a vida. O Polo Industrial de Manaus e outras regiões do Brasil têm a vocação e pode trazer uma atualização para nossas necessidades através dessas parcerias, e quem sabe criando novos polos produtivos, sim.
País recebe investimentos de R$ 253 bi
Serão R$ 253 bilhões investidos em empresas do interior do Brasil em 30 anos, através do Programa de Investimento em Logística, que na opinião do presidente da EPL (Empresa de Planejamento e Logística), Bernardo Figueiredo o desafio é transformar problemas em oportunidade. “Mesmo com a crise internacional o Brasil dá lição de soluções e abre as portas para novas parcerias, iniciando com a Alemanha com foco no desenvolvimento sustentável através de empresas instaladas no interior do Brasil”, relatou.
O deslocamento da produção para o interior do país, reflexo do desgaste das metrópoles ao longo de mais de um século, e que ora volta o olhar para cidades distantes dos grandes centros. Buscando estímulo na inovação como chave para a competitividade da região Norte, onde o Amazonas está inserido e de todo quintal brasileiro, fomentando proporcionar a melhoria do ambiente de trabalho com resultado no produto final e no desenvolvimento de regiões equidistantes.
Brasil preferência alemã
De acordo com a presidente Dilma Rousseff, a realização do 31º Encontro Alemanha Brasil na edição 2013-2014, realizado na capital paulista, na manhã de segunda-feira (13), evidencia o êxito entre os dois países, onde o Brasil é detentor do segundo maior parque industrial alemão, fora das fronteiras daquele país. “São mais de 1.600 empresas alemãs instaladas no Brasil, que segue com o crescimento acelerado, com políticas sustentáveis de interesses mútuos”, discursou Dilma.
Novas oportunidades
O presidente da Fiesp, Paulo Skaf declara que nesta edição 2013-2014, o evento consolida sua importância. A cada ano surge uma possibilidade nova do Brasil alcançar, com o grande volume de negócios, investimentos para a infraestrutura e mobilidade urbana, no momento em que a busca pela competitividade e desenvolvimento, é mútua para as duas nações. “É uma oportunidade que se repete a cada ano, mas sempre numa intensidade diferente conforme nossa economia brasileira”, disse.
Retomada da classe média
O Brasil se consolida como país de classe média. Segundo Dilma houve uma distribuição de renda entre ricos e pobres, com maior ganho do que perdas, neste processo onde a classe média se fortificou a ponto de transformar a economia do país e a distribuição de renda através de novas oportunidades para todos. “Hoje o Brasil está consolidado como um país de classe média, num momento muito importante de operacionalização portuária, na exploração de petróleo e nas ações que atraiam um maior número de investidores para aqui investirem e firmarem laços através de grandes negócios, compartilhando tecnologia”, disse a presidente durante a abertura do 31º Encontro Alemanha Brasil.
Desafios bilaterais
A economia da cidade do futuro é foco do negócio na Alemanha, lá investidores e governo estão engajados há muitos anos nesta missão. É necessário melhorar a estrutura de distribuição de energia, são muitos desafios na Alemanha, lá estão aprendendo. Por outro lado, o Brasil está em primeiro lugar no fornecimento de energia, tem vocação para produzir energia limpa e sustentável, mas com um custo muito alto ainda por isso a Alemanha será um grande parceiro.
O Brasil é líder nos setores agrários e em tecnologia, mas precisa de inovação e precisa se especializar em educação e em tecnologia de ponta. “Precisamos trabalhar em parceria, como o Senai em parceria com as empresas, por exemplo. Mas é preciso educar o corpo docente, prepará-los melhor para gerar profissionais especialistas em assuntos de interesse socioeconômico”, alerta.
A cooperação com a Alemanha vale a pena para o Brasil porque nós temos uma base econômica forte. Nosso PIB está em bom patamar e o Brasil precisa de ajuda para crescer o PIB que hoje está em torno de 15% muito alto.
Empregos
No Brasil, são mais de 250 mil empregos gerados através de 1.600 empresas de origem alemã, em média 156 postos de trabalho por empresa na área de engenharia mecânica. Chegam a representar 17% do PIB industrial brasileiro, segundo o ministro federal de assuntos exteriores, Guido Westerwelle, da Alemanha. “Além de tecnologia e inovação, nós alemães também amamos as Belas Artes e os lados prazerosos da vida. Gostaríamos de aprender com os outros e principalmente, com o Brasil”, declara.
*A repórter viajou a convite da Media Consulte Internacional Holding GmbH







