Sempre pioneira a Associação Comercial do Amazonas lutou pela criação de um estabelecimento bancário para Manaus, em meados de 1895 quando surge o Banco do Amazonas. Já em 1908, a cidade acolhe a segunda agência do Banco do Brasil do país. Hoje ao celebrar 142 anos de sua fundação, a ACA se orgulha em manter um rico acervo sobre a história econômica, social, cultural e política do Estado. Há registros de que a entidade também lutou pela criação da Junta Comercial do Amazonas, em 1891; do Porto de Manaus, em 1903; da chegada do telégrafo, em 1910; e tantas outras conquistas que continuam a fomentar benefícios para o Estado.
Para falar um pouco mais sobre a atuação da ACA, agora com foco no atual contexto econômico estadual, nacional e internacional, o Jornal do Commercio entrevistou o 56º presidente da entidade centenária. Saiba mais a seguir.
Jornal do Commercio – Ao comemorar 142 anos da Associação Comercial do Amazonas, de que forma o presidente dessa entidade histórica vislumbra a atual conjuntura econômica no Amazonas?
Ismael Bicharra Filho – A entidade é a mãe de todas as outras do gênero a exemplo da Fieam, Cieam, Fercomércio, Faea, CDL-M, dentre outras e, por isso, devemos refletir sobre sua importância. O desenvolvimento da economia do Amazonas deve muito à ACA, e graças à história da associação é que avançamos muito ao longo desses 142 anos. A história da entidade confunde-se com a história do Estado. A história do país também. Grafamos nosso nome até durante a Guerra de Canudos, quando enviamos homens daqui para a batalha. Isso não pode ser esquecido jamais, pois vivemos um momento em que o comércio amazonense tem muito para comemorar.
JC – Estamos vivendo um momento de manifestação popular em todo o Brasil. Como o setor comercial encara esses protestos já que hoje, quinta-feira, é a vez do povo manauara se manifestar de forma pacífica, na Praça da Matriz, área central da cidade?
IBF – Nós somos a favor das manifestações populares pacíficas, que buscam melhorias de vida para todos que vivem em uma sociedade e querem exercer a Democracia em sua plenitude. O que não pode é ocorrer atos que sabemos ser isolados, de depredação do patrimônio público histórico e do patrimônio empresarial que fomenta a geração de emprego e renda em Manaus, no Amazonas e em todo o país.
JC – O Brasil está entre os países com a mais alta carga tributária o que vem desestimulando o empreendedorismo, em contra partida verifica-se o crescimento do comércio informal. Em Manaus este fenômeno econômico é perceptível, como reverter essa situação?
IBF – Também entendemos que as manifestações populares vão proporcionar bons resultados inclusive para o comércio que sofre com uma sobrecarga tributária e com o aumento do comércio informal. Os empresários estão sufocados com tantos impostos incidentes em suas mercadorias, que deveriam ser provisórios e que se constituíram de forma permanente e que prejudica os negócios na questão de crescimento, se vende menos, compra-se menos e cresce-se menos. Temos o exemplo do FGTS que tinha tempo determinado, mas que continua ativo na contabilidade das empresas. Então, continua tudo em cima do empresário e o resultado está nas ruas do centro da cidade.
JC – Em relação a uma eminente crise cambial com a alta no dólar, que potencializa o risco de investimento nos novos projetos do Polo Industrial de Manaus, o comércio também está na zona de risco?
IBF – Estamos sempre alerta, a Associação Comercial do Amazonas comemora seus 142 anos com a sensação de que muito já foi feito; entramos para a história do país com muito esforço. Muito ainda está por vir, e, como nossos antecessores, estamos enfrentando os desafios que surgem no meio do caminho, mas, com a certeza de que com o trabalho correto, com determinação e coragem, continuaremos a lutar pelo desenvolvimento do comércio em todo o Estado. Que venham outros 142 anos pela frente!







